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Caro Leitor: Silvestre Gorgulho 05 de Maio de 2003 ![]()
Todo dia tem dono. Quando não é dia de santo, de uma data cívica, com certeza será dia de homenagear alguém, algum movimento ou, mesmo, é sempre dia de dar graças aos céus pela vida. Nesse sentido, você, amigo leitor, eu e todos os habitantes deste mundo de Deus, somos todos dono de cada dia que vivemos. Dia 5 de junho, por exemplo, é o Dia Mundial do Meio Ambiente. E é um dia tão importante que é comemorado em praticamente todas as nações do mundo, durante todo o mês de junho com palestras, estudos e atividades de cidadania. Nas escolas, nas empresas e nos órgãos públicos. É dia de refletir sobre o planeta Terra que habitamos e as conseqüências de nossas ações sobre o mundo em que vivemos. A Folha do Meio abre, nesta edição de maio, as comemorações pelo Dia Mundial do Meio Ambiente. Outro tema que destacamos é a exploração de Água Mineral no Brasil. E a discussão nasceu justamente em São Lourenço, MG, onde está uma das mais importantes fontes de água medicinal do mundo. A empresa que comercializa a água extraída em São Lourenço está sendo acusada pelos ambientalistas e pelo promotor da 1ª Vara de São Lourenço, Pedro Paulo Barretos Aina, de captar ilegalmente água mineral do Poço Primavera, no Parque da Cidade. O promotor apresentou como base para a denúncia inquérito civil público, motivado por um abaixo-assinado de 1.700 moradores. Todo este debate, motivado por uma audiência pública, está também nesta edição e desde já podemos tirar duas lições: primeiro, os ecossistemas, por mais generosos que sejam, têm limites. Se estes limites são infringidos ao ponto de retorno possível, eles podem ser revertidos, restabelecendo o equilíbrio. Caso contrário, é preciso que o homem interfira para restaurá-los; segunda lição: a Água Mineral é um recurso hídrico tão nobre que há necessidade de ser tratada em código próprio. Nem apenas de recurso hídrico e muito menos no código dos minerais, regido pelo DNPM. E, para finalizar, voltemos àquela velha história: falta de saneamento é a maior violência ambiental no Brasil e mata mais do que a violência comum, pois mata aos poucos e muito mais gente. Numa entrevista sobre a relação do saneamento com os recursos hídricos, o professor Raymundo Garrido mostra que sem saneamento qualquer programa social é paliativo e que as perspectivas não são nada boas para o Brasil, dada a importância social, econômica e ambiental do setor e o pouco investimento projetado. Amigo leitor, se todos os dias têm dono e se neste 5 de junho o dono é o meio ambiente, vamos aproveitar para fazer uma reflexão. Quem sabe refletir melhor esta frase que nasceu aqui na redação da Folha do Meio e vive a alimentar nossos sonhos: ninguém deve deixar de fazer, por só poder fazer muito pouco.
Dear Reader: Every day has an owner. When it is not a saint's day, or a civic date, certainly it will be a day to homage someone, some movement or, as a matter of fact, everyday is a day for giving thanks to the heavens above for life. In this sense, you, reading friend, myself and every inhabitant of God's world, we are all responsible for each day we live. On June 5th, for example, is the World Environment Day. And it is such an important day that it is practically celebrated in just about every nation around the world, during all the month of June with lectures, studies and citizenship activities. In schools, in companies and in public offices. It is a day to reflect about the planet Earth that we live in and the consequences of our actions on this very same world that is our home. Folha do Meio opens up, in this May edition, the commemorations for the World Environment Day. Another theme that we bring to your attention is the exploitation of Mineral Water in Brazil. This quarrel actually first came up in São Lourenço, Minas Gerais state, where one of the most important medicinal water springs of the world is located. The company which commercializes the water extracted in São Lourenço is being accused by environmentalists and by the promoter of the 1st Jurisdiction of São Lourenço, Pedro Paulo Barretos Aina, of illegally extracting mineral water from Primavera Well, in the town's City Park. The promoter presented as base for the public civil accusation charges, motivated by a signed petition from 1.700 local people. All this debate, motivated by a public hearing, is also in this edition and since now we can already learn two lessons: first, the ecosystems, no matter how large, they have limits. If these limits are broken to the point of possible return, them they can be reverted, reestablishing the balance. Otherwise, it is necessary for man to intervene in order to restore them; the second lesson: Mineral Water is such a noble water resource that it needs to be dealt with under its own laws. Not only as water resource nor under mineral laws, carried out by the DNPM (National Department of Mineral Production). And, to wrap up, let us go back to that old tale: lack of sanitation is the biggest environmental violence in Brazil which kills more than daily violence, because it slowly kills many more people. In an interview on the relation of sanitation with water resources, professor Raymundo Garrido proves that without sanitation any social program is merely palliative and that the perspectives are not so good for Brazil, given the social, economic and environmental importance of the sector and the limited planned investment. (Pages 30 the 34)
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