Caro Leitor...

 

Durante recente congresso de informática, alguém usou um supercomputador para mostrar a explosão de bytes produzidos pelo homem: dos desenhos nas cavernas até 1999, a humanidade produziu cerca de 12 bilhões de gigabytes de informações. Agora bastarão dois anos - 2001 e 2002 - para que se produzam 18 bilhões de gigabytes. É toda a história do homem em menos de 700 dias. É a explosão da informação, devidamente guardada em dados, provocando a explosão do conhecimento. Como a principal coisa na vida é o uso do conhecimento e ter a informação que gera o conhecimento é ter o poder, o homem vai chegando cada vez mais perto dos céus. Faz máquinas que produzem e que destroem, inventa produtos para o bem e para o mal, remédios e venenos, desvenda o mistério da vida, cria plantas e animais, faz dos clones uma realidade que assusta, mexe e remexe com o meio ambiente. Menos de 700 dias significam mais saber do que toda a história da humanidade. Confesso que isto me assusta. Vejo nossas cidades cheias de tecnologias, automóveis de última geração, computadores que ligam cafeteiras e banheiras para chegar em casa e ter as melhores mordomias a tempo e a hora, metrôs velozes, heliportos e resultados das bolsas e das loterias nos painéis eletrônicos. Tudo isso é tecnologia feita de bytes e plásticos. Onde ficarão as praças, os parques, os jardins, as árvores, a vida? Bem diz o professor Ozanan Correia Alencar, jardineiro-mór de Brasília e coordenador do IX Encontro Nacional de Arborização Urbana, a ser realizado em outubro na Capital Federal: o romântico nas cidades não são os shoppings. São os jardins e as flores. Que me perdoem os 18 bilhões gigabytes, mas como seria bom se o homem produzisse menos gigas e mais sorrisos, mais compreensão e mais amor.

Nessa edição, além da entrevista com o professor Ozanan, que fala sobre os segredos da arborização urbana (páginas 7 a 10), temos uma grave denúncia de especulação de terra em Alto Paraíso, na bela Chapada dos Veadeiros, que envolve o deputado federal Michel Temer (páginas 11 a 13); uma aula do professor Raymundo Garrido respondendo 18 perguntas de como funciona a Outorga do direito de uso da água (páginas 23 a 26); e uma belíssima aula de educação holística: estudantes que trocaram os gigabytes das cidades pela experiência de usar a sabedoria dos povos primitivos para descobrir na natureza as pegadas dos animais (páginas 20 a 22). 

Amigo leitor, o homem complica tanto a vida que só vai acabar encontrando a felicidade quando voltar aos primeiros bytes. À sua origem. Simplesmente, rastreando suas próprias pegadas.

Obrigado, SG



 
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