|
||||||||||||||||||||
|
ANA adverte: falta d'água pode seguir apagão Para Jerson Kerman o grande desafio é a gestão da água no Nordeste e no Centro-Oeste Milano Lopes 01 de Julho de 2001 Se de fato vierem, os apagões vão ser também o pior dos mundos para os consumidores de água, especialmente os projetos de irrigação, que são numerosos no Nordeste e no Centro-Oeste, justamente as duas regiões mais afetadas pelo racionamento de energia. A advertência foi feita pelo presidente da Agência Nacional das Águas - ANA - Jerson Kelman, um dos participantes das audiências públicas promovidas pela Comissão Especial criada no Congresso para investigar as causas da crise de energia. ![]() Na hipótese da introdução dos apagões, considerada medida extrema pelo governo federal, no período em que for feito o desligamento geral, cujo prazo estimado poderá ser de quatro a seis horas por cada apagão, as bombas utilizadas pelas companhias estaduais de abastecimento deixarão de funcionar. Em conseqüência, nesse período, a água não será bombeada para as adutoras, aumentando o transtorno da população, pois à falta de luz se somará à de água. Outros prejuízos - Mas não será apenas o consumidor residencial de água que sofrerá na eventualidade dos apagões. As indústrias que consomem intensivamente água em seu processo produtivo, como a indústria automobilística e a de mineração, também terão uma redução significativa da oferta de água. Porém o prejuízo maior é dos projetos de irrigação, cuja água, qualquer que seja a tecnologia de adução - pivô central, aspersores ou gotejamento - também é bombeada por equipamentos que utilizam energia elétrica. No Nordeste, os maiores projetos de irrigação se localizam nos Estados do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, e naqueles banhados pelo rio São Francisco, envolvendo não apenas a produção agrícola, mas também a piscicultura. No Centro-Oeste, os mais prejudicados serão os projetos de irrigação de fruticultura no Jaíba, no norte de Minas, e os de soja e café no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e oeste da Bahia. Mas os prejuízos não param por aí. O transporte aquaviário também pode ser prejudicado, e muito, com a crise de energia. Kelman cita o exemplo do reservatório de Ilha Solteira, no rio Paraná, por onde é feito o escoamento da produção de soja de Goiás e Mato Grosso do Sul para o porto de Santos, em São Paulo. Estimativas indicam que, até o final do ano, deverão ser transportados por esse corredor aquaviário pelo menos 1,5 milhão de toneladas de grãos destinadas à exportação.
A questão é: se a água do reservatório for liberada para a geração de energia por Ilha Solteira, que responde por 12% do consumo médio mensal de energia do Brasil, faltará água para viabilizar o transporte de soja. A alternativa é convencer os produtores de soja a anteciparem o transporte fluvial do produto no trecho do lago de Ilha Solteira, de tal forma que, a partir de setembro próximo, a água do reservatório seja destinada exclusivamente à geração de energia. Esse problema existe não apenas em relação a Ilha Solteira, mas afeta todos os reservatórios considerados estratégicos, no Sudeste e no Centro-Oeste. Chuva e investimento - Senadores e deputados questionaram o presidente da ANA sofre o efetivo papel da estiagem na formação do atual quadro de escassez no Nordeste, quando Kelman disse que já houve secas piores do que a atual. Exibindo gráficos e transparências, ele demonstrou que, no período entre 1952 e 1955, quando o Nordeste registrou a maior seca do século passado, o lago da barragem de Sobradinho acumulou 274 metros cúbicos de água por segundo. Na crise atual, o volume acumulado tem sido de 341 metros cúbicos de água por segundo. Isso não quer dizer - acrescentou Kelman - que a crise atual não seja uma das mais graves da história, talvez a maior dos últimos 70 anos. A barragem de Sobradinho está com um volume de água equivalente a apenas 28% da sua capacidade, e as previsões mais otimistas indicam que, mantido o quadro hidrológico atual, o volume recebido por Sobradinho poderá reduzir-se a 242 metros cúbicos por segundo. Como a demanda de energia hoje é várias vezes superior a do período 1952/1955, os efeitos de um racionamento, hoje, são bem mais devastadores quanto os de meio século atrás. A crise na açudagem - Mas o quadro de escassez de água não se revela apenas nos reservatórios das hidrelétricas alimentadas pelo rio São Francisco. A situação é até mais grave nos Estados não banhados pelo São Francisco, onde a água disponível vem dos açudes. Dos seis maiores açudes nordestinos, apenas os de Curemas, na Paraíba, com 57% de sua capacidade, e Armando Ribeiro, no Rio Grande do Norte, com 56% de sua capacidade, estão em situação mais ou menos confortável. Os outros estão operando com sua bacia hidráulica reduzida, havendo casos, como os açudes de Banabuiu e Poço da Cruz, no Estado do Ceará, que operam com 8% e 4% de sua capacidade, respectivamente.
|
|
||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||||
Participe
desse esforço por uma melhor qualidade de vida. Como? Muito fácil. Folha do Meio Ambiente é uma publicação da Folha do Meio Ambiente Cultura Viva, Editora Ltda, SRTV Sul, Quadra 701,Edificio Multi Empresarial - Bloco O - CEP 70340-907 - Brasília-DF, Brasil – Fone: (61) 3322-3033, Fax (61) 3226-4438. © Copyright 2001 Folha do Meio Ambiente Cultura Viva, Editora Ltda. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha do Meio.
|
||||||||||||||||||||
![]() |
||||||||||||||||||||