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Ecoturismo A beleza e a magia da Serra do Cipó A maior diversidade vegetal do mundo e cavernas com inscrições e desenhos de peixes e mamíferos Fátima Vianna Nunes - Texto e fotos 01 de Fevereiro de 1999 De um lado, cadeias de mármore, quartzitos e rochas arenosas. Do outro, campos por onde se estende um jardim natural, com flores para todas as estações, entre sempre-vivas, manacás, quaresmeiras e ipês, bromélias e cactos, além das mais variadas espécies de orquídeas e uma profusão de margaridas. Também a riquíssima fauna nativa de répteis, anfíbios, insetos e aves desperta os sentidos. Mamíferos como tamanduás, pacas, capivaras e lobos guará, além de aves típicas como o tié-Sangue e o gavião-pomba. Tudo isso, aliado a um relevo acidentado com vales e picos com mais de 1.500 m. de altitude, e de onde se descortinam belezas paradisíacas do que já foi submerso na implacabilidade de mais de um 1,7 bilhão de anos, quando, segundo os geólogos, a área era coberta por um braço marítimo do tamanho do atual Mar Vermelho, que separa a África da Península Arábica. Estamos na Serra do Cipó, em Minas Gerais. O lugar abriga a maior diversidade vegetal do mundo. No rastro do passado, um presente imortalizado na arte rupestre ainda encontrada na região, em cavernas com inscrições e desenhos de peixes e mamíferos. O clima ameno de altitude, em torno de 180C, tempera uma atmosfera mística, contemplativa e mágica. Muitos garantem que fenômenos estranhos acontecem todos os dias - são luzes que brilham, estrelas que se movem, meteoritos que descem, surpreendentemente, do céu, e até sons estranhos não ouvidos em outros lugares. O lugar parece puxar as pessoas - segundo os ufólogos, não apenas seres humanos, mas também alienígenas, atraídos pelo que seria um dos pontos mais fortes do chamado quadrilátero dos discos voadores do centro do Brasil. Enquanto os mistérios e os segredos vão se emaranhando, o espírito parece buscar, no tempo, a imaginação, perdida nos veios de uma incontestável realidade. Você está entrando na Serra do Cipó. ![]() O parque O Espinhaço é o divisor de águas das bacias do São Francisco e dos rios Doce, Jequitinhonha e Mucuri. A Serra do Cipó, antes conhecida como Serra da Vacaria, era o caminho natural dos bandeirantes, em busca de ouro e pedras preciosas que, por essas trilhas, aportaram lá para as bandas do Arraial do Tejuco, hoje Diamantina. O rio Cipó e seus formadores, os ribeirões Mascate, Bocaína, do Peixe e da Bandeirinha, banham a região, juntamente com os inúmeros córregos que formam piscinas naturais, como a Lagoa Comprida, e várias cachoeiras. A aventura não poderia faltar neste lugar, onde o papel de Indiana Jones pode ser facilmente interpretado, basta uma boa dose de audácia e coragem. O rol de emoções vai do simples passeio à cavalo, até o trekking, mountain bike e os mais radicais como o rappel e canyoning. A empresa Terra Viagens Ecológicas promove esses programas, dentro de viagens semanais à Serra do Cipó. Para quem deseja um lazer mais tranquilo, em acampamentos, ao chegar, as pessoas e famílias já encontram até as barracas prontas e instaladas. Morro da Pedreira Criada em janeiro de 1990, através do Decreto Federal n0 98.891, a Apa-Morro da Pedreira, surgiu da necessidade de garantir a proteção do Parque Nacional da Serra do Cipó - terceiro parque nacional a ser construído em Minas - e o complexo paisagístico de parte do maciço do Espinhaço. A Apa-Morro da Pedreira abrange áreas dos municípios de Santana do Riacho, Conceição do Mato Dentro, Itambé do Mato Dentro, Morro do Pilar, Jaboticatubas, Taquaraçu de Minas, Itabira e José de Melo, no Estado de Minas Gerais, e restringe a realização de atividades que venham causar alterações ambientais, como as atividades industriais potencialmente poluidoras, capazes de afetar mananciais de águas, ou as que podem provocar a erosão das terras ou assoreamento dos rios. Uma das maiores finalidades da Área de Proteção, que possui, ao todo, 66.200 ha, é fiscalizar a exploração de mármore nas encostas da serra que se erguem ao longo da cadeia do Espinhaço, além de atividades que possam ameaçar espécies raras de animais e vegetais, ou comprometer as condições ecológicas locais, principalmente na chamada Zona de Vida Silvestre, onde se concentra o conjunto de animais e vegetais da região, exigindo cuidados ainda mais rigorosos. Por isso, os turistas - sobretudo aqueles acidentais, que se cuidem! Parceria e consciência O objetivo é transformar pessoas da comunidade em guias turísticos, dando, à elas a oportunidade de explorar a própria potencialidade, o que as tornará capazes para prestar todas as informações possíveis ao turista, como a importância dos campos rupestres, alertando sobre as espécies endêmicas e detalhando aspectos da vida animal, dos acidentes geológicos, dos tipos e origens das rochas, enfim, ensinar a maneira como usufruir de um parque com consciência, aprendendo a lidar com a natureza. Jáder Figueiredo enfatizou a importância do trabalho desenvolvido em parceria e da igual participação da comunidade na escolha das obras de reestruturação desses parques que, com a abertura do turismo, devidamente controlado, e na medida em que os mesmos passam a ser melhor estruturados, vão surgindo mais pousadas e atrativos na região, o que acaba gerando investimentos, empregos e aumentando a arrecadação do município. "É importante que alguns serviços sejam realizados através de concessões, e que a concessão seja feita na própria comunidade, porque não tem sentido o órgão público administrar um bem que é patrimônio desta comunidade", esclarece o superintendente, enfatizando a importância de interagir em conjunto - seja com órgãos ambientais do Estado, empresas privadas ou mesmo ONG`s. O melhor exemplo é o que já ocorre na Serra da Canastra, região sudoeste de Minas, onde o Grupo Curupira realiza um trabalho financiado pelo Ministério do Meio Ambiente, o PED - Plano de Execução Descentralizada, que consiste em promover a educação ambiental (destinação correta do lixo, entre outras coisas), trabalhando as prefeituras do entorno do parque para que as mesmas possam ter o seu aterro sanitário. De Hugo Werneck a Burle Marx Nos campos rupestres, ecossistemas onde os vegetais vivem em cima das pedras, ocorre a maior diversidade de espécies endêmicas, plantas restritas a uma única área, além de cerrados e matas de galeria, responsáveis, hoje, por uma das floras mais diversificadas do nosso Planeta, capaz de abrigar, em determinados campos de altitude, até mais de 100 espécies diferentes de plantas por metro quadrado. As flores da Serra do Cipó, principalmente as sempre-vivas, são artigos de exportação, com grande demanda nos mercados japonês, norte-americano e europeu. As matas de galeria guardam, também, espécies importantíssimas, como o pau-tombo, a copaíba, o limãozinho, as praíbas, as almecegueiras, os crótons e as samabaiaçus. Mais informações: SUMMARY The Magical Beauty of the Serra do Cipó On one side, a mountain range of marble, quartzite and sandstone. On the other, fields across which are spread a natural garden, flowering year-round with evergreens, manacás, Easter lilies, ipês, bromeliads and cacti, among the most divers species of orchids and a profusion of daisies.
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desse esforço por uma melhor qualidade de vida. Como? Muito fácil. Folha do Meio Ambiente é uma publicação da Folha do Meio Ambiente Cultura Viva, Editora Ltda, SRTV Sul, Quadra 701,Edificio Multi Empresarial - Bloco O - CEP 70340-907 - Brasília-DF, Brasil – Fone: (61) 3322-3033, Fax (61) 3226-4438. © Copyright 2001 Folha do Meio Ambiente Cultura Viva, Editora Ltda. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha do Meio.
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