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A engenharia civil, particularmente a brasileira, está ameaçada de perder totalmente a credibilidade. É preciso, e com urgência, que suas entidades de classe (os creas) tomem medidas enérgicas contra construtoras que estão arrastando as demais para o buraco da desconfiança perante a opinião pública. Sim, porque se deixaram rolar uma Encol e aquela do Sérgio Naya, fazendo o que fizeram, só resta ao povo suspeitar das demais.
E não basta pegar no pé das construtoras só para evitar que tomem dinheiro dos contratantes e, depois, deixem-nos na condição de infelizes proprietários de esqueletos imobiliários. Ou (o que é pior) de prédios que vêm abaixo, até de modo trágico, com gente dentro, como aquele malfeito pelo Naya, no Rio de Janeiro.
É preciso, também, repensar a tal de arquitetura moderna, que pode até impressionar visualmente mas está deixando muito a desejar em termos de conforto para os ocupantes dos imóveis feitos hoje em dia. São prédios de telhados substituídos por lajes propícias à infiltração da água, de fachadas planas, sem ventilação natural e franqueados à entrada violenta da luz solar. Resultado: para sobreviverem nesses caixotes, as pessoas têm de apelar para aparelhos de ar condicionado e cortinas, que logo tornam o ambiente infectado de fungos e ácaros, para desespero dos alérgicos e asmáticos.
Portanto, são prédios ecologicamente errados e sanitariamente condenáveis. Isto se analisados apenas no aspecto do bem-estar das pessoas que os ocupam, porque também estão revelando-se agressores do meio ambiente, quando feitos em local impróprio e sem exame criterioso do solo e subsolo do local. O(a) leitor(a) quer um exemplo? Lá vai ele, e é brasiliense: Fizeram um prédio enorme, perto da Lagoa do Jaburu, às margens da qual está a residência oficial do vice-presidente da República. Para não ficarem inundados os vários subsolos daquele espigão, obturaram os veios d'água. Em decorrência, a lagoa de cartão postal começou a secar, o que está sendo contornado na forma de piada: estão bombeando água do Lago Paranoá para a lagoa, quando era ela que derramava no lago.
Se o dito acima é uma tragicomédia, agora vamos bradar: Chega de matança!, e requerer que se proíbam os vidros espelhados, como os metidos no anexo do Supremo Tribunal Federal (STF). Acontece que as aves se arrebentam nestes vidros assassinos, por refletirem o céu, horizonte e terra. Das duas uma: ou substituem este material ou coloquem nele tarjas bem visíveis aos pássaros, que a toda hora se estatelam em mais esta aberração da modernosa arquitetura. Zequinha Sarney, faça o STF dar o exemplo!
Efeito-jaburu
Também se constitui numa aberração arquitetônica associada a crime ecológico a construção de um viaduto na saída norte de Brasília, na BR que vai dar em Fortaleza (CE). Ocorre que, por erro de projeto ou para sobrar dinheiro, ao invés de fazerem o viaduto elevado, resolveram encravá-lo no solo. E as escavações terminaram rompendo o lençol freático, que na região é pouco profundo. Resultado: a obra virou questão judicial, ambiental e sanitária, pois ali perto fica a barragem Santa Maria, abastecedora de boa parte de Brasília. Sim, porque, até prova em contrário, aquele monstrengo de concreto ameaça a água de beber da capital federal, seja contaminando-a como, pelo efeito-jaburu, desviando seu curso rumo à barragem.
Professor-pardal
Recebemos nova carta do inventor-projetista-detalhista e algo mais Helmuth Wolfgang Hirth, contando-nos outras das certamente mais de 1001 idéias inventivas que fervem em sua mente para economizar combustíveis, inclusive usando alternativos não-poluentes; barateamento dos custos de produção; métodos produtivos preservadores do meio ambiente, enfim, um elenco de coisas bem boladas. Como estamos apenas aprendendo a produzir frases, encadeando-as para formarem um texto medianamente inteligível, sugerimos que capitães-de-indústria banquem as idéias de nosso professor-pardal, falando com ele pelo telefone (0xx12) 553-4963 ou escrevendo-lhe para Av. Sete de Setembro, 2, Vila Celeste, CEP 12606-150, Lorena (SP).
Terra arrasada
Já carta enviada à Folha do Meio Ambiente pelo prof. Altir Coelho, de Leme (SP), é muito ilustrativa para a questão da agropecuária feita de forma a transformar o solo em terra arrasada. Diz o prof. Altir que, "há mais de 50 anos, os conservacionistas vêm alertando os governantes e ruralistas acerca dos riscos que a degradação dos solos pode acarretar no suprimento da alimentação da população". E sentencia: "Será dessas mesmas terras que os agricultores, pecuaristas e seus descendentes extrairão os alimentos de sobrevivência condigna." Portanto, se os produtores rurais não quiserem deixar para os outros, inclusive para seus filhos, netos, enfim, para as futuras gerações, terras desérticas, devem explorar o solo de forma menos agressiva possível, para não ser corroído pela erosão e nem contaminado pelo uso desenfreado de agrotóxicos e adubação química. E reparar o que ainda não foi irremediavelmente degradado! |