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Boca no Trombone! Adelciano Souza Neto 22 de Fevereiro de 2001 ![]()
Rola Moça corre perigo Antonio Carlos Cabral Venho informar um fato importante que está para acontecer e que além de contrariar leis que protegem áreas de preservação ambiental permanente, colocará em risco uma das mais importantes reservas aqüíferas que abastecem BH e literalmente violentará o Parque Estadual Serra do Rola Moça, um dos últimos redutos da fauna e flora da nossa região metropolitana. Está para ser aberta mais uma enorme ferida em nosso planeta. Trata-se de uma nova lavra de minério de ferro que será empreendida pela MBR - Minerações Brasileiras Reunidas e que já tem até nome: Mina de Capão Xavier. Ficará no município de Nova Lima-MG, às margens da BR 040, Km 17, saída de BH para o Rio. Esta cava terá 1,3 km de boca e mais de 300 m de profundidade, de onde serão retirados mais de 140 milhões de toneladas de minério de ferro, por um período de 20 anos. O regime de trabalho será de 24 horas/dia, durante 365 dias/ano. Essa mina promoverá uma série de impactos sobre o meio ambiente e afetará diretamente: um bairro com mais de 4.500 moradores, o bairro Jardim Canadá, pois ficará a menos de 300 metros de distância; o Parque Estadual Serra do Rola Moça, cuja distância em relação aos seus limites é até menor; e como se não bastasse, destruirá literalmente as montanhas e encostas que fazem uma das captações mais importantes das águas que servem a cidade de Belo Horizonte. Precisamos fazer alguma coisa. A MBR já encaminhou à FEAM a documentação para o pedido de licenciamento ambiental, a fim de iniciar a exploração. É bom lembrar que acidentes ecológicos já foram registrados pelas lavras da MBR, a exemplo da comunidade de Macacos há bem pouco tempo. Cabe também lembrar a questão da Mina de Águas Claras que iria destruir a Serra do Curral não fossem as ações impetradas há 30 ou mais anos atrás e que somente agora está em fase final de exploração, assim como a Mina da Mutuca. Essa mina, Capão Xavier, ficará no lugar dessas duas que estão sendo desativadas, já que esgotaram, e portanto trata-se de uma questão de prioridade para a MBR poder continuar atendendo seus contratos de fornecimento e garantir seu faturamento anual da ordem de US$ 460.000.000 com baixíssimo custo de produção, já que movimenta/transporta o minério pelo asfalto da BR 040 e por curtas distâncias (e nós que agüentemos as pedras, a poeira ou a lama em nossos pára-brisas). Se a opinião pública não for sensibilizada, se a mídia não oferecer o espaço que essa iminência de catástrofe merece, e se ficar por conta somente da FEAM, considerando o risco de que os políticos financiados pelas empresas de mineração vão estar articulando mudanças nas leis (como a que proíbe atividades de mineração a montante de áreas de preservação permanente, a exemplo das matas da COPASA que se encontram nessas condições) e garantir os interesses do capital, em detrimento da qualidade de vida da população, da água, da fauna e da flora dessa tão degradada região metropolitana de BH. Ainda há tempo, mas precisamos ser rápidos e tirarmos esse assunto do silêncio e do círculo vicioso em que se encontra: MBR X associação comunitária do bairro, que está trocando seu "de acordo" por um campo de futebol que já está em construção, MBR X prefeitura de Nova Lima, que está tratando com seu maior arrecadador de impostos, já que Morro Velho está devagar quase parando, e MBR X FEAM, que deve sofrer todo tipo de pressão política e não tem um plano de comunicação para mostrar os riscos que Belo Horizonte está correndo com esse empreendimento bilionário e devastador de suas reservas aqüíferas. 1) Nos últimos anos, as minerações daqui da região, bombearam e lançaram no Rio das Velhas, que está totalmente poluído, mais de 7 bilhões de metros cúbicos de água da mais alta pureza, em suas atividades de "rebaixamento do lençol freático". 2) Tenho colocado faixas em meus muros e telhado, denunciando estes fatos, já que todos se mantêm tímidos e em silêncio. Antonio Carlos Cabral
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