Naja

A naja que picou uma rede de tráfico

30 de Julho de 2020

O acidente com a naja abriu uma grande polêmica em Brasília para um assunto que estava adormecido na burocracia criminal: o tráfico de animais.

Da redação

 

 

A notícia do estudante de medicina veterinária picado por uma cobra naja em pleno Distrito Federal repercutiu muito em todo Brasil. O estudante de Veterinária, Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl, 22 anos, morador do Guará II, ficou em coma vários dias e foi salvo por uma dose de soro antiofídico enviado do Instituto Butantan, de São Paulo. Era a única dose no estoque do Butantan. O jovem desenvolveu uma necrose no braço e lesões no coração devido ao veneno do animal. O acidente abriu uma grande polêmica em Brasília para um assunto que estava adormecido na burocracia criminal: o tráfico de animais silvestres.

 

Salvo pela única dose de soro antiofídico que existia no Brasil, no Intituto Butantan de São Paulo, o caso do estudante Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl, 22 anos, abriu uma séria discussão sobre o tráfico de animais silvestres, especialmente cobras.
 
 
 
TRÁFICO DE ANIMAIS
 
Após caso de naja, operação do Ibama e da Polícia Ambiental resgata dezenas de animais em Brasília
 
 
 
 
Os órgãos de fiscalização fizeram um pente fino em Brasília e acabaram descobrindo uma verdadeira rede de tráfico de animais selvagens e exóticos.
 
Muitas serpentes, das espécies trimeresurus e jararacuçu, foram encaminhadas ao Zoológico de Brasília, onde passaram por exames clínicos O Ibama fez consulta a instituições habilitadas, como o Instituto Butantan, para manter os animais em caráter definitivo para pesquisas.
 
Quem mantém animais silvestres ou exóticos de forma irregular pode fazer a entrega voluntária ao Ibama em todas as unidades do país. A população também pode denunciar suspeitas de criação através da "Linha Verde".
 
Para manter cobras em residência, o interessado deve solicitar autorização junto ao órgão ambiental do estado no caso de espécies não venenosas. Cobras peçonhentas podem ser criadas apenas com fins comerciais, por instituições famacêuticas, ou com intuito de conservação, ou seja, quando o animal não pode voltar à natureza por diversos motivos, como ter sido vítima de maus-tratos.
 
 
 
 
 
 
Em sete dias, 32 serpentes são resgatadas pelo Ibama no DF. Multas a infratores somam mais de R$ 300 mil; tubarões também foram encontrados
 
A história inusitada de um jovem picado por uma naja no Distrito Federal chamou a atenção do país. O caso desencadeou outras ocorrências após denúncias e até a sensibilização de pessoas que criavam cobras de forma ilegal a entregarem os animais voluntariamente. Desde quarta-feira, 8 de julho, 32 serpentes foram resgatadas pelo Ibama. Em ações integradas com as polícias do DF e órgão ambiental local, outros animais exóticos também foram localizados, como tubarões, tartarugas e lagartos.
 
O Ibama e a Polícia Civil do DF atuaram em uma residência na região administrativa de Vicente Pires, onde estavam seis serpentes: duas jiboias arco-íris da caatinga, duas da espécie píton (Ásia) e duas jiboias de Madagascar (África). Agora, estão sob os cuidados do Zoológico de Brasília.
 
 
APREENSÕES DE ANIMAIS EM ARACAJU
 
Operação contra o cativeiro ilegal
 
No final de julho, o Ibama de Sergipe realizou duas apreensões de fauna em Aracaju que resultaram no recolhimento de 22 animais silvestres da mão de criadores clandestinos. A operação, em conjunto com a Polícia Federal (PF), teve o objetivo de reprimir o cativeiro ilegal de fauna no estado. Ao todo, os agentes ambientais apreenderam 18 animais exóticos: 12 serpentes da espécie corn snake, duas jiboias de areia da Arábia, duas pítons-reais, duas lagartixas-leopardo, além das espécies nativas jiboia arco-iris (um exemplar), dois jabutis-piranga e uma corujinha-do-mato. Foram aplicadas multas, no total de R$18,6 mil, por manuseio ilegal de animais silvestres e introdução de espécies exóticas no país sem autorização.
 
 
 
As investigações da PF e do Ibama levaram a dois infratores. Por meio de mandado de busca e apreensão da Justiça Federal, os agentes foram à residência de um deles e encontraram quatro serpentes, dois lagartos e dois jabutis nativos. No endereço do outro infrator foram achadas 13 serpentes e uma coruja-do-mato.