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Festival de cinema faz público refletir sobre problemas ambientais Goiás, antiga capital do estado de Goiás, promove festival internacional com a participação de 25 países Ubirajara Rodrigues 01 de Julho de 2001 A cidade de Goiás, ex-capital do estado, hoje patrimônio cultural da humanidade, localizada a 120 km de Goiânia, se transformou no centro das atenções de cineastas, videastas e do público interessado em produções que tratam de meio ambiente. O III Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), realizado entre os dias 13 e 17 de junho, reuniu 25 países com 92 produções sobre a degradação da qualidade de vida em várias regiões do planeta, provocada por agressões ao meio ambiente e à humanidade. A mostra competitiva exibiu 36 produções, sendo 19 estrangeiras. O restante dos filmes e vídeos integrou mostras paralelas. ![]()
A proposta dos organizadores do FICA é suscitar a reflexão do público sobre os impactos no meio ambiente decorrentes da falta de políticas e ações para o manejo auto-sustentável dos recursos naturais do planeta, reforçando a necessidade de preservação da fauna, flora e mananciais ainda existentes. Outra preocupação da organização é a de estimular o debate sobre o nível das produções e mecanismos de financiamento e distribuição dos filmes e vídeos, inclusive para o mercado internacional, com o intuito de aumentar a circulação desses produtos e ampliar o público. Um exemplo desse empenho foi a realização do I Mercado de Cinema Ambiental, instalado na sede do FICA, no Hotel Vila Boa, onde empresários da Espanha, França, Áustria e Inglaterra mantiveram contato com cineastas e videastas participantes do festival com o objetivo de negociar a veiculação de documentários em televisões da Europa. No velho continente, é comum a formação de parcerias entre realizadores e compradores em festivais de cinema, o que amplia o alcance das produções e aumenta o retorno para cineastas e videastas. Paralelo a esta primeira edição do I Mercado de Cinema Ambiental, entre diversas atividades, foi realizada uma reunião para discutir o mercado de documentários que tratam da questão ambiental em cinema e vídeo. Durante a reunião, foi lançada a proposta de montar, já na próxima edição do FICA, em 2002, um balcão de projetos, reforçando a proposta de fomentar o mercado de produções sobre meio ambiente no país, facilitando o contato entre os financiadores internacionais e os realizadores. Pluralidade - Além das produções nacionais, 60 países enviaram trabalhos. A comissão de seleção assistiu a 360 filmes e vídeos, sendo 44 só do estado de Goiás, que vem aumentando sua participação no festival. Para garantir a pluralidade no FICA, o coordenador geral do festival, João Batista de Andrade, buscou o contato com realizadores de nações cuja produção é quase desconhecida no Brasil. O sucesso do empreendimento resultou na participação de países como Nigéria, Moçambique, Estônia, Papua Nova Guiné, Geórgia, África do Sul, Benin, Botswana, Mali e Egito, entre outros. Cineastas e videastas da Inglaterra, França, Alemanha e Estados Unidos também estiveram representados e são considerados "fregueses da casa", já que participam desde a primeira edição do festival, em 1999. "O FICA é um festival de diversidade, pelo fato de expor a pluralidade da produção hoje no mundo voltada para questões do meio ambiente", diz João Batista, responsável também pela primeira edição do evento, em 1999. "O festival conquistou credibilidade e hoje está consolidado, nacional e internacionalmente. Por isso, ele não pode parar no tempo e a proposta é sempre buscar inovações", afirma Andrade. Essa busca por inovações resultou, inclusive, na variedade de abordagens presentes no festival. O filme The Coconut Revolution, documentário inglês, em média metragem, dirigido por Dom Rotheroe, vencedor na categoria melhor produção, a mais importante da mostra competitiva, relata a vitória de nativos da ilha Bougainville, localizada na Oceania, contra invasores ingleses. O fato inusitado da história é que os nativos utilizaram na luta arcos, flechas e cocos contra as armas de fogo dos inimigos, constituindo-se na primeira revolução ecológica bem sucedida, com o coco no lugar da munição. "O Sonho de Rose - 10 Anos Depois...", longa-metragem brasileiro da cineasta Tetê Moraes, foi escolhido o melhor documentário longa-metragem. O vídeo é uma seqüência do documentário "Terra para Rose", de 1985, em que a videasta registrou a primeira ocupação de terras improdutivas no país, a Fazenda Annoni, no Rio Grande do Sul, berço do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). O documentário de Tetê Moraes é uma sensível radiografia, 10 anos depois, da situação das famílias que fizeram a ocupação da Annoni. Mostra o sucesso da ocupação, os conflitos e conquistas das pessoas que permaneceram na fazenda, daquelas que seguiram o "êxodo" em busca de outras terras e, ainda, de quem voltou pra seu lugar de origem, a cidade grande.
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