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Agenda 21 Lançada a Agenda 21 Brasileira Silvestre Gorgulho 24 de Junho de 2000 ![]()
A Agenda 21 Brasileira precisa envolver mais a mídia no processo de construção do Brasil sustentável
É também uma pena que uma comissão de tão de alto nível, composta por 20 pessoas das mais diversas áreas, civil, empresarial e governamental, se reúna 16 vezes, desde 26 de fevereiro de 1997, quando o Decreto Presidencial criou a "Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional", faça tão importante documento de 7 volumes, 1.276 páginas, sem dedicar um capítulo sobre o papel dos meios de comunicação. Afinal de contas, jornalistas e publicitários são formadores de opinião fundamentais nesse processo de mudança de comportamento e de hábitos. Não podem permanecer na cômoda posição de simples observadores. Sem a mídia impressa, eletrõnica e virtual não há como fazer a conscientização e a mobilização da sociedade. Infelizmente, para a grande mídia, meio ambiente tem espaço quando há crise, tragédia, incêndios, catástrofes e imagens fortes. Acho que vale a pena essa consideração, diante de um fato importante e que a mídia simplesmente cobriu, mas não divulgou: o lançamento oficial da Agenda 21 Brasileira, no dia 8 de junho, no Palácio do Planalto, pelo presidente da República. Mais do que uma crítica, essa é uma análise despretensiosa para, quem sabe, gerar um processo de autocrítica e reposicionamento da imprensa brasileira. Ao lançamento solene da Agenda 21 Brasileira estavam presentes, praticamente, todos os veículos de comunicação do país. No dia seguinte, a matérias sobre o evento pareciam distribuídas pela mesma agência de notícia: FHC estava esperançoso com a manifestação do presidente francês, Jacques Chirac, de que o G-7 (Grupo de Países Ricos) prometeu liberar, ainda este ano, alguns milhões de dólares para a retomada do PPG7 -Programa Piloto de Proteção às Florestas Tropicais Brasileiras. Não que essa notícia não seja relevante, porém ao reduzir a importância do primeiro evento da Agenda 21 Brasileira à essa informação dada, de passagem, pelo presidente, fica a sensação de que ou os jornalistas não entenderam o que estava acontecendo ou os editores teimam em ignorar as questões positivas do meio ambiente para abordar o tema, apenas, quando existe uma grande tragédia. Imagine só o que estava por trás desse evento: significava o ápice de um complexo e inédito processo de elaboração participativa, em nível nacional, visando a construção da Agenda 21 Brasileira. Esse processo foi desencadeado há 8 anos, por ocasião da RIO-92. E dele participaram 800 representantes dos setores governamental, civil organizado e produtivo. Trata-se de um complexo e inédito processo, porque nós brasileiros estamos começando a aprender a ser participativos e a exercitar a democracia. Também inédito, porque pela primeira vez tenta-se encarar os grandes problemas e potencialidades nacionais de modo a constituir uma referência de consenso entre os três principais setores da sociedade (governo, setor produtivo e sociedade civil organizada), para o século XXI. Este novo caminho, que começou a ser trilhado há pouquíssimo tempo por comunidades locais, municípios, entidades civis, governos estaduais e federal é, sem sombra de dúvida, a marca da maturidade do país nessa virada de século e milênio.
Mudança de rumos Silvestre gorgulho A participação da sociedade em debates multissetoriais não visa apenas cumprir um compromisso assumido pelo Brasil na RIO-92. É muito simplista perceber o processo participativo de construção da Agenda, dessa maneira. A Agenda 21 representa um esforço planetário para mudar os rumos da história da humanidade. Não será por falta de informação que o planeta e os países enfrentarão adversidades terríveis, no futuro próximo. Se isso vier a acontecer, será por falta de vontade coletiva. O esgotamento dos recursos hídricos, por exemplo - o planeta conta com menos de 2% de água potável - e as temerosas mudanças do clima da terra não são meras previsões alarmistas de ambientalistas, especialistas e cientistas. Basta observar matérias, documentários e reportagens veiculados a rodo por jornais, revistas e tevês sobre desastres naturais e processos de desertificação em várias regiões do globo. A relação entre degradação ambiental e humana é óbvia. As soluções não envolverão só os governos, mas toda a população. Os problemas do século XXI não serão enfrentados só por alguns setores. Vai abarcar a todos. É premente a necessidade de promover grandes mudanças nas gestões pública, privada, processos de produção e hábitos de consumo envolvendo a todos, literalmente - ou seja, cidadãos, empresários e governantes. Crianças e adolescentes compreendem isso facilmente, até porque são os cidadãos do século XXI. A Agenda 21 representa a mudança de rumo: do desenvolvimento injusto e predatório para o sustentável. Papel da mídia E a mídia? O que cabe aos jornalistas e formadores de opinião neste esforço coletivo de mudar os rumos da humanidade e do planeta? Resposta: - Tudo! Portanto, deveria haver um capítulo sobre a comunicação na Agenda 21. Os profissionais de comunicação são extremamente responsáveis pelo futuro. Não podem ficar, apenas, na cômoda posição de observadores e críticos da realidade. Faltou à Comissão que fez a Agenda 21 envolver a mídia nos seis ítens discutidos: 1) Redução das Desigualdades Sociais 2) Gestão dos Recursos Naturais 3) Ciência & Tecnologia para o Desenvolvimento Sustentável 4) Infra-estrutura e Integração Regional 5) Agricultura Sustentável e 6) Cidades Sustentáveis. Por mais utópico que possa parecer, a Agenda 21 é a única e concreta tentativa de construir uma saída para a humanidade, nessa virada de século e milênio. O evento no Palácio do Planalto representou o esforço brasileiro neste sentido. É bom lembrar que, para ter uma Agenda 21 competente, cada cidadão deve escolher nas eleições candidatos compromissados com o desenvolvimento sustentável. Já que falei de mídia, de jornalistas e de construção de uma nova mentalidade, vale pedir um pouco mais de paciência ao amigo leitor, para que volte à página anterior e releia a citação do jornalista e educador Rushwort Kidder: "Vivemos um profundo colapso moral e não sobreviveremos no próximo milênio com a ética desse século". Conclusão: sem uma mídia participativa e engajada na discussão da qualidade de vida que queremos construir e deixar para as futuras gerações, cá para nós, não haverá Agenda 21 que funcione. O que é Um novo padrão de desenvolvimento a ser praticado pela humanidade no século XXI é o grande objetivo da Agenda 21 Global - principal compromisso assumido pelos 179 países participantes da Eco-92 - que desdobra-se em agendas 21 nacionais, regionais e locais. Até o momento, apenas cerca de 30 países a fizeram. Convencionou-se chamar de Desenvolvimento Sustentável a esse novo padrão, que busca conciliar justiça social, eficiência econômica e equilíbrio ambiental. Diferente do desenvolvimento predatório, que visa resultados econômicos, sem comprometimento com a realidade sócioambiental, o DS é a saída para o impasse em que se encontra a humanidade, entre o atual rítmo insustentável das atividades humanas e a qualidade de vida no futuro. A sustentabilidade será alcançada aos poucos e progressivamente, segundo a academia nórdica, responsável pelo novo conceito de desenvolvimento. A metodologia da Agenda 21 Global orienta que, para elaborar as agendas 21 em suas várias dimensões, será necessário compor comissões ou foruns, que deverão ser constituídos por representantes dos setores governamental, civil organizado e produtivo. A Agenda 21 é um pacto ético da sociedade em relação ao futuro. Não é documento de governo, mas dos países, regiões e municípios e será um importante instrumento para os planos de desenvolvimento e de planejamento dos países, regiões e municípios.
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