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Tocantins Jalapão é um exuberante deserto de águas Governo do estado promove estudos para uso racional do ecoturismo e dos recursos naturais de Tocantins Isabel Campelo 01 de Abril de 2000 ![]()
Poucas paisagens nacionais se mantêm praticamente imunes ao avanço da civilização quanto o Jalapão*, o rico deserto de águas correntes do Tocantins. São 34 mil quilômetros quadrados, área maior que o estado de Sergipe, de formações rochosas, muita água cristalina em forma de rios, cachoeiras e corredeiras, tudo em meio às altas dunas douradas e vegetação rasteira. A aridez que dá o tom exótico ao Jalapão já começou a despertar o interesse dos turistas apaixonados pela natureza, principalmente os ousados esportistas de aventura. Como todo paraíso, o Jalapão está escondido, fugindo do modismo que levou vários belos locais brasileiros a "cairem por terra". O imponente deserto, que supõe-se ter sido o fundo do oceano 350 milhões de anos atrás, fica na região leste do Tocantins na divisa com os estados do Piauí, Maranhão e Bahia. Diversificada é a fauna regional, onde tanto pode-se ver cobra, arara, papagaio, tucanos quanto macaco, capivara, sem esquecer dos peixes em diversos rios como o Sono, Balsa, Prata, Soninho, Galhão, Ponte Alta, Caracol, Vermelho e o Rio Novo, adequado à prática do raffting. A região também é rica em nascentes formadoras de caudais, em forma de águas borbulhantes, chamadas de "fervedouros", prontos para relaxantes banhos. A imensidão do cerrado parece esperar apenas a visita de ecoturistas dispostos a atravessar pedras e espinhos para encontrá-lo. A distância, em vez de afastar os visitantes, vem somando pontos para manter o velho deserto em clima de repouso, afastando-o dos visitantes mais apressados. Para chegar ao local deve-se estar disposto a sair de Palmas a bordo de um 4X4 e aproveitar os 190 km até Ponte Alta, que é a primeira das oito cidades que compõem a região. A partir de Novo Acordo, quando a planta jalapa cobre o mesmo chão onde cruzam naturalmente emas, tatus, veados, siriemas e companhias, o cenário já é de Jalapão. Daí, mais 500 km de passeio em estilo aventura para percorrer os dez atrativos "oficiais" sem falar nos roteiros alternativos. Esportes radicais As trilhas do Jalapão são palco para eventos como o Passeio Fora de Estrada do Jeep Club do Tocantins, com 800 km percorridos entre os dias 19 a 23 deste abril, e o Rally Internacional dos Sertões, realizado em julho, com o maior percurso (700 km) justamente nas areias do Jalapão. Nas águas do rio Novo a onda é o rafting e a canoagem. Delicado Deserto Engana-se quem pensa que o selvagem deserto é uma fortaleza. Para evitar que tamanha riqueza seja ameaçada com o crescente apelo turístico da região, o governo do estado elabora estudos para um racional aproveitamento dos recursos renováveis. Entre tantas pretensões ambientais, pretende munir a Região de legislação suficiente para associar desenvolvimento econômico à inclusão de hábitos ecológicos. Como fonte de renda, o turismo pode ser associado ao artesanato do Jalapão, que é um dos mais bonitos do Tocantins. São peças utilitárias feitas da palha fosca do buriti e do capim vereda, que é naturalmente dourado. A população já participa das discussões para desenvolvimento do turismo através das oficinas do PNMT - Programa Nacional de Municipalização do Turismo. Oficinas de 3ª fase, que é o estágio mais avançado da metodologia da Embratur, estão marcadas para maio em Mateiros e Ponte Alta, cidades que já têm conselho municipal de turismo. Melhor época: de maio a setembro, quando as chuvas diminuem, as estradas de chão de Palmas até o Jalapão estão em melhores condições. (*) Jalapão vem de um antigo costume de seus habitantes de misturar a planta jalapa com aguardente. Quando queriam que a bebida fosse muito forte pediam um jalapão. Mais informações:
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