A fauna ameaçada

IBGE lança livro com as 42 espécies que mais correm perigo nos ecossistemas brasileiros

Tetê Duche

O comércio ilegal de animais, o desmatamento e a exploração de madeiras, a abertura de estradas, a caça esportiva ou predatória entre outras atividades têm contribuído diretamente para a destruição dos habitats naturais das espécies da fauna brasileira colocando em risco a sua sobrevivência. A denúncia é da bióloga Lícia Leone Couto que lançou o livro Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, publicado pela Gráfica do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas.

   Trata-se de um acervo básico para o conhecimento da atual realidade brasileira. O livro é um banco de dados com as 42 espécies mais ameaçadas de extinção, ricamente ilustrado com fotografias dos animais e acompanhado de textos. A pesquisa coordenada por Lícia Leone e seus colaboradores, Luiz Carlos Aveline e Alfrízio Carlos Trindade Neto, teve como ponto de partida, a Lista Oficial de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, divulgada pelo IBAMA. 

Eles levaram seis meses para apurar os dados existentes sobre a fauna dos mais diversos ecossistemas das regiões brasileiras: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal, Campos e Caatinga. 'O próprio IBGE lançou em 92, um mapa semelhante, "Fauna Ameaçada de Extermínio" que é uma forma de desaparecimento das espécies induzida diretamente pela ação do homem, explica a bióloga Lícia Leone Couto. Extinção é quando ocorre o desaparecimento natural das espécies".

A publicação "Fauna Ameaçada de Extinção" aponta ainda que a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) apesar de ter sido descrita em 1856, foi somente em dezembro de 1978 que um grupo de pesquisadores do Museu Nacional do Rio de Janeiro identificou o local derradeiro onde uma pequena população desta notável espécie de arara conseguiu sobreviver.

Trata-se do Raso da Catarina, distante lugarejo do sertão baiano onde cerca de 50 delas ainda encontram ambiente favorável para repouso e reprodução no interior de fendas dos paredões de um canyon.

Tipicamente brasileira, esta arara executa extensos vôos diários para alimentar-se dos cocos de licurizeiros, retornando ao local de repouso ao final do dia. Assim como as demais espécies de araras de grande porte, a arara-azul-de-lear vem sofrendo forte pressão de caçadores que não respeitam nem menos os filhotes após a reprodução da espécie. Estes são também extremamente cotados no mercado de contrabando de aves.

A Ararajuba (Guaruba guarouba), de plumagem amarelo-ouro do corpo e na cauda, em conjugação com o verde intenso das asas, é outra espécie muito comum em cativeiro. É considerada a ave símbolo do Brasil devido a coloração vistosa de sua plumagem. Muito dócil , tornam a Ararajuba outra presa fácil da atenção dos traficantes de pássaros o que tem contribuído ao declínio numérico de suas populações. 

Enfim, a recente publicação do IBGE, "Fauna Ameaçada de Extinção" , chega em boa hora para aumentar o interesse da sociedade, em especial do público jovem, pela preservação e conservação do meio ambiente porque tem a vantagem de mostrar como é rica e original a fauna brasileira.

A publicação deixa um gostinho de quero conhecer mais, provocando nos leitores a importância de se preservar a fauna brasileira antes que nossas espécies não passem de animais empalhados em museus especializados ou belas ilustrações de um livro.

Mais informações: http://www.ibge.gov.br ou nos
telefones : (21) 2514-4651/0882/0890/0919
fax: 2220-6521



 
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