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Concessões salvam o Protocolo de Kyoto Redução dos gases do efeito estufa cai de 5,2% para 2%. Depois dos Estados Unidos, o Japão é o maior emissor mundial desses poluentes Milano Lopes 01 de Agosto de 2001 Com os Estados Unidos isolado e seus representantes vaiados, os 178 países reunidos em Bonn, na Alemanha, no dia 23 de julho último, concordaram em abrir espaço para a execução do Protocolo de Kyoto, que permitirá a redução das emissões de gases-estufa, especialmente o carvão, o petróleo e o gás natural. Mas para alcançar um acordo, foi necessário ceder, e muito. Os países em desenvolvimento, como o Brasil, e os da União Européia, concordaram que os países que têm florestas poderão utilizá-las para conseguir créditos sobre o total das emissões a reduzir. ![]()
Com isso, a meta de reduzir em 5,2% as emissões de gases-estufa entre 2008 e 2012, sobre os valores de 1990, ficará reduzida a apenas 2%. Algumas lideranças ambientalistas acreditam que a redução não ultrapassará a 1,8%, tornando-se, na prática, simbólica, tendo em vista que as emissões cresceram, e muito, sobre os valores registrados em 1990. A proposta de utilizar as florestas como "sumidouros" para o carbono emitido em excesso foi do presidente da conferência, Jan Pronk, Ministro do Meio Ambiente da Holanda, como a única alternativa capaz de salvar a conferência do fracasso.
A proposta consiste no uso do carbono absorvido por florestas jovens ou por projetos de reflorestamento como crédito positivo na contabilidade da meta de redução dos gases-estufa. As lideranças ambientalistas se dividiram: umas consideraram que o preço do sucesso foi exageradamente elevado, pois o protocolo foi virtualmente diluído e seu efeito no clima sensivelmente reduzido. Outras, no entanto, entenderam que é preferível um acordo imperfeito e incompleto do que um acordo perfeito apenas no papel. E consideraram que, de qualquer forma, valeu a pena isolar os Estados Unidos em um conclave ambiental de caráter mundial. A delegação brasileira, chefiada pelo Ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg e pelo diplomata Everton Vargas, considerou o acordo histórico, por ter estabelecido um regime de verificação do cumprimento das metas, amparado no direito internacional. De fato, uma das decisões adotadas em Bonn foi a de que, para cada tonelada de carbono emitida acima da meta, no período 2008-2012, os países terão de cortar 1,3 tonelada no segundo período do compromisso, que se iniciará em 2013. Outra decisão importante foi a constituição de um fundo de US$ 530 milhões anuais destinado a ajudar os países do Terceiro Mundo a adaptarem suas economias às mudanças climáticas. Uma espera de nove anos O Protocolo de Kyoto nasceu em junho de 1992, na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro. Um dos documentos aprovados na Cúpula da Terra foi a Convenção do Clima. Cinco anos e meio depois, em dezembro de 1997, os países-membros da Convenção do Clima se reuniram em Kyoto, no Japão, adotando o primeiro tratado mundial para reduzir as emissões: 5,2% sobre o volume de gases emitidos em 1990, a serem alcançados entre os anos 2008 e 2012. Em novembro do ano seguinte, na Argentina, 170 países que subscreveram a Convenção do Clima adotaram o Plano de Ação de Buenos Aires, cujo propósito era identificar os meios de implementação do Protocolo de Kyoto já a partir de 2002. Mas em abril do ano 2000, os ministros do Meio Ambiente dos países do G-8 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Inglaterra, Canadá, França, Itália e Rússia) fracassaram ao tentarem aprovar uma resolução pedindo a imediata ratificação do Protocolo de Kyoto que, para entrar em vigor, precisa ser aprovado pelo Congresso dos 55 países que, juntos, são responsáveis por 55% da emissão de poluentes. Em novembro do mesmo ano, a Sexta Conferência das Partes (COP-6) realizada em Haia, na Holanda, fracassou em sua tentativa de regulamentar a implantação do protocolo, adiando a decisão para a COP-7, a ser realizada em novembro deste ano em Marrakech, no Marrocos. Em março deste ano os Estados Unidos anunciaram que vão abandonar o Protocolo de Kyoto, que teve justamente no então vice-Presidente Al Gore seu maior incentivador. O Presidente Bush afirmou que a implementação do protocolo ameaçaria a indústria norte-americana e exigiu que os países em desenvolvimento também participassem do esforço de redução dos poluentes, especialmente a China e a Índia. Finalmente, em 23 de julho último, em Bonn, 178 países que já subscreveram a Convenção do Clima conseguiram marcar para 2002 o início da implementação do Protocolo de Kyoto, mesmo tendo de ceder.
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