ECOLOGIA & SAÚDE

Impacto ambiental

Sérgio Angeli

 

 

Na Física, há uma lei implacável, impondo que à toda ação corresponde uma reação. Também na Ecologia ocorrem respostas inevitáveis ao que se fizer a favor ou contra o meio ambiente. É por isto que devemos meditar muito antes de mexer numa área que a Natureza levou sabe-se lá quanto tempo para ali equilibrar a convivência animal e vegetal.

Um exemplo positivo da ação do homem sobre o meio ambiente é o que se faz na recuperação da Mata Atlântica, com o replantio da flora típica do local e reprodução protegida de animais também de espécies dali nativas. Já um caso negativo é o observável no Parque Nacional de Brasília (PNB). Lá, alguém (seu nome não vem ao caso citar) soltou há uns 10 anos alguns macacos-prego. Resultado: os símios proliferaram ao ponto de acabar com os parentes nativos (micos e bugios), assaltam os freqüentadores, em busca de alimento, e também comem os ovos e filhotes dos passarinhos, tanto que ali não se ouve mais o trinado da passarada de outrora.

Também no Parque Nacional de Brasília, reforçando a ação predatória dos macacos-prego, ocorreu uma interferência ambiental que poderia ser perdoável não fosse ela praticada por quem se faz passar por zelador não-governamental dali. É que a intitulada Associação dos Amigos do PNB pendurou no quiosque do caldo de cana, na beira da Piscina Velha, um amplo mural envidraçado e com fundo de feltro verde, refletindo a mata do local. Como a associação é carente de cartazes, avisos ou o que quebre o espelhado daquele objeto, por muitos dias, pássaros foram ali batendo, alguns caindo mortos e outros ferindo-se provavelmente de modo fatal, algo que também ocorre em paredes brancas.

Isso que ocorreu no PNB parece uma imitação do que virou rotina na nada-ecológica arquitetura moderna, que projeta quase que só prédios com vidros espelhados. São mortais para as aves, que ali se esborracham, iludidas pelo reflexo do ambiente de vôo. Estes vidros espelhados também têm outro lado agressor do meio ambiente, por escurecerem o interior dos prédios, demandando iluminação artificial, consumindo energia elétrica vinda das atuais e forçando que se construam mais usinas agressoras da natureza, sejam as hidrelétricas, que exigem a inundação de terras férteis, ou as perigosas usinas atômica, que, felizmente, não proliferaram no Brasil.

Então, pessoal, vamos pensar muito bem ao interferirmos sobre a terra, água, ar, fauna e flora, para que o impacto ambiental não seja negativo, pois o que ofende estes elementos causará prejuízo a nós mesmos.


Casa de ferreiro...

Ano passado, depois de reforma em prédio vizinho à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no final da Asa Norte de Brasília, deixaram para trás enorme caixa de fazer massa de cimento. Choveu e a coisa ficou do jeito que pernilongo gosta. Telefonei para a Anvisa pedindo providência sanitária, inclusive por morar ali perto. Depois de dias, nada. Então, eu mesmo peguei uma alavanca e furei a masseira, escoando a água estagnada, o que acabou com a alegria do Aedes da dengue e seus parentes. Agora, chamou-me a atenção as floreiras externas da supracitada Anvisa. Fui lá xeretar e vi umas dez enormes bromélias cheias d'água e convidativas à pernilongada para a reprodução. Será que colocam veneno na água? Se responderem sim, é o caso do Ministério do Meio Ambiente multar a Anvisa, porque passarinho que for lá beber deixará de viver... Bromélia é para ficar na mata, onde há controle biológico natural de pragas e doenças, e não vou dar novo recado ao pessoal da Anvisa. Prefiro sugerir aos pauteiros dos veículos de comunicação que mandem ao local repórter e fotógrafo (ou cinegrafista). Dará uma matéria mostrando que certas autoridades pegam no pé dos outros e não sentem a sujeira a um palmo de seus narizes. É como dizem os antigos: casa de ferreiro, espeto de pau.


Quem cala...

Quem bebe habitualmente na fonte da Piscina Velha, do Parque Nacional de Brasília (PNB), testemunha que está bem de saúde. Aqueles que também levam o líquido para casa garantem que seus familiares dispensam médico e remédios. Apesar disto, o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), a quem o PNB está subordinado, divulgou boletim dizendo que aquela água está contaminada. O comunicado se baseia em análises feitas pela CAESB (Companhia de Águas e Esgotos de Brasília). É estranhável que não se faz referência à pesquisa da UnB (Universidade de Brasília), que considerou aquela água passível de contaminação só depois de fortes chuvas. Sim, porque, além de enxurrada e infiltração, a mina é coberta por frondosas árvores, de onde pinga água que pode conter impurezas. Assim, surgiu um clima de suspeitas sobre essa água polêmica. Uns vêem por trás da denúncia as engarrafadoras de água mineral querendo acabar com o tanto de gente que se abastece no PNB. Outros julgam a CAESB de olho num PNB sendo apenas reserva florestal, para que ela possa captar a água de lá e viabilizar a urbanização pretendida pelo governador Roriz do Setor Noroeste. E há os que dizem fazer a denúncia parte do esquema de depreciação do PNB, para privatizá-lo ou terceirizá-lo baratinho. Neste contexto, a Associação dos Amigos do PNB fica entre calada e muda, embora tenha um mural mata-passarinho para firmar posição. E quem cala, consente.



 
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