Gestão Ambiental

CSN muda e busca defesa do ambiente

Após denúncias, CSN descobriu que gestão ambiental deve fazer parte do negócio e 450 mil litros d'água/hora deixaram de ser captados do Rio Paraíba pela Usina

Zilda Ferreira

Volta Redonda, desde seu nascimento, em 1954, 13 anos depois do início da construção da Companhia Siderúrgica Nacional-CSN, é a caixa de ressonância da vida econômica brasileira. Foi cruelmente afetada pelas primeiras privatizações e pela globalização. Mas sua população politizada não deixou de ser crítica ao desrespeito à vida e ao meio ambiente. (Veja edição 75 de 1997). A CSN foi privatizada em 1993 e a cidade também, dizia D. Waldyr Calheiros, bispo progressista da região do Vale do Paraíba. Agora, a CSN descobriu que cuidar do meio ambiente não é apenas obrigação, é estratégia de negócio.


A Folha do Meio mostrou, em setembro de 1997, que a CSN estava no banco de réus perante a comunidade de Volta Redonda e do Estadp do RJ

Depois de graves denúncias sobre a poluição da água e do ar, além de muitos acidentes de trabalho, divulgados pela Folha do Meio, por veementes apelos da sua população, o Estado interveio. Pressionado, o governo foi obrigado a instituir na medida provisória 1.710/98 o TAC - Termo de Ajustamento de Conduta. Assim a CSN implantou gestão ambiental de fato, descobrindo que era extremamente salutar que a população fosse exigente quanto à qualidade de vida. Após o dever de casa, pois a degradação era muito grande, ela vai ser premiada e, brevemente, receberá a ISO-14001, e com isso, aumentar suas exportações em tempos de crise.
Este ano, a CSN inaugurou, em Volta Redonda, um conjunto de sete obras previstas no PAC, firmado com o Governo do Estado, em janeiro do ano passado. São equipamentos e sistemas de controle da poluição do ar de Volta Redonda - um serviço pioneiro no Estado do Rio de Janeiro, segundo a assessoria da CSN. A obra mais importante até então implantada foi a Estação de Tratamento Biológico-ETB que transforma efluentes líquidos em água, comprovando que a reciclagem é um grande negócio, além de ser ambientamente correto.

Água Reciclada - Com a inauguração, em dezembro de 2000, da Estação de Tratamento Biológico-ETB capaz de tratar 90 mil litros de efluentes por segundo, deixaram de ser lançadas nas águas do Rio Paraíba do Sul toneladas de benzo-a-pireno, substância cancerígena que se acumula no fundo do Rio. Além de amenizar os danos à fauna local e à saúde de grande parte da população do Rio de Janeiro abastecida por esse rio, com entrada em operação da ETB, 450 mil litros d'água por hora deixaram de ser captados do Rio Paraíba pela Usina.
Isso passou a ser possível porque os efluentes, depois de tratados, são reutilizados no processo industrial, explicou Luiz Claudio Ferreira de Castro, gerente geral de Meio Ambiente da CSN, que assumiu o cargo há dois anos com o compromisso de mudar toda a gestão ambiental da Companhia. Ele acredita que, com essas mudanças, a empresa seja num futuro próximo, a siderúrgica mais limpa do mundo. Pelo menos, a menos poluente.
O TAC foi assinado em janeiro de 2000 e estabelece investimentos de R$181.468 milhões de reais em obras que minimizem o impacto ambiental, que têm que estar concluídas até final de 2002. A companhia forneceu ao Estado do Rio de Janeiro fianças bancárias no valor desses investimentos. Se houver atraso, elas serão executadas. O TAC foi editado em 1998. E é um instrumento que dá prazo máximo de três anos às empresas, cujas operações produzem impactos ambientais, para que se enquadrem.


A estação de tratamento trata 90 mil litros de efluentes por segundo

Nova imagem - "O nosso compromisso com o meio ambiente é forte como aço". Esse é o principal slogan da Companhia, além de "A CSN é azul, mas pensa verde". São apenas marketings. Mas, a concretude dessa imagem fica por conta das ações da Fundação CSN, através de seus projetos sociais, que primam pela educação para o trabalho, educação ambiental no sentido moderno - englobando desenvolvimento comunitário e formação da cidadania, cuja vitrine é o projeto "Garoto Cidadão".

As pastorais de D. Waldyr Calheiros, que tanto incomodavam no passado à direção da CSN, políticos e governantes, atualmente, recebem recursos da Fundação CSN e elogios não só da oposição. "Garoto Cidadão", por exemplo, um dos projetos mais reais para atender 200 crianças, desse projeto, informou a assessoria de imprensa da Fundação CSN.

A preservação da Floresta da Cicuta, entre Barra Mansa e Volta Redonda, os dois municípios mais devastados do Estado, é a menina dos olhos dos projetos ambientais da Fundação CSN, por ainda preservar espécies raras de fauna e flora da Mata Atlântica. Paulo Bidegain, biólogo, responsável por esse projeto, percorreu parte da reserva com nossa equipe, explicando como seria recuperada a parte degradada da floresta.

Assim, a CSN começa a preservar seu entorno, consequentemente sua saúde empresarial. A criança e a floresta são dois alicerces fundamentais. Além de um marketing ambiental perfeito.

Mais informações: CSN: (21) 586-1483 e 549-3535



 
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