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PDBG - Primeira reportagem de uma série Baía de Guanabara: agonia de uma poluição sem fim Angélica Basthi 01 de Maio de 2003 ![]() Calcula-se que até agora foram gastos cerca de R$ 1,5 bilhão. E, incrível, a poluição na baía continua firme e forte,
A bela Baía A primeira fase do PDBG foi marcada pela ambição e grandiosidade. Ao captar parte do investimento necessário (total de US$ 991 milhões) no exterior, o programa ganhou projeção internacional. Do total, US$ 350 milhões são financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), US$ 244 milhões pela agência de cooperação internacional Japan Bank e US$ 396 milhões oriundos do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Hoje, de acordo com a assessoria do Meio Ambiente, parte dos recursos para a contrapartida do estado está sendo custeada com a publicação da previsão orçamentária para utilização de recursos, da ordem de R$ 92 milhões, do Fundo de Combate à Pobreza. Novos empréstimos junto ao Banco Japonês, da ordem de R$ 100 milhões, já haviam sido negociados pela administração anterior com o mesmo fim. Baía de promessas De acordo com o deputado Alessandro Calazans (PV), presidente da CPI da Baía, há obras que foram entregues fora das especificações contratuais e, por isso, até hoje não funcionam. A Usina de Lixo de São Gonçalo e Estação de Tratamento de Esgoto, as Etes, de lá não puderam funcionar até hoje porque estão fora das especificações. Os oito reservatórios de água, prontos há cinco anos, continuam vazios. Só nos reservatórios os gastos correspondem a R$ 60 milhões. Na época, o gestor não fez os estudos suficientes para identificar como levar a água até os reservatórios. Isso é uma aberração", denuncia o deputado. A maior indignação fica por conta dos cerca de R$ 130 milhões gastos nas Etes de Alegria, Pavuna e Sarapuí, dos quais R$ 70 milhões foram investidos nas duas últimas e R$ 60 milhões na Ete Alegria. Como estas ETE}s funcionam hoje com apenas 15% da sua capacidade, todo o esgoto continua sendo despejado in natura na baía. As denúncias sobre o mau uso do dinheiro público começaram em maio do ano passado, logo após a posse da governadora Benedita da Silva. Na época, o secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Agostinho Guerreiro, trouxe a público as irregularidades cometidas por gestões anteriores. O gesto provocou muitas críticas dos ambientalistas que questionavam até que ponto o então novo governo não compactuou com o silêncio durante a gestão de Anthony Garotinho. A principal razão para a desconfiança era o fato da vice-governadora na época ter sido Benedita da Silva. Novas denúncias As punições podem variar desde a prisão preventiva (caso confirme denúncia sobre uso de propina contra diretores da Adeg) até afastamento do serviço público e/ou ressarcimento do dinheiro ao erário. A CPI da Baía deverá funcionar até junho, com possibilidades de prorrogação. Embora o PDBG I esteja se revelando um fiasco em termos de administração pública, o governo do Estado do Rio já está negociando a segunda etapa do programa. Em março, a governadora Rosinha Garotinho reuniu-se com o presidente do BID, Enrique Iglesias, e conversaram sobre a manutenção do financiamento do banco no PDBG II, cujo orçamento total deverá chegar a US$ 402 milhões.
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