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Campo Alegre: o berço das águas O grande projeto é criar o Centro de Estudos Ambientais na RPPN Dioclécio Luz 01 de Setembro de 2001
Do planalto central descem águas que chegam às três principais bacias do país: Amazônica, São Francisco e Paraná. São nascentes, riachos e córregos em profusão. Este diferencial é que deu ao planalto central brasileiro o título de berço das águas. A disputa das águas, a posse das fontes e nascentes, num futuro próximo, serão mais acirradas que a questão fundiária. Por isso as terras do Cerrado estão cada vez mais valorizadas.
A Associação Ecológica de Alto Paraíso (GO) guarda ouro líquido. Cinco rios correm nos limites da Fazenda Campo Alegre: rio dos Couros, São Miguel, Segredo, Silêncio e São Pedro. Além disso existem 164 nascentes na região. São águas límpidas, potáveis, que nascem à altitude média de 1.250 metros. A Folha do Meio esteve no local para conferir esta riqueza. "Aqui dentro tem minas de cristal que, se explorássemos, ficaríamos ricos", diz Alírio Covas, o Nivedano, presidente da entidade. - Mas não é isso que nos interessa. Nosso projeto é preservacionista. Queremos deixar esta riqueza para os habitantes do planeta. Para que, se um dia o mundo se poluir totalmente, todos conheçam uma fonte de água limpa e os animais e as plantas que utilizam estas fontes. Nessa perspectiva preservacionista, a fazenda Campo Alegre é vanguarda. Com 9.250 hectares no total, e 7.500 hectares transformados em Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN), ela é a maior RPPN do Cerrado. Criada em 1994, foi a primeira fazenda a entrar do programa de RPPNs do Ibama. Nivedano informa que juntou dinheiro lá fora e passou a investir no lugar há cerca de dez anos. Seu grande projeto é criar um Centro de Estudos Ambientais para o desenvolvimento de tecnologias e novas formas de adaptação ao Cerrado. O ecoturismo pode ser implantado no futuro, mas não é o prioritário. "Queremos um visitante integrado ao que fazemos e não aquele que vem, toma um banho de cachoeira e vai embora", explica Nivedano. "Isso aqui é para pessoas que querem aprender e querem ensinar", acrescenta. Baiano de Itabuna, Nivedano é músico percussionista, toca violão, bateria e piano, há mais de 30 anos. Principalmente nos anos 70, tocou e gravou com grandes nomes da música internacional. Caso de John MacLaughin e a "Mahavishnu orquestra", Carlos Santana, Weather Report e Webster Lewis. Já fez apresentações com David Samborn, Pat Metheney Group e Leonel Hampton. Nivedano morou na Índia por 15 anos, onde tocou música devocional com seu mestre, Osho (Rajneesh). Freqüentemente Nivedano viaja para o Japão e Estados Unidos onde participa de shows a convite dos amigos. Os recursos para a Associação Ecológica vem de fora. Há grupos na Europa, Estados Unidos e Japão, que financiam projetos no Cerrado a fundo perdido. "Todos os registros contábeis sobre o que entra e o que sai são feitos com extremo cuidado e clareza; sabemos que há pessoas aqui querendo destruir iniciativas como esta e não podemos deixar brecha para que elas nos acusem de nada", diz Nivedano. A sede da fazenda Campo Alegre fica a 45 quilômetros do município de Alto Paraíso. São duas horas em estrada de barro. Lá existem oito casas construídas; a metade destinada aos visitantes. São sete funcionários. Segundo Nivedano, toda produção agrícola e de plantas da associação é orgânica, ou seja, sem o uso de fertilizante químico e agrotóxico.
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