Editorial

Caro leitor

 

Cientistas, pesquisadores e astronautas correm todos os riscos ao mergulhar no espaço sideral para estudar e desvendar os mistérios do universo. E nessas andanças cósmicas por galáxias, planetas, satélites e estrelas a primeira coisa que procuram não é ouro, nem diamante e muito menos petróleo: é água, o elemento da vida. É a água que faz a diferença. Diferencia a Terra de todos os outros astros celestes.

O próprio planeta Terra tem mais água do que terra. O corpo de todos os animais tem mais água do que sangue. A água também seu valor espiritual: todas as religiões do mundo têm apenas uma coisa em comum: a água como fonte de purificação e de batismo para intronização de seus seguidores.

Usada para tudo, desde o embalar placentariamente o feto, produzir alimentos e saciar a sede dos seres vivos, a água é também usada para lavar os pecados dos homens. O que deveria ser protegido e venerado, é atacado por todas as frentes: na água a humanidade lança seu lixo mais fedido, mais sujo e mais tóxico, como os esgotos das casas e das indústrias e a química de pesticidas e adubos da agricultura.

Por que tanta agressão? Por que tanto desperdício? Por que ainda são raros os movimentos de proteção se a crise da água chegou para ficar? Sendo o recurso natural mais estratégico e mais precioso deste mundo, a água tinha que merecer muito mais atenção e uma defesa muito mais contundente de cada um dos seis bilhões de humanos que hoje apropriam diretamente mais do que a metade de toda água doce do mundo. Os organismos internacionais já fizeram a conta: 70% da água doce é usada para a agricultura, 23% pelas indústrias e apenas 8% para uso diretamente dos cidadãos na alimentação, na limpeza e em outras atividades domésticas.
A disputa é ferrenha entre nações, entre estados, municípios e entre fazendeiros. Ainda não está declarada, mas podem ter certeza que a guerra da água existe. E nesta guerra não haverá vencedores, apenas perdedores. Por que cada vez mais a água é disputada, é retirada dos mares, dos rios, dos córregos, dos lagos e dos aqüíferos para alimentar homens com sede, campos com sede, animais com sede, plantas com sede e indústrias com sede.
Nesta edição comemorativa pelo Dia Mundial da Água, além de mostrar que a crise de água doce afeta hoje cerca de 2,3 bilhões de pessoas, vamos conhecer algumas ações de cidadania pela água. Ações que por serem iniciativas de crianças aumentam muito nossa esperança de que esses movimentos sejam exemplos para serem espalhados por esse mundo afora. Mesmo porque, amigo leitor, a vida tem pressa. A vida corre perigo. A vida tem sede. E tem sede zero!
Obrigado,

Dear Reader:

Scientists, researchers and astronauts take all their chances when diving into space to study and to unveil the mysteries of the Universe. And in those cosmic travels through galaxies, planets, satellites and stars the very first thing which is searched for is not gold, diamonds or oil: it is water, the life giving element. It is water that makes the difference. It sets Earth apart from all other heavenly bodies.

Our very planet Earth has more water than land. The body of every animal has more water than blood. Water also has a spiritual value: all religions in the world have only one thing in common: water as a source of purification and baptism for spiritual elevation of its followers.

Used for everything, from packing the embryo in the placenta, producing food and to satisfy the thirst of living organisms, water is also used to wash the sins of humanity. What should be protected and venerated, is under attack from all sides: mankind disposes its dirtiest, most fetid, most toxic garbage, through the sewers of houses and industries as well as chemicals in the form of agricultural pesticides and fertilizers.

Why is there so much aggression? Why is there so much wastefulness? Why are the protection movements still few if the water crisis is a clear and present danger? Since it is the most strategical and most precious natural resource in this world, water had to deserve much more attention and a much more forceful defense from each one of the six billion human beings who today directly make use of more than half of all fresh water of the world. The international organizations have already done the math: 70% of the fresh water is used for agriculture, 23% for industries and only 8% for the direct use for human consumption, cleaning and other domestic activities.
It is a harsh dispute among nations, among states, among cities and among farmers. It has not been declared yet, but you can be certain that the water war does exist. And in this war there will be no winners, only losers. For more and more water is being disputed, removed from seas, rivers, streams, lakes and springs to feed thirsty humans, thirsty fields, thirsty animals, thirsty plants and thirsty industries.

In this commemorative edition for the World Water Day, besides showing that the fresh water crisis affects today about 2,3 billion people, we will meet some citizenship actions for water protection. Actions which, for being initiatives from children, highly increase our hopes that these movements will become examples to be spread throughout the entire world. Moreover because, reading friend, life is in a hurry. Life is in danger. Life is thirsty. And it has zero thirst!

Thank you, SG



 
Folha do Meio Ambiente


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