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Projeto de lei do saneamento fica para setembro Governo retira urgência para facilitar negociações Milano Lopes 01 de Julho de 2001 Pela segunda vez, desde que enviou à Câmara dos Deputados o projeto de lei sobre saneamento, o Presidente Fernando Henrique Cardoso retirou o pedido de urgência constitucional para a matéria, com o propósito de facilitar as negociações. Mas a iniciativa foi inócua. O projeto não consegue unificar sequer a base aliada do governo, tantas são as divergências. Destas, a que mais dificuldades tem causado a um acordo é a que trata da titularidade dos serviços de saneamento. ![]()
A primeira parte da sessão legislativa deste ano encerrou-se no dia primeiro do corrente mês de julho, sem que a matéria tivesse sido incluída em votação, como desejava o Palácio do Planalto e as lideranças dos partidos governistas. Em conseqüência, o adiamento da votação tornou-se inevitável, estabelecendo-se a data de 11 de setembro, dando tempo para que, durante o recesso de julho e no mês de agosto, os líderes possam alcançar um acordo, com os dois lados cedendo o que for possível. Estados X Municípios - A intenção do governo de transferir dos Municípios para os Estados a titularidade dos projetos do Plano Nacional de Saneamento Básico criou uma polêmica que está inviabilizando a tramitação da matéria na Câmara. Como os prefeitos são contrários a essa transferência, e muitos deputados federais dependem de seu apoio para reeleger-se, ou desejam mesmo candidatar-se a prefeito em 2002, a pressão surtiu efeito, e a discussão do projeto foi paralisada. O líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), foi incumbido pelo Presidente FHC de conversar com cada um dos parlamentares insatisfeitos, com o objetivo de convencê-los a votar o projeto. Simultaneamente, o relator da matéria, deputado Adolfo Marinho (PSDB-CE), tenta compor as divergências entre oposicionistas e governistas, conversando também com os prefeitos mais resistentes ao projeto. Todavia, o trabalho de convencimento dos dois deputados não surtiu efeito. A urgência foi retirada para dar tempo à montagem de um acordo, que acabou não acontecendo, levando as lideranças da base aliada a propor ao Planalto que o ponto mais polêmico - a titularidade - seja decidido no voto a voto. Relator quer pacto - Segundo o relator, dos 5.500 municípios existentes no Brasil, 5.200 não estão preocupados com o projeto, pois o saneamento continuará sendo um serviço local. A titularidade atingiria apenas os 300 restantes, porém a gestão seria compartilhada com os respectivos Estados. Lembra o relator que, de acordo com o projeto, a gestão das atividades de saneamento ficará a cargo de um Conselho Deliberativo com representação paritária, ou seja, metade de representantes do Estado e a outra metade do respectivo Município. Com esse argumento, o relator Adolfo Marinho pretende negociar um pacto entre governadores e prefeitos. Ocorre que essa minoria de 300 municípios que serão afetados pelo projeto é constituída justamente dos mais populosos e mais desenvolvidos e, portanto, com um forte poder político. E é justamente nesses municípios, em geral com população superior a 50 mil habitantes e localizados sobretudo no Sudeste, que a oposição vem concentrando seu trabalho de combate à titularidade, dificultando o convencimento dos deputados governistas que representam essas comunidades, que temem posicionar-se contra o prefeito e a comunidade, às vésperas de uma eleição. Além da questão da disputa do poder, a concessão da titularidade dos serviços de saneamento aos Estados é considerada inconstitucional por muitos deputados, inclusive da base do governo. Eles entendem que a titularidade é matéria definida no âmbito da Constituição. Portanto, qualquer alteração só poderá ser feita mediante emenda constitucional e não através de lei ordinária. Caso o relator Adolfo Marinho fracasse em sua tentativa de pacto entre governadores e prefeitos, dificilmente o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira, terá chances de convencer a maioria da base aliada a votar com o projeto do governo.
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