Garimpo destrói homem e natureza Garimpeiros foram flagrados, em Mato Grosso, com 170 gramas de pasta de cocaína, além de porte ilegal de armas. O fato ocorreu em batida policial realizada em garimpos nos rios Teles Pires e Peixoto de Azevedo, onde foram encontradas também 200 dragas escariantes, proibidas por lei. Até agora os garimpeiros se destacavam por serem os maiores predadores do meio ambiente e por envenenarem os rios com mercúrio, provocando a morte ou o acúmulo desse metal em peixes e vegetais. Assim, todo homem que ingere pescado ou outro alimento contaminado com mercúrio, pode morrer ou contrair graves distúrbios e doenças, a longo prazo, inclusive câncer. Além de tudo isso, agora há uma novidade: o uso de pasta de cocaína, não se sabe ainda se para o consumo ou se para tráfico. ROMERO JUCÁ - A par do que foi achado em Mato Grosso, não menos graves foram os fatos ocorridos recentemente em Roraima. Para pressionar o Governo Federal a voltar atrás na sua disposição de fazer cumprir a lei (retirar os garimpeiros de áreas indígenas, proteger as terras e águas de Roraima e evitar incômodos à população da vizinha Venezuela, país que cuida da saúde de seus cidadãos), os garimpeiros, reunidos no centro de Boa Vista, incitaram a invasão do Palácio Episcopal e dos Correios, num claro desafio à ordem pública e à propriedade, privada e pública. O governador Romero Jucá - sempre apoiando os garimpeiros e de olho em sua candidatura ao Senado - anunciou, na ocasião, a liberação dos garimpos interditados poucos dias antes pela Polícia Federal, inclusive de pistas de aviação. Muitas destas são clandestinas e ilegais, afrontando a Aeronáutica brasileira, por não possuírem registro no Ministério da Aeronáutica e não oferecerem condições de segurança. E para completar o quadro, o presidente do Sindicato dos Garimpeiros de Roraima, José Teixeira Peixoto, foi preso, acusado de ter mandado matar um policial que investigava as inúmeras irregularidades e crimes praticados pelos garimpeiros.
Estudo do DNPM condena a atividade Entre 1980 e 1988, os garimpos instalados na Amazônia Legal foram responsáveis pelo lançamento de 1.800 toneladas de mercúrio na região. Neste mesmo período, o Brasil produziu 295 toneladas de ouro, sendo que 216 saíram dos garimpos e o restante da exploração industrial. Isso sem contar a enorme produção contrabandeada. Estes dados constam de uma pesquisa do 5º Distrito do Departamento Nacional de Produção Mineral - DNPM, sediado em Belém, juntamente com o Centro Tecnológico da Universidade do Pará - UFPA. A partir da análise de 641 amostras de sangue, cabelo, peixes, urina, sedimentos e solo, abrangendo 16.690 hectares, que representam toda a área de garimpo da Amazônia, os técnicos concluíram que a região está vivendo uma "tragédia silenciosa".
Nas Empresas PETROBRAS - a Petrobrás instalou, na Refinaria da Capuava (Santo André, SP), um sistema de aproveitamento de gás ácido, com o qual a indústria deixa de jogar na atmosfera 15 toneladas diárias de anidro sulfuroso. O investimento foi de 1,6 milhão de dólares. A Petrobras planeja aplicar mais 6 milhões de dólares, também em Capuava, no controle de efluentes líquidos que ainda são despejados no Rio Tamanduatei. ALCAN - Um ambicioso programa de reutilização de latas de alumínio, aquelas para embalar cervejas e refrigerantes, está sendo iniciado no segundo semestre deste ano, pela Reynolds (fabricante das latas), em conjunto com a Alcan Alumínio (produtor da matéria-prima) e as empresas de bebidas. A meta é reaproveitar 24 mil ton/ano de alumínio, num valor aproximado de 30 milhões de dólares, gerando, num prazo de cinco anos, cerca de 10 mil empregos, incluindo os catadores de latas e os envolvidos no sistema de troca do produto usado por bônus, para compra de alimentos em supermercados. CVRD - O Lago Batata, no Pará, deixou de receber os rejeitos de bauxita. A Mineração Rio do Norte (Oriximinã, PA), controlada pela Companhia Vale do Rio Doce, investiu 85 milhões de dólares em projeto que permite a deposição de rejeitos na própria mina, eliminando assim o assoreamento de lagos e rios, além de inundação de áreas de floresta. A empresa decidiu também proibir a caça, controlar a pesca e reflorestar com espécies nativas as terras afetadas por suas atividades.
A Folha do Meio Ambiente circulou pela 1ª vez em 23 de junho de 1989. Nestes 13 anos e nove meses, o jornal chegou a 104 países.
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