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Repensando o CONAMA Está nascendo um novo CONAMA Depois de 15 anos, MMA quer acabar com os pecados que esvaziaram o CONAMA Da redação 01 de Outubro de 1999 ![]()
"Houve, em certa ocasião, o cancelamento de uma reunião ordinária por alegada ausência de pauta." Este registro está lá na homepage do Ministério do Meio Ambiente, com todas as letras, no link "Repensando o Conama". Vazio e inércia, se combinam com a ambiência burocrática, não se casam com o estado do planeta, mais do que nunca ameaçado por consumidores vorazes de recursos naturais não-renováveis. O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que iniciou os seus trabalhos em 1984, conseguindo atuar na vanguarda da tutela ambiental e servindo de modelo a outros colegiados, poderá se esconder, se ausentar tanto, logo agora que está em vigor a Lei de Crimes Ambientais? Não estamos tratando de um pique-esconde de crianças, claro. Para quem ainda não sabe, o Conama é o principal órgão do Estado brasileiro que busca equilibrar as ações dos homens, adequá-las às imposições e fragilidades da natureza. Necessidade número 1: fortalecer o Conama, recompor suas estruturas e imprimir agilidade aos seus processos decisórios. O que está em jogo, portanto, depois de um novo embaralhamento das cartas, é a divisão de tarefas que preserve o Conama no topo do Sistema Nacional do Meio Ambiente, instituído pela Lei 6.938/81. O Conselho é um dos poucos órgãos normativos, no âmbito federal, que tem um perfil democrático em seu processo de formulação de propostas e deliberações. Desde 1984, o Plenário do Conama aprovou mais de 250 resoluções e mais de 200 moções (moção é um outro instrumento de deliberação que pode versar sobre matérias ambientais de qualquer natureza). Esses números são um nada perto do que é necessário fixar de normas para fazer frente às atividades de nossa sociedade complexa, fonte de uma explosão democrática declaradamente incontrolável. O Ministério do Meio Ambiente está coordenando este ano o Grupo de Trabalho que elabora o diagnóstico Repensando o Conama. São 5 representantes de ONGs de cada região do país, Associação Nacional dos Municípios e Meio Ambiente (Anamma), Associação Brasileira de Entidades de Meio Ambiente (Abema), Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e os ministérios da Defesa, Transportes e Meio Ambiente. Assuntos centrais
Os 7 pecados capitais do CONAMA Silvestre Gorgulho 1 - Como o próprio Ministério do Meio Ambiente, o Conama tem orçamento pequeno. A pouca verba que consegue vem da Secretaria de Formulação de Políticas e Normas, antiga Secretaria de Desenvolvimento Integrado, que, aliás, só neste ano de 98 conseguiu ser beneficiada com orçamento próprio. 2 - O Conama sofre de um esvaziamento político em duas direções: primeiro com as esporádicas reuniões das Câmaras Técnicas; e, segundo, tem apenas 4 reuniões ordinárias anuais previstas. Isso é muito pouco, pois o Brasil caminha célere na conscientização ecológica, mas as leis e regulamentações não acompanham esta cobrança. Exemplos: não existe ainda nada regulamentando o grave problema da importação e recauchutagem de pneus; o lixo tóxico das baterias e pilhas está aumentando cada vez mais e o problema cresce geometricamente com o descarte de baterias de celular; a lei de recursos hídricos precisa ser regulamentada; o próprio código florestal brasileiro é de 1965. Assuntos não faltam para tão poucas reuniões ordinárias. 3 - É grande a ausência dos representantes dos estados e ministérios nas reuniões de câmara técnicas e nas reuniões ordinárias. Isso acaba influindo na não realização das reuniões por falta de quorum. Está faltando comprometimento dos próprios conselheiros, haja visto que eles chegam para abertura, assinam a presença e desaparecem. A sessão termina com poucos "gatos pingados". 4 - A existência do Conama, que tem um total de 72 representantes, é solenemente ignorada e sua função política ficou limitada com a criação de dois novos conselhos concorrentes: o Conselho Nacional de Recursos Naturais e o Conselho Nacional da Amazônia - que são apenas consultivos - mas se valem do nome do Ministério do Meio Ambiente para dividir as funções. 5 - A composição de nomes do Conama é desfavorável à sociedade civil: são 55 representantes governamentais, 9 representantes de ONGs e 8 representantes de empresas. O Governo conduz o Conama como bem quer. Outra deformação: apenas as despesas dos representantes das entidades ambientalistas são custeadas pelo MMA. 6 - Falta comunicação: não existe um boletim produzido pelo próprio Conama para ser distribuído às ONGs, à imprensa, às empresas e aos próprios órgãos governamentais que compõem o Conselho. Modernidade? Internet? Aí já é querer demais. 7 - O Conama não é usado como última instância recursal, dentro da amplitude que a lei lhe faculta, limitando-se apenas a homologar as multas administrativas impostas pelo Ibama. CONCLUSÃO: o desenvolvimento, a vida civilizada, é justamente a luta diária do homem, que ao longo de sua história, busca conquistar, dominar e usufruir da natureza. E aí está o ponto crucial das agressões ao meio ambiente. À medida que o homem avança em suas conquistas e avança no desenvolvimento tecnológico, ele vai sentindo que pode prescindir de um ambiente mais favorável e mais propício. Afastando-se desta dependência, a vida em geral passa a correr mais perigo. Por quê? Por falta de equilíbrio. Por não se adequar as leis dos homens às leis da natureza. O aprendizado é antigo: só se domina a natureza quando se passa a obedecê-la. E o órgão brasileiro que busca equilibrar as ações dos homens para adequá-las às leis da natureza é o Conama. Por isto ele deve ser forte, sério, prestigiado e atuante. E aqui vale lembrar uma frase de George Marshall: "Os pequenos atos que se executam são muito melhores do que os grandes atos que ficam só no planejamento". Publicado na Folha do Meio, edição setembro/1998
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