Só racionalidade evita a escassez

No momento em que o Brasil enfrenta uma seca tão severa, é oportuno lembrar algumas medidas de economia de água.

Raymundo Garrido

Reuso - O reuso é uma prática segundo a qual usos caseiros menos exigentes admitem uma segunda utilização da mesma água. A água para descarga de vaso sanitário pode ser a mesma já usada em lavatórios e chuveiros, implicando redução mensal, em uma casa de cinco pessoas, de 2,25 m3. O reuso pode estender-se às escolas, edifícios públicos e outras construções, ampliando a economia. Mas, para o re-uso, são necessários kits de interligação dos aparelhos sanitários.

Indústria - Para a indústria, a preservação dos corpos d'água é essencial. Conciliar indústria e água significa fazer com que a primeira se integre efetivamente no meio natural, perturbando-o minimamente. Afiguram-se, daí, dois importantes aspectos a tratar: o da indústria como consumidora e como usuária da água para diluir efluentes.

Como consumidora, a indústria deve recircular a água à exaustão. Há um notável exemplo, na França, de uma usina siderúrgica integrada, que consumia 65.000 m3/hora de água. Passando a recircular 65 vezes a água, essa usina reduziu espetacularmente o consumo total para apenas 1.000 m3/hora, deixando 64.000 m3/hora para outros usuários. Na diluição de efluentes, o desafio da indústria é o das tecnologias limpas, que minimiza efluentes e reduz esforços com a destruição da poluição não gerada.

Irrigação - Na irrigação, também, ainda se pode economizar água, dando preferência aos períodos noturnos, driblando a evaporação. Uma medida indutora dessa prática é a tarifa de energia elétrica mais barata após o pôr-do-sol.

Aqüíferos - Os aqüíferos têm uma capacidade de regular vazões a ser aproveitada. Pouco difundida no Brasil, a recarga artificial de aqüíferos faz aumentar a disponibilidade, além de melhorar a qualidade da água pela filtração natural no subsolo.

Há uma série de outras medidas de ordem prática. Uma delas, apesar de cara, é a adução de água bruta por tubulações e não por canais, combatendo a evaporação e outras perdas. Outra é a utilização de água bruta para usos menos nobres em lugar de água tratada. Tal é o caso da lavagem dos passeios e pátios, e de veículos, com água não tratada. Nesses casos, a água bruta pode vir de poços nos próprios locais de uso.

Educação - Educação ambiental também é economia de água, eis que persegue o resgate de valores éticos e humanistas, aperfeiçoando as relações entre o homem e a natureza, induzindo o usuário à racionalidade quando de sua decisão de consumo.

Cobrança - Finalmente, a cobrança pelo uso da água é a grande promotora da economia. Recentemente, a sociedade brasileira demonstrou que isso pode ser verdade quando do anúncio das medidas de restrição ao consumo de energia.

Estas são algumas sugestões para os usuários da água, para a Administração Pública e para a sociedade civil. O objetivo é procurar a sensibilização de todos para o fato de que a poupança de energia elétrica, que parece ter vindo para ficar, pode ser repetida com a água. Para tanto, necessária é a boa vontade de todos. E até um pouco mais de bom humor!

(*)Raymundo Garrido é secretário de Recursos Hídricos do MMA



 
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