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Amazônia devastada IBGE confirma: 165 mil km² da floresta amazônica foram derrubados e abandonados Produtores rurais e madeireiros abandonaram uma área maior do que a Holanda, a Suíça e a Hungria juntas Milano Lopes 24 de Junho de 2000 ![]()
Estão abandonadas, por falta de serventia, 165 mil km2² de terras na Amazônia, o que corresponde à soma da extensão da Holanda, Suíça e Hungria juntas. Essa área, parte do total de 600 mil km2² de florestas derrubadas no chamado "arco do desflorestamento" da Amazônia, foi abandonada pelos produtores rurais em face de sua baixa produtividade agrícola. Esses dados foram recolhidos do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE - pelos pesquisadores Adalberto Veríssimo, Eugenio Arima e Paulo Barreto, do ao Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia - Imazon. Em estudo recentemente publicado na "Folha de São Paulo", os pesquisadores procuraram demonstrar que as terras da Amazônia, em sua quase totalidade, são inadequadas à exploração agrícola e pecuária, e mais apropriadas à exploração madeireira, desde que de forma sustentável. Equívocos Lembram os pesquisadores que a proposta original de alteração do Código Florestal (lei nª 4.771, de 1965) de autoria do deputado Moacir Micheletto, do PMDB do Paraná, engavetada na Câmara dos Deputados por decisão das lideranças da base governista, peca ao presumir que o desenvolvimento rural da Amazônia deve ter como base a agropecuária. Os equívocos da proposta são três, segundo eles: considerar que o aumento da produção deve ocorrer em função da expansão da fronteira agrícola, ou seja, de mais e mais desmatamento; que toda a Amazônia tem vocação para a agricultura e que a floresta pode ser derrubada porque não tem expressão econômica. Condenando o que chamam de "a derrubada de mitos amazônicos", os três pesquisadores informam que o desempenho econômico da pecuária é sofrível, pois garante uma taxa de retorno de apenas 4%, inferior até aos 6% garantidos pela poupança. Essa baixa qualidade da pecuária está associada à sua forma de exploração extensiva: 40% dos pastos têm apenas 0,5 cabeça de gado por hectare, contra 1,3 cabeça por hectare no Sul-Sudeste. Em contraste - afirmam - a exploração de madeira usando técnicas de manejo sustentado (reduzir os danos à floresta e estimular a regeneração) obtém uma taxa interna de retorno estimada em 33%. Os pesquisadores admitem que a utilização de técnicas intensivas poderá diminuir os prejuízos da atividade pecuária na Amazônia. O rebanho atual, de 32 milhões de cabeças, poderia expandir-se para até 60 milhões de cabeças, utilizando-se praticamente a mesma extensão territorial. Aptidão para a agricultura Para os pesquisadores do Imazon, é um equívoco imaginar que a Amazônia tem vocação agrícola. Somente uma fração pequena da região, cujas condições naturais apresentam uma grande diversificação, possui condições favoráveis para a atividade agrícola. A existência de solos relativamente férteis, clima e relevo adequados não são condições presentes em toda a Amazônia. Há, por exemplo, uma grande diferença no regime de chuvas entre o sul da Amazônia, uma zona relativamente mais seca dominada por florestas abertas e áreas alteradas, e sua parte central, onde predominam chuvas intensas que chegam a registrar até 2.200 milímetros por ano. Os pesquisadores garantem que cerca de 90% dos solos da Amazônia são ácidos, quimicamente pobres e a umidade excessiva favorece o desenvolvimento de pragas e doenças. Esse excesso de chuvas e os solos encharcados constituem uma barreira natural ao desenvolvimento da agricultura. Projeto Radam Já em 1975 o Projeto Radam Brasil, o maior e mais completo levantamento de recursos naturais da Amazônia feito até agora, concluía pela inaptidão agrícola da maioria das terras amazônicas. Os levantamentos do Radam permitiram que os pesquisadores do Imazon dividissem a Amazônia em três grandes regiões, para efeito de definir aptidão agrícola. A primeira é a Amazônia relativamente seca, com precipitação inferior a 1.800 milímetros por ano, compreendendo 17% do território. Trata-se de uma área concentrada ao longo do arco de desflorestamento, ao sul da bacia amazônica e em áreas isoladas de cerrados e campos naturais no Amapá e em Roraima. Nessa região as condições climáticas são mais favoráveis à agricultura, embora os solos sejam relativamente pobres, com pequenas manchas de terra roxa em Rondônia, Pará e Mato Grosso. A segunda é a Amazônia úmida, que representa 38% da região, com precipitação de até 2.200 milímetros por ano, e se concentra numa faixa de transição entre a Amazônia Central e o arco de desflorestamento. Trata-se de região formada basicamente por florestas densas de terra firme. Os solos são em geral pobres, com poucas manchas férteis, o relevo é ondulado e as condições de drenagem razoáveis. O excesso de chuvas e a existência de um período seco reduzido dificultam as atividades agropecuárias. A terceira é constituída da Amazônia extremamente úmida. Abrange 45% do território e se localiza principalmente na porção central da Amazônia, a maior parte do estado do Amazonas, norte do Pará e Amapá. As chuvas chegam a 4.500 milímetros por ano, e os solos, encharcados, de baixa fertilidade e alto risco de erosão, virtualmente inviabilizam a atividade agro-pecuária. A partir dessa inadequação para a agricultura e a pecuária, os pesquisadores do Imazon defendem a exploração madeireira como principal atividade econômica da Amazônia e propõem um modelo sustentável, apoiado em um zoneamento econômico e ecológico. Eles garantem que a exploração da madeira, através de um eficiente plano de manejo, permitirá uma margem de lucro superior a 30%, além de gerar mais emprego e mais impostos para o poder público.
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