Jararacas

Jararacas são responsáveis por 83% dos acidentes com cobras no interior do AC, aponta estudo

16 de Janeiro de 2020

Ao todo, estudo contabilizou 133 casos de pessoas atendidas no Hospital do Juruá após picadas de cobras, sendo 111 por jararacas. Dados são de julho de 2017 a junho de 2018.

Por Iryá Rodrigues, G1 AC — Rio Branco

 

 

Mais de 80% dos acidentes com cobras são causados pela espécie jararaca, aponta pesquisa — Foto: Paulo Bernarde/Arquivo pessoal

Mais de 80% dos acidentes com cobras são causados pela espécie jararaca, aponta pesquisa — Foto: Paulo Bernarde/Arquivo pessoal
 
 
 
 
 
Em um ano, 133 pessoas chegaram ao Hospital do Juruá, em Cruzeiro do Sul, vítimas de picadas de cobra. Dos acidentes, mais de 80% são causados pela espécie jararaca.
 
Os dados são referentes a uma pequisa feita entre julho de 2017 a junho de 2018 pela professora do Instituto Federal do Acre (Ifac), Ageane Mota da Silva, e pelo biólogo e professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Paulo Bernarde.
 
“Apesar do número registrado, é provável que tenha ocorrido mais casos de picadas por cobras na região, porque várias pessoas não procuram o atendimento hospitalar devido à distância e dificuldades de transporte, o que é um grande risco para o surgimento de complicações e até óbitos”, afirma Bernarde.
 
A pesquisa apontou que dos casos de envenenamento, 111 foram causados pela jararaca. Na maioria das vezes, os acidentes são causados por cobras pequenas. Isso porque, segundo o pesquisador, as serpentes de menor porte são mais difíceis de serem vistas.
 
Em segundo lugar na posição de espécies causadoras de acidentes com cobras, ficou a papagaia, responsável por sete dos casos de picadas. Essa espécie costuma aparecer em alturas de até 19 metros nas árvores em florestas.
 
 
Agricultores são principais vítimas
 
Em dois dos acidentes causados pela papagaia, segundo a pesquisa, as vítimas coletavam açaí em uma palmeira a 4 e 8 metros de altura e a serpente estava no galho de uma árvore ao lado.
 
“Isso demonstra que algumas atividades de extrativismo na floresta, como a coleta de frutos em palmeiras, pode ser um risco de acidentes ofídicos. Quase metade das vítimas é de agricultores que, durante suas atividades nas lavouras, estão expostos diariamente ao risco de serem picados por cobras. Além disso, a maioria dos acidentes ocorreu durante a estação chuvosa”, destaca.
 
Dos acidentes, mais de 76% foram com indivíduos do sexo masculino. Com relação à faixa etária, a maioria foi entre pessoas de 11 a 20 anos. Quase 70% das picadas foram nos pés e 85% ocorreram na zona rural.
 
Uma das complicações que podem surgir nos casos de picada por cobra é a insuficiência renal, por isso, de acordo com a pesquisa, a vítima de acidente com cobras deve ser bem hidratada.
 
 
 
Espécie papagaia aparace em 2º lugar nos acidentes com cobras no interior do Acre — Foto: Paulo Bernarde/Arquivo pessoal
 
Espécie papagaia aparace em 2º lugar nos acidentes com cobras no interior do Acre — Foto: Paulo Bernarde/Arquivo pessoal
 
 
 
 
Primeiros socorros
 
Bernarde orienta que, em caso de picada, é importante não amarrar o local que foi picado. Essa prática pode ocasionar o surgimento de necrose, além de aumentar a chance de amputação do membro ou outras complicações.
 
Outra orientação é nunca cortar o local da picada, nem fazer perfurações ou sucção. O local da ferida deve ser lavado com água e sabão. O pesquisador ressalta ainda que a vítima deve ser levada o mais rápido possível para o hospital.
 
Caso a cobra tenha sido morta, a pessoa deve levá-la até o hospital ou fotografá-la. Por isso, o pesquisador afirma que é importante o profissional de saúde saber reconhecer qual a serpente causadora do envenenamento durante o diagnóstico, para escolher melhor o soro antiofídico a ser aplicado no paciente.