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O voto ambiental Eleitor quer políticos preocupados com meio ambiente Pesquisa da Vox Populi mostra o amadurecimento da população e diz como o voto vai pressionar políticos e empresários Roseli Garcia 24 de Junho de 2000 Uma parcela de eleitores de 23 estados brasileiros defende a proteção rígida da floresta, adoção de projetos sustentáveis em sua exploração econômica, sem ampliação da fronteira agrícola, e se recusam votar em deputado ou senador simpáticos ao aumento da área de desmatamento. A preocupação da população com as mudanças no Código Florestal foi apontada em pesquisa do instituto Vox Populi, com índices que não deixam dúvidas: praticamente todos os resultados são acima de 80%. ![]() A pesquisa ouviu representantes de todas as regiões brasileiras entre 20 e 21 de maio. Um índice de 88% defendeu o aumento das reservas florestais, mantidas atualmente em 80%. A mesma quantidade de entrevistados também concorda que a conservação das florestas não atrapalha o desenvolvimento do país. Apenas 10% acredita que a conservação florestal é um obstáculo ao desenvolvimento. "Esse resultado mostra o amadurecimento da população nos últimos 5 anos e é um elemento de pressão importante sobre empresários e políticos que acreditam que a preservação ambiental impede o desenvolvimento e consideram os ambientalistas como inimigos", afirma o senador Jefferson Péres (PDT). Embora tenha ficado satisfeito com as posições mostradas pelos entrevistados, o senador destaca que será necessário um índice de 100% para superar os problemas na exploração florestal. "Só com 160 milhões de guardas florestais podere mos superar a falta de infra-estrutura do Ibama e a corrupção de funcionários". A pesquisa - encomendada pelo jornal O Estado de São Paulo em parceria com as organizações não-governamentais (ONGs) Greenpeace, Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e o Instituto Socioambiental (ISA) - superou as expectativas dos coordenadores das instituições: 63% dos 503 entrevistados sabiam que o Congresso Nacional está discutindo alterações no Código Florestal brasileiro. "A sociedade está mostrando que não aceita a justificativa de que é preciso desmatar mais para acabar com a fome", declara Flávio Montiel, do Greenpeace. O argumento usado pelos ruralistas não convence 90% dos entrevistados, que disseram não acreditar que o aumento da oferta de terras para a agricultura vá diminuir a fome. Apenas 8% concordam com essa justificativa. Os ambientalistas rebatem, lembrando que a fome não acabou em São Paulo ou Rio de Janeiro, onde 93% da Mata Atlântica foram destruídos. Para 92%, o principal uso da floresta deveria ser os recursos florestais, incluindo madeira, extrativismo e ecoturismo. Somente 2% defendem o uso para a agropecuária com desmatamento. A pesquisa foi feita por telefone em 140 municípios, inclusive da região Amazônica, como Manaus, Itacoatiara, Belém, Macapá e Porto Velho. A margem de erro é de 5%. "A votação do Código Florestal, na comissão mista, mudou o enfoque da população com o que seja considerado desenvolvimento. Desmatar deixou de ser sinônimo de desenvolvimento", garante o deputado Pauderney Avelino (PFL-AM). Ele acredita que as restrições dos habitantes quanto ao desmatamento acontece também na Amazônia e que os governos precisam buscar políticas sustentáveis. Defensor da proposta dos ruralistas, o senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM) diz que a pesquisa reflete a posição das pessoas que vivem no conforto das grandes cidades. Ele não teme ser cobrado por sua posição nas próximas eleições. "Não terei problema porque o meu eleitorado defende o mesmo que eu defendo". O deputado Silas Câmara (PTB-AM), outro que apoia os ruralistas, também não teme ser cobrado por suas posições nada ambientais nas urnas. "Acho que a pesquisa não é verdadeira. Quem viaja pelo interior do Amazonas, na região do Alto Solimões e Juruá, conhece a miséria em que a população vive". Mais informações:
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