Amazônia

Documentários transformam câmeras em olhos dos amazônidas

Vídeos divulgarão a importância da amazônia para a sobrevivência da espécie humana

Arlete Bonelli

Transformar a câmera em olhos e sentidos dos amazônidas e, dessa forma, captar a visão dessas comunidades sobre a sua própria cultura e sobre os caminhos trilhados nesse século em busca do desenvolvimento humano. Esse é o grande desafio que a equipe de profissionais envolvidos na série de vídeos Comunidades da Amazônia - Transição para o Século XXI está enfrentando. "O estilo radiofônico ou jornalístico foi banido desse projeto, não vamos mostrar o resultado do nosso olhar sobre a região ou, como já foi dito por algumas pessoas, mais uma visão do Centro-Sul sobre a Amazônia", afirma o diretor-geral da série, Jorge Paes Leme (foto ao lado). "Estamos buscando uma linguagem universal, que transmita a mensagem local da existência do equilíbrio entre os seres humanos e a natureza. Sabemos que essa é uma meta pretensiosa, mas esse é o nosso objetivo."
Além da direção-geral, que dará a unidade visual e de conteúdo à série, os 12 documentários contam com a direção dos videastas e documentaristas Tânia Montoro, Sérgio Cobelo e Abdon Bucar. A elaboração dos roteiros conta com a participação de pesquisadores com ampla experiência em projetos científicos, sociais e culturais desenvolvidos na Amazônia Legal. Parte dessa equipe iniciou os trabalhos há cerca de dois anos, com a pesquisa e elaboração dos argumentos. Outras atividades, como a definição das locações, planejamento e pré-produção também estão concluídas.
Paes Leme destaca a importância dessa iniciativa do GTA, que está permitindo a execução do trabalho com total liberdade e autonomia de criação: "A maioria esmagadora dos documentários mostra o que o mercado paga: a ararinha, o macaquinho, a floresta, o rio, o meio ambiente. Ou os índios estereotipados. Isso é o que o mercado paga, nisso gastam-se milhões. Se olharmos todo o material brasileiro produzido, até hoje, na Amazônia, vemos que falta uma abordagem adequada sobre as pessoas da região. Sabemos que há um argumento muito usado para justificar o injustificável, que é a baixa densidade demográfica, mas não podemos esquecer que na Amazônia Legal está uma população de mais de 17 milhões de pessoas. E nós vamos buscar exatamente esse aspecto, que sempre foi desconsiderado, a visão do amazônida, do ribeirinho, da quebradeira de coco, do pescador e do seringueiro sobre sua própria realidade. Vamos gravar gente. Vamos gravar o homem que disputa com o jacaré o peixe que o alimenta. E disputa mais ou menos com as mesmas armas: o instinto e o conhecimento da floresta. "

Lei Rouanet viabiliza projeto
Aprovada pelo Ministério da Cultura, de acordo com a Lei Rouanet, a série de vídeos Comunidades da Amazônia revela para o Brasil e o mundo a história moderna da região. Seus personagens principais são mulheres, crianças e homens que habitam a maior e mais exuberante floresta tropical da Terra. A série traz a evolução social e política da Amazônia Brasileira até os dias atuais. Transformações que abrem espaço para um novo paradigma: a conservação e ocupação da floresta diante do desenvolvimento tecnológico. Seus efeitos e conseqüências na cultura das populações tradicionais da região. O peixe-boi, nosso personagem-símbolo, é o narrador e conduz as histórias ao longo do tempo.

A matéria na íntegra você encontra na edição de setembro da Folha do Meio Ambiente



 
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