Na fronteira, árvores centenárias são motivo de polêmica

Plantadas há mais de 60 anos, sem um maior planejamento, agora elas começam a causar problema na fiação elétrica, nos telhados das casas, entupindo calhas quando chove e outros inconvenientes

Elizabeth de Moraes

A poda anual, parece ser um costume já arraigado nas tradições da fronteira Livramento Rivera. Apesar de rodeada de campos por todos os lados, a cidade se ressente de uma maior arborização na sua área urbana. Aquela que poderia ser considerada o "pulmão verde" da cidade é a rua Silveira Martins, que tem em toda sua extenção enormes Tipuanas Tipa, que se entrelaçam formando um belo túnel verde. Plantadas há mais de 60 anos, sem um maior planejamento, agora elas começam a causar problema na fiação elétrica, nos telhados das casas, entupindo calhas quando chove e outros inconvenientes. Alguns moradores da rua já inconformados defendem medidas mais radicais: nem poda, nem árvores. A secretaria municipal de Agricultura e Serviços Urbanos de Livramento tem promovido reuniões entre moradores, ambientalistas e técnicos para encontrar uma melhor solução.

    O vice-presidente da Funrio- Fundação Rio Ibirapuitã, professor Juca Sampaio afirma que "o que vemos é uma cultura de violência contra as árvores". Ele defende uma solução mediadora para as árvores da Silveira Martins, com a condução de uma poda orientada por técnicos. Para isso dez funcionários da prefeitura local estão realizando um curso com técnicos agrônomos e ambientalistas para uma melhor conservação das árvores. O engenheiro agrônomo da Sema - secretaria Estadual do Meio Ambiente -RS- Vladimir Motchi justifica a poda como um "mal nem sempre necessário". Mas, lembra que a planta no seu habitar natural também processa uma poda, mais para se adequar na sua divisão de espaço com outras árvores, vão caindo alguns galhos, com isso fazendo uma reci-clagem biológica. No entanto, a árvore da cidade não passa por esse processo. As árvores da cidade, lembra, até agradecem a caiação, pois elas sofrem uma deficiência de cálcio no meio urbano. "O que precisamos é de um planejamento inteligente" afirma. 

Plano de Arborização - A Funrio elaborou um plano de arborização para o município e o entregou para a administração municipal, prevendo, inicialmente, um inventário das árvores da cidade para saber as espécies que já estão plantadas. Com isso, deve-se avaliar a situação atual, fazer um levantamento fito-sanitário dos vegetais e implantar normas para a arborização da cidade e seus logradouros públicos. Prevê ainda a obrigatoriedade de um projeto de arborização para as vias públicas no caso de loteamentos novos.



 
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