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Depois de dez anos engavetado: Belo Monte: com menos impacto ambiental ressurge o projeto da mega-hidrelétrica do Xingu Aproveitando curva e queda natural do rio Xingu, o lago vai ocupar o espaço que todos os anos já é alagado pela cheia natural Milano Lopes 24 de Junho de 2000 Depois de dez anos engavetado, em decorrência das reações de lideranças indígenas e ambientalistas, o governo, através do Ministério das Minas e Energia, pretende recuperar o projeto de construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, o primeiro de uma série de aproveitamentos do rio Xingu, a 300 quilômetros a oeste da usina de Tucuruí, no estado do Pará. Belo Monte, cujo nome originário era Kararaô, ficou conhecida no mundo inteiro quando uma índia da aldeia Paquiçamba, facão em punho, ameaçou um diretor da Eletronorte, que tentava convencer a tribo a aceitar a construção da usina. ![]() Mudanças Mas Kararaô não mudou apenas de nome. Como seu custo está estimado em R$ 6 bilhões para gerar 11 milhões de quilowates de energia (Itaipu, a maior usina do mundo em operação gera 12,6 milhões de quilowates), nem o governo nem a iniciativa privada, que será chamada a participar do empreendimento, têm condições de bancar a construção da usina sem ajuda financeira internacional. Para aplainar o caminho ao financiamento externo, especialmente do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento, assim como a aceitação das lideranças indígenas e ambientalistas, o projeto da usina de Belo Monte foi totalmente reformulado, apresentando uma nova configuração, com melhor aproveitamento da topografia da região e menor impacto ambiental. O lago, que na proposta original inundaria 1,2 mil quilômetros quadrados, inclusive toda a área da aldeia de Paquiçamba, pela nova versão do projeto ocupará apenas 400 quilômetros quadrados. O deslocamento de população, que no projeto original alcançava 8,4 mil pessoas, inclusive a aldeia Paquiçamba, será, pelo novo projeto, de apenas seis mil pessoas, e não haverá inundação de reserva indígena. Além disso, o projeto original, que praticamente riscava do mapa o rio Bacajá, um dos afluentes do Xingu, preserva esse rio com a nova versão. Para salientar o avanço do projeto de Belo Monte, que prevê a instalação de 20 turbinas, com capacidade de 550 mil quiloates cada uma, os técnicos do Ministério das Minas e Energia lembram que enquanto os reservatórios das usinas de Itumbiara, Estreito e Três Marias ocupam juntas uma área de 2,5 mil quilômetros quadrados para uma geração de quatro milhões de quiloates de energia, Belo Monte ocupará menos de 20% da área inundada pelas três, para gerar quase três vezes mais. Aprendendo O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, diz que a empresa aprendeu muito com os erros cometidos em Tucuruí, no Pará, e em Balbina, no Amazonas. Para um lago que inundou 2,8 mil quilômetros quadrados, grande parte de floresta densa, e remanejou uma população de 20 mil pessoas, inclusive todos os integrantes da reserva indígena Parakanã, Turucuí, quando estiver completada sua duplicação, vai gerar apenas 8,3 milhões de quiloates. Outros projetos Mas os planos da Eletrobrás para o rio Xingu não se limitam à hidrelétrica de Belo Monte. Estão previstas as hidrelétricas de Altamira, com 6,6 milhões de quiloates; Ipixuna, com 1,9 milhão de quilowates; Kokraimoro, com 1,5 milhão de quilowates e Jarina, com 620 mil quilowates, perfazendo 21,6 milhões de quiloates, quase 40% de toda a capacidade instalada de energia no país de fonte hídrica. Os estudos de viabilidade de Belo Monte ficarão prontos em dois anos, tempo que a Eletrobrás considera necessário para resolver as questões ambientais, levantar recursos externos, interessar grupos privados nacionais e estrangeiros e licitar a obra até o final de 2003. Os técnicos do Ministério das Minas e Energia e da Eletronorte pretendem reunir as entidades ambientalistas e as lideranças indígenas interessadas em discutir Belo Monte, para expor os detalhes do projeto e o seu impacto ambiental. Objetivo: obter o apoio que eles consideram importante para viabilizar a construção da usina, tento interna como externamente.
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