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Brasil devastou uma Argentina inteira de seu território Garo Batmaniann: a situação está ruim, mas dá para virar o jogo no segundo tempo Roseli Garcia 01 de Abril de 2000 ![]()
Uma área do tamanho da Argentina (2,766 milhões de km2) foi devastada no Brasil, desde que os portugueses chegaram aqui em 1500. A exploração iniciada com o pau-brasil destruiu 2,750 milhões de km2 ou 32,35% dos principais ecossistemas brasileiros nesses 500 anos. A Mata Atlântica foi a mais prejudicada: perdeu 93% de suas florestas. No Cerrado a perda foi de 50% e de 15% na Amazônia. Embora o porcentual seja o mais baixo, o desmatamento alcança 550 mil km2 na região. O alerta foi divulgado em estudo do WWF (Fundo Mundial para a Natureza), chamado de retrospectiva da relação brasileira com o meio ambiente. O mais grave na questão ambiental é que erros detectados no século XVIII continuam a acontecer, afirma o secretário geral da ONG, Garo Batmaniann. "Nosso objetivo não é reescrever a história do Brasil, mas corrigir os equívocos com as experiências passadas. Estamos cometendo os mesmos erros que os países desenvolvidos". Ciclos econômicos A instituição ambientalista, uma das principais do mundo, cita o uso de cerca de cem toneladas de mercúrio na garimpagem de ouro e diamantes em Minas Gerais. "No século XVIII já se conhecia os efeitos danosos da atividade com o uso do mercúrio, que ainda estão presentes nos garimpos da Amazônia", observa o secretário do WWF. Batmaniann culpa principalmente os ciclos econômicos como a exploração do pau-brasil, que não durou nem um século, da cana de açúcar e do café, pelos impactos ambientais. Os sistemas econômicos foram desenvolvidos com as mesmas técnicas dos países desenvolvidos, sem qualquer adaptação ao clima tropical brasileiro. Na plantação de café derrubava-se a floresta e plantavam-se as mudas, mas era necessário fazer uma sombra artificial. Com o cacau na Bahia, que também precisa de sombra, essa distorção foi corrigida. Isso ajudou a preservar o pouco que resta da Mata Atlântica, explica o representante da ONG. Entre os fatos positivos, Garo cita também a exploração do látex que ajudou a manter as seringueiras em pé na Amazônia e evitou um desastre maior. O levantamento revela, entre as curiosidades, que os navegadores da expedição de Martin Afonso de Souza, em 1531, queimaram uma ilha inteira, no litoral sudoeste, porque sentiram um vento quente que poderia trazer febres. A retrospectiva foi feita com estimativas entre o período de 1500 e 1900. No período seguinte com levantamentos de dados. A partir de 1975, as informações estão sistematizadas. Segundo Batmaniann, a grande destruição, principalmente da Mata Atlântica, aconteceu no ciclo do café. Com tecnologias mais avançadas, a devastação se acelerou nos últimos cem anos. A ONG defende que o país inclua a questão ambiental nas políticas setoriais, como transporte, energia e agricultura. "O governo está gastando US$ 1 bilhão para limpar a baía de Guanabara, antes do vazamento do óleo, e outro US$ 1 bilhão par despoluir o rio Tietê. O Brasil não tem dinheiro para limpar tragédias ambientais como essas", declara Batmaniann. Embora reconheça os danos provocados pela agricultura, o ambientalista destaca que o problema é como se dá esse sistema de produção. "É preciso investir em tecnologia tropical e produtividade, além de ocupar as áreas desmatadas e abandonadas". Não se trata de uma retrospectiva ambiental pessimista. Garo alerta que o Brasil tem potencial para se recuperar respeitando o meio ambiente. "A situação está ruim. Mas dá para recuperar no segundo tempo". O otimismo leva em consideração o tamanho do Brasil e a biodiversidade variada.
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