A balsa Miss Rondônia que afundou com quase dois milhões de litros de óleo é recuperada com mínimo de danos ao meio ambiente
Milano Lopes
01 de Março de 2000
Depois de 33 dias afundada no rio Pará, a 20 quilômetros da cidade de Belém, a uma profundidade de seis metros, foi recuperada a balsa Miss Rondônia, pertencente à Texaco, que transportava um milhão e 920 mil litros de óleo BPF, um derivado de petróleo usado em caldeiras. Numa das tentativas de retirar a balsa ocorreu um vazamento estimado entre 500 e mil litros do combustível.O óleo derramado ficou confinado em uma barreira de 35 metros de largura, 92 de cumprimento e 40 centímetros de altura, construída com sacos de areia antes do início da operação de resgate. Aparentemente não houve danos importantes ao meio ambiente, pois como o BPF é mais denso do que a água, ele se manteve no fundo do rio, de onde foi recuperado através de bombas de sucção. No local do acidente o rio Pará tem uma largura de 20 quilômetros e uma profundidade que varia entre quatro e 30 metros. Segundo o diretor do Departamento de Geociências da Universidade Federal do Pará, Francisco Matos, ainda que os mil litros de óleo tivessem se misturado à água do rio, o impacto seria reduzido, dado o grande volume de água. Mas a professora de engenharia química da mesma universidade, Vera Nobre Paz, tem opinião diversa: ela sustenta que, de alguma forma a presença do óleo no fundo do rio prejudicou o ecossistema, sobretudo os microorganismos, que são a base da cadeia alimentar dos peixes. Os técnicos contratados pela Texaco ainda não determinaram a causa do vazamento, embora admitam que possa ter ocorrido uma ruptura na carcaça da bomba de sucção que estava retirando o óleo dos tanques da Miss Rondônia para outra balsa, na superfície. Já o afundamento da Miss Rondônia foi atribuído a uma mal sucedida operação com a balsa, que tem uma capacidade de 2.500 toneladas.
Multa O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) e a Sectam (Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ambiente), do Estado do Pará informaram que até agora não houve registro de peixes mortos no rio Pará em decorrência do vazamento de óleo. Mas as duas instituições estudam o valor da multa a ser aplicada à Texaco, em decorrência do acidente. Essa multa, de acordo com a legislação, pode variar de R$ 5 mil a R$ 50 milhões, considerando a extensão dos danos causados. A Texaco foi autuada e deverá apresentar defesa até o final de março corrente, quando então será fixado o valor da multa, que poderá ficar em torno de R$ 10 mil, quantia considerada irrisória pelos representantes do Ministério Público. O Procurador da República no Pará, Felício Pontes Júnior, que está preparando uma ação cautelar contra a Texaco, quer não só o aumento da multa, como exige que a empresa indenize os pescadores que suspenderam suas atividades durante a operação de resgate da balsa, e financie um estudo de impacto ambiental capaz de definir os danos provocados pelo vazamento de óleo.
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