Parcerias ajudam Furnas na preservação ambiental

Universidades, Codevasf, Embrapa e escolas entram na luta para preservar e repovoar de peixes rios e lagos

Silvestre Gorgulho

As empresas que têm a missão de gerar e fazer transmissão de energia elétrica, fator essencial para o desenvolvimento econômico e social do país, sabem muito bem que provocam grandes interferências ambientais. Por isso, além de promoverem o uso racional de energia,buscando minimizar o desperdício, desenvolvem diversos programas que visam a preservar a biodiversidade dos ecossistemas em suas áreas de atuação. E mais: realizam projetos de preservação do patrimônio arqueológico, histórico e apoio na área cultural. É o caso de Furnas, responsável pelo suprimento de energia a quase metade da população brasileira e 71% da produção industrial do país. O sistema Furnas conta, hoje, com um complexo de dez usinas hidrelétricas, duas termelétricas, 18 mil km de linhas de transmissão e 43 subestações. A capacidade de geração instalada da empresa é de 9.290MW, que representa aproximadamente 14,7% do total da geração de energia do país, que é de 62.076MW, além de ser responsável pela transmissão da energia gerada pela Usina de Itaipu, com capacidade de 12.600MW. Para realizar projetos de preservação ambiental e cultural, Furnas busca parcerias e é uma dessas parcerias que vamos conhecer.



Érico Fonseca de Andrade


Estudante ajuda no repovoamento dos rios, lançando alevinos no Rio Grande, em Minas Gerais

Estação de Hidrobiologia e Piscicultura repovoa rios e lagos

Para iniciar o processo de repovoamento dos reservatórios com alevinos de várias espécies, Furnas construiu, em 1975, a Estação de Hidrobiologia e Piscicultura, localizada na usina hidrelétrica, entre os municípios de São José da Barra e São João Batista do Glória (MG). Objetivo: estudar a qualidade da água, através de sua análise básica, e de todos os organismos planctônicos. 

Dourados e pacus - A estação está dividida em pavilhão de hipofisação; laboratórios de microscopia, químico e de ictiologia; um pequeno museu; dois depósitos; sala de ração; e 212 tanques de tamanhos diversos. Investindo em tecnologia, foi possível repovoar com várias espécies de peixes - dourado, piapara, pacu, curimbatá, trairão e pintado - os reservatórios das usinas de Furnas (MG), Mascarenhas de Morais e Luiz Carlos Barreto (SP), Marim-bondo e Porto Colômbia (entre SP e MG), Itumbiara (entre GO e MG) e Corumbá (GO). Para o próximo período reprodutivo, que compreende os meses de agosto a maio, está prevista a produção de piracanjuba e jaú, além das demais espécies.


Educação e Parcerias

Muitos alunos de graduação, mestrado e doutorado procuram a estação para realizarem a parte experimental de suas teses. Essa busca já resultou na publicação de mais de 100 trabalhos científicos e 15 teses.

Para que essas atividades aconteçam, Furnas estabeleceu parcerias com muitas universidades, entre as quais, a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, a Federal de Minas Gerais, a do Estado de Minas Gerais, do Estado de São Paulo, Federal de São Carlos e Federal de Lavras. A empresa mantém, também, estreito relacionamento com o Instituto de Pesca da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Estação de Hidrobiologia e Piscicultura de Três Marias, da Codevasf, Centro Nacional de Pesquisas de Peixes Tropicais do Ibama e Estação de Pesquisa e Desenvolvimento Ambiental da Cemig.

Furnas está buscando firmar parceria com a Embrapa (Jagua-riuna) para pesquisar a engorda de peixes em tanques-rede.

Rio Grande - Foi implantado na Escola Estadual de Furnas (MG), no município de São José da Barra, o 1º Projeto Interativo Comunitário de Educação Ambiental. 

A primeira edição do projeto, que contou com a parceria da prefeitura local, Polícia Rodoviária, Corpo de Bombeiros e Polícia Florestal, mobilizou mais de 500 alunos para as questões de preservação ambiental, conservação de energia, educação no trânsito, reciclagem de lixo, além de segurança no lar.

Os alunos lançaram no rio Grande 10 mil alevinos e realizaram o plantio de cerca de mil mudas de árvores naturais da Mata Atlântica, de um total de 5 mil que serão plantadas esse ano.

Animais resgatados em Manso foram doados à UFMT

O Departamento de Meio Ambiente de Furnas doou cerca de 350 espécies de animais ao Instituto de Biociências da Universidade Federal de Mato Grosso. A coleção foi montada pelo departamento, ao longo do trabalho de resgate da fauna na área reservada para a construção da Usina Hidrelétrica de Manso.

Durante a ação de resgate, a equipe de Furnas elaborou quatro projetos, visando a amenizar impactos da construção da usina na fauna da região. O primeiro, foi a elaboração de um diagnóstico das espécies da região. O segundo, a realização de um estudo de similaridade de habitats, que buscou encontrar locais com características próximas daquele que seria inundado para a formação do reservatório. O resgate dos animais da área de inundação foi o terceiro passo da equipe. O quarto e último projeto destinou-se ao monitoramento dos animais removidos da área e posteriormente devolvidos à natureza.

Entre dezembro de 1999 e maio deste ano, foram resgatados 18.499 animais, entre invertebrados, anfíbios, lagartos, serpentes, aves, mamíferos e quelônios. Além da função de registro e amostragem da diversidade da fauna local, a coleção assume importância científica que pode ser traduzida em pesquisas e ensino.

 

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