Tocantins luta para salvar flora e fauna em Lageado

"Projeto Fauna" minimiza impacto ambiental de Usina e aumenta conhecimento científico da região do Cerrado

Wanja Nóbrega

Tocantins acaba de inaugurar a Hidroelétrica Luís Eduardo Magalhães, no município de Lajeado. Essa usina é importantíssima para garantir o fornecimento de energia elétrica do Estado, além de contribuir de maneira decisiva para evitar os riscos de apagão no País. Mas a obra também está provocando grande impacto ambiental em toda sua área de influência, pois com o represamento das águas do rio Tocantins para a formação do lago, a vegetação está desaparecendo e os animais perdendo o habitat natural. A boa notícia é que o homem parece ter entendido que a preservação do patrimônio natural é fundamental para sua própria sobrevivência e para a continuidade do desenvolvimento tecnológico. Prova disto é o "Projeto Fauna", planejado e executado para minimizar os efeitos negativos na natureza provocados pela construção da Usina. Através do "Projeto Fauna", foram criados corredores ecológicos por onde os animais foram induzidos a passar para se refugiarem em áreas de preservação.

 

Cerrado do Tocantins
348 espécies de aves
3 espécies de primatas
23 espécies de mamíferos de pequeno porte
38 espéciesd e mamíferos de grande porte
95 espécies de repteis
48 espécies de anfíbios

 


Nem todos os animais usaram os corredores ecológicos para saírem da área alagada, sendo necessária a ação de resgate

Cerrado: conhecer e preservar - O "Projeto Fauna" também está dando uma enorme contribuição para o conhecimento científico sobre o Cerrado do Tocantins, investigando que animais estão presentes na região, com levantamento minucioso de todas as espécies nativas e acompanhamento antes, durante e depois dos impactos provocados pela obra. Ao mesmo tempo, os biólogos, veterinários e pesquisadores envolvidos no Projeto estão tentando compensar as perdas ambientais, gerar conhecimento científico sobre a fauna do Cerrado, treinar e capacitar profissionais ligados à área e ainda promover um programa de educação ambiental para a população, mostrando a importância do desenvolvimento sustentável.

Resgate de animais - O Projeto Fauna foi dividido em várias etapas. Equipes de trabalho formadas por biólogos, veterinários e pesquisadores foram a campo para saber o que existe no Cerrado tocantinense e quais ações seriam necessárias para que não houvesse sacrifício das espécies quando o lago enchesse.

Para este trabalho foram utilizadas as técnicas e equipamentos mais modernos existentes no mundo, como a radiotelemetria e o uso de armadilhas que capturam o animal evitando danos físicos e o estresse, que pode levar à morte. 

Com a abertura de corredores durante o processo de desmatamento da área inundada, a grande maioria dos animais utilizaram estas passagens para ir em busca de novos lares, reservados especialmente para abrigá-los. 

Mas nem todos os animais saíram da área que será alagada, sendo necessária a ação de resgate. Esta fase está sendo executada e deverá ser concluída em dezembro deste ano, quando o lago terá se formado completamente. 


Veterinários e biólogos acompanham o resgate. Êles têm barcos equipados para atendimento emergencial de animais que precisam de mais cuidados para evitar danos físicos e o estresse.

O resgate é feito com o uso de barcos, que percorrem toda a área em busca de ilhotas, que começam a se formar, deixando alguns animais impossibilitados de fugir das águas. Uma preocupação das equipes de resgate é com as cobras e animais que vivem em tocas. Em todos os empreendimentos como a usina sempre existe um percentual de animais que não conseguem fugir das águas nem serem resgatados e acabam morrendo afogados ou ilhados. Entretanto, o "Projeto Fauna", executado numa parceria entre o Centro Universitário Luterano de Palmas e a Investco (empresa que gerencia a obra) tem como principal objetivo fazer com que o número de animais nesta situação seja o menor possível. 

Graças aos trabalho de catalogação dos bichos que estão na área de influência da Usina Luís Eduardo Magalhães, construída no município de Lajeado, a 52 Km da capital (Palmas), o Estado sabe, hoje, exatamente qual a dimensão e a diversidade de sua fauna. 

Este conhecimento tem sido usado fartamente na elaboração de materiais impressos, vídeos e palestras que auxiliam no trabalho de Educação Ambiental. Conhecendo o que existe é mais fácil pedir sua preservação. Para os biólogos envolvidos no Projeto Fauna, é impossível não se emocionar quando se depara com tanta beleza e tanta diversidade animais presente num bioma até pouco tempo pouco explorado. 

O conhecimento adquirido sobre o Cerrado e suas espécies animais está longe de permitir a convivência pacífica entre homem e natureza. A velocidade das modificações humanas é muito grande. Entretanto, conhecer os animais que habitam o Cerrado do Tocantins é mais um passo importante para se avançar na direção do tão almejado convívio harmonioso entre o ser humano e o meio ambiente.

Mais informações:
Naturatins: 0800-631155
(63) 218-2600

wanjanc@uol.com.br


 
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