Boca no Trombone!

Adelciano Souza Neto


 

Às vezes, não dá para segurar. Só mesmo o desabafo para protestar e exigir respeito. Este é um espaço reservado aos leitores da Folha do Meio que, inconformados, denunciam os agressores do meio ambiente.


"No dia 3 de dezembro/2000, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente-RS promoveu um encontro (Confema), quando foram discutidas as onze pré-conferências regionais. O tema que suscitou uma unânime contrariedade dos participantes foi a caça esportiva. Mas a maioria não foi ouvida, para se terminar de vez com essa prática imoral contra o patrimônio ambiental gaúcho. Queremos saber para que serve essa Confema?"
Ronaldo Costa <tuca_45@hotmail.com - Alegrete, RS 

"Aqui na nossa floresta / Das espécies de primeira / tinha uma delas famosa / que se chamava aroeira / de tanto ser desmatada / sumiu da mata costeira / e eu vou mostrar agora / sua queixa derradeira: / "Eu já sofri no planeta / tamanha perseguição / pois os homens me utilizam / até pra fabricar caixão. Eu já fui pau de porteira / também mourão de curral / estacas de construção / Já fui cerca de quintal / caixa de guardar farinha / e táboa para fazer portal. / Fui móvel de casa rica / fui linha de cumieira / fui galamante na roça / já fui pau de bulandeira / fui torquilha de barraca / lenha para fazer fogueira. Sei que sou perseguida / como madeira de lei / tive tantas serventias / que muitas delas nem sei..."
Wanderlei Pereira - O autor da Natureza

"O governo do Mato Grosso do Sul foi esperto, mas não foi ético. A Assembléia aprovou o nome fantasia de Estado do Pantanal até nos impressos oficiais. Ora, Mato Grosso deveria protestar pois a metade do Pantanal está em terras matogrossenses. Aliás, se os rios do Pantanal nascem em MT, o Pantanal também nasce em Mato Grosso".
Elias de Souza Campos - CUIABÁ, MT

"O "X" do petróleo brasileiro não é mais o da balança comercial. Infelizmente, cada vez mais, é o da balança ambiental".
Nelson Piquet - BRASÍLIA, DF

"As cidades brasileiras tratam muito mal as suas nascentes e os seus rios. Aqui em Fortaleza o Rio Acaraú, os rios Pacoti, Cocó e o Ceará estão agonizando. E não tem ninguém se mobilizando para salvá-los. Aliás, tem gente se movimentando sim, mas só na teoria. Na prática ninguém faz nada".
Silvio F. do Carmo Neto - FORTALEZA, CE

"Viajei para o Nordeste e senti uma tristeza em ver que aquelas belas praias não merecem nem o povo e nem os turistas que têm: uma vergonha a sujeira, o plástico, os filtros de cigarro, os papéis laminados de picolé, as garrafas e os canudinhos jogados na areia. Uma pena que o brasileiro ainda não descobriu que civilidade e educação é que são coisas de primeiro mundo. E não precisa ser rico para ser civilizado".
Clara Maria de Albuquerque Valadão - SÃO PAULO, SP

"Todo cidadão deveria fazer o que eu, como suplente de deputado federal, e o advogado Ednaldo Pessoa de Araújo fizemos contra a prefeitura de Macau - RN, onde o prefeito fez um lixão que atinge a comunidade de Maruim. O aterro construído é uma vergonha, por isso entramos com uma ação popular contra o prefeito. E mais, mobilizamos pacificamente a comunidade para fazerem protestos artísticos".
João Eudes Gomes - Rua Princesa Isabel, 32 - MACAU, RN 

"Essa história por mundo melhor bem que poderia incluir tentar educar a moçada para jogar o lixo no lugar certo. Meu sobrinho de 10 anos ficou chocado com o lixo do Rock in Rio. Uma vergonha! Assim, o Festival vai acabar sendo conhecido como Brejo in Rio".
Luciana Lessa - RIO DE JANEIRO, RJ

Grito de alerta!

Rola Moça corre perigo

Antonio Carlos Cabral

Venho informar um fato importante que está para acontecer e que além de contrariar leis que protegem áreas de preservação ambiental permanente, colocará em risco uma das mais importantes reservas aqüíferas que abastecem BH e literalmente violentará o Parque Estadual Serra do Rola Moça, um dos últimos redutos da fauna e flora da nossa região metropolitana.

Está para ser aberta mais uma enorme ferida em nosso planeta. Trata-se de uma nova lavra de minério de ferro que será empreendida pela MBR - Minerações Brasileiras Reunidas e que já tem até nome: Mina de Capão Xavier. Ficará no município de Nova Lima-MG, às margens da BR 040, Km 17, saída de BH para o Rio. Esta cava terá 1,3 km de boca e mais de 300 m de profundidade, de onde serão retirados mais de 140 milhões de toneladas de minério de ferro, por um período de 20 anos. O regime de trabalho será de 24 horas/dia, durante 365 dias/ano. 

Essa mina promoverá uma série de impactos sobre o meio ambiente e afetará diretamente: um bairro com mais de 4.500 moradores, o bairro Jardim Canadá, pois ficará a menos de 300 metros de distância; o Parque Estadual Serra do Rola Moça, cuja distância em relação aos seus limites é até menor; e como se não bastasse, destruirá literalmente as montanhas e encostas que fazem uma das captações mais importantes das águas que servem a cidade de Belo Horizonte. 

Precisamos fazer alguma coisa. A MBR já encaminhou à FEAM a documentação para o pedido de licenciamento ambiental, a fim de iniciar a exploração. 

É bom lembrar que acidentes ecológicos já foram registrados pelas lavras da MBR, a exemplo da comunidade de Macacos há bem pouco tempo. Cabe também lembrar a questão da Mina de Águas Claras que iria destruir a Serra do Curral não fossem as ações impetradas há 30 ou mais anos atrás e que somente agora está em fase final de exploração, assim como a Mina da Mutuca. Essa mina, Capão Xavier, ficará no lugar dessas duas que estão sendo desativadas, já que esgotaram, e portanto trata-se de uma questão de prioridade para a MBR poder continuar atendendo seus contratos de fornecimento e garantir seu faturamento anual da ordem de US$ 460.000.000 com baixíssimo custo de produção, já que movimenta/transporta o minério pelo asfalto da BR 040 e por curtas distâncias (e nós que agüentemos as pedras, a poeira ou a lama em nossos pára-brisas).

Se a opinião pública não for sensibilizada, se a mídia não oferecer o espaço que essa iminência de catástrofe merece, e se ficar por conta somente da FEAM, considerando o risco de que os políticos financiados pelas empresas de mineração vão estar articulando mudanças nas leis (como a que proíbe atividades de mineração a montante de áreas de preservação permanente, a exemplo das matas da COPASA que se encontram nessas condições) e garantir os interesses do capital, em detrimento da qualidade de vida da população, da água, da fauna e da flora dessa tão degradada região metropolitana de BH. 

Ainda há tempo, mas precisamos ser rápidos e tirarmos esse assunto do silêncio e do círculo vicioso em que se encontra: MBR X associação comunitária do bairro, que está trocando seu "de acordo" por um campo de futebol que já está em construção, MBR X prefeitura de Nova Lima, que está tratando com seu maior arrecadador de impostos, já que Morro Velho está devagar quase parando, e MBR X FEAM, que deve sofrer todo tipo de pressão política e não tem um plano de comunicação para mostrar os riscos que Belo Horizonte está correndo com esse empreendimento bilionário e devastador de suas reservas aqüíferas. 

1) Nos últimos anos, as minerações daqui da região, bombearam e lançaram no Rio das Velhas, que está totalmente poluído, mais de 7 bilhões de metros cúbicos de água da mais alta pureza, em suas atividades de "rebaixamento do lençol freático".

2) Tenho colocado faixas em meus muros e telhado, denunciando estes fatos, já que todos se mantêm tímidos e em silêncio.

Antonio Carlos Cabral
transitar@uol.com.br

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Fax: (61) 321-7357 - E-mail: folhamei@terra.com.br



 
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