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Homenagem a Terra Barth Raymundo Garrido 01 de Setembro de 2001 ![]()
Conheci Flávio Terra Barth em Salvador. Corria o ano de 1991, quando o secretário Estadual de Recursos Hídricos, César Borges, hoje governador da Bahia, e meu superior imediato à época, me estimulou a realizar um seminário para discutirmos outorga. A Bahia já praticava a outorga desde 1987, em razão dos graves conflitos na bacia do rio Salitre, afluente intermitente do São Francisco, pela margem direita. Terra Barth foi a primeira pessoa a quem convidei para o seminário. Sabia de sua competência e conhecimento no campo dos recursos hídricos. Sua presença era uma certeza de sucesso e produtividade. Já na conferência inaugural, Barth foi capaz de demonstrar, com argumentos certeiros e exemplos bem claros - lembrando sempre a realidade de São Paulo - como a Bahia estava no caminho certo. E mais ainda: o que deveria ter continuidade, o que deveria corrigir e, ainda, o que ainda não se fazia na Bahia e que não podia deixar de ser feito. Em breves flashes ele ministrou uma grande aula, que restou inesquecível em nossa memória e para todos os que lotaram o auditório da sede da Delegacia Regional do DNOCS. Essa foi a primeira de uma série interminável de lições que aprendi com Barth. De tantas idéias das quais foi o pai, por nenhuma Tera Barth reivindicou o mérito da autoria Mas o que verdadeiramente era impressionante em Barth era a sua disponibilidade para todos. Sempre com o mesmo espírito de colaboração, com a mesma calma, e uma atenção hindu para com seus interlocutores, em todos os momentos. De tantas idéias das quais foi o pai, por nenhuma reivindicou o mérito da autoria. Nisso, aliás, beirou a unanimidade. Mas, não apenas nisso! Falemos de poder de síntese. Nunca pôde alguém, com tamanha facilidade, levar a uma planilha, fluxograma, organograma ou qualquer outro formato sintético, idéias complexas que por suas mãos tornavam-se simples para o entendimento de todos. Na forma, quase nunca rebuscava, a não ser quando necessário. Mas, no conteúdo, suas idéias estavam sempre em perfeita sintonia com o estado da arte, quando não era o próprio estado da arte dando um passo à frente, expandindo ágil e inteligentemente a fronteira do conhecimento técnico científico. Humanista, Flávio sempre esteve preocupado com a formação de quadros para a gestão dos recursos hídricos no Brasil. Era daqueles que praticava, de modo aberto, o princípio segundo o qual, ao trocar com um colega uma idéia por outra, cada um sairia do diálogo levando duas idéias em lugar da única com que chegou para o debate. Duas idéias assim viravam quatro. Via nisso a riqueza e mesmo a própria essência da vida profissional. E, com isso, amealhou um colossal conjunto de conhecimento que dividiu com todos, enriquecendo decisivamente a engenharia de recursos hídricos de nosso país e repercutindo significativamente no plano internacional. Prova disso é que foi o mais citado em livros, teses, monografias, artigos e tantas outras manifestações de profissionais do setor, brasileiros e estrangeiros. Foi-se Flávio, com suas idéias. Idéias que, graças à sua postura, também ficaram entre nós. Mas não mais teremos Flávio para nos acompanhar no enfrentamento dos desafios do futuro. Tê-lo-emos vivo, entretanto, por meio do exemplo que deixou, da sua filosofia de vida, da sua conduta, como profissional, como chefe de família e como amigo. Imitemo-las. *Raymundo Garrido é Secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente.
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