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Ações de Cidadania É tempo de Interagir E um grupo de jovens de Brasília resolveu brincar de mudar... Thais de Mendonça, de Brasília 01 de Maio de 2003 Eles não querem ser coadjuvantes, mas protagonistas. Recusam os chavões que se costuma impingir aos jovens, como os de "alienados", "individualistas" ou "não-participantes". Ao assumir a juventude como causa, um grupo de rapazes e moças de Brasília começou a tomar as rédeas de seu próprio destino, para provar que têm, sim, ideais, valores e princípios. Em junho de 2000, fundaram um sítio na internet: www.protagonismojuvenil.org.br . Pretendiam reunir e sensibilizar um número expressivo de pessoas que quisessem fazer algo pelos outros. O grupo, que começara a partir de um núcleo no Centro de Voluntariado do Distrito Federal, tomou o nome de Interagir. Isso era, na verdade, o que eles faziam desde tenra idade: agir em conjunto. Afinal, dos seis que iniciaram o movimento, cinco pertenciam a grupos escoteiros de Brasília. Hoje, o Interagir consegue juntar até 600 jovens de todo o Brasil e alguns do continente num Fórum de Protagonismo Juvenil uma vez por ano. E tem tantos projetos - muitos deles na área de meio ambiente - que seus membros fazem cursos de capacitação para ensinar a outros meninos e meninas a elaborar planos, gerenciar, captar recursos para tornar seus sonhos realidade.
Fazer agora
Carolina ainda não sabe que profissão escolher - pensa em Educação Física - porém, tem a convicção e a esperança de devotar a vida ao Terceiro Setor: "Quero viver para mudar a realidade do mundo. A gente sem ele vai pro espaço". O trabalho na área social, que cativa Carolina, seduz e apaixona os companheiros, muitos deles militantes do escotismo e do Movimento Bandeirante desde sete, oito anos de idade. É o caso de Mateus Fernandes, 21, que antes acompanhava os trabalhos do grupo, mas só entrou mesmo há seis meses, para ajudar transformar o grupo em ONG. Lúcido, com um olho no futuro profissional, Mateus faz Ciência da Computação na Universidade de Brasília e alinha os três motivos principais para integrar o grupo: 1) Crescimento pessoal - Aqui a gente se envolve e aprende a lidar com conflitos internos e externos. Nós conhecemos outras realidades; E acrescenta: "Não gostaria de viver 100 anos e descobrir que não fiz nada pelas pessoas. Não basta plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Eu quero fazer mais".
Foi justamente esse fazer, essa necessidade de não ficar parada o mote de atração de Mariana Cruz de Almeida Lima, 14 anos. Do colégio em que estuda, o Sigma - escola de alunos das classes média e alta de Brasília, conhecida pelo ensino sério e rigoroso -, a jovem sai para a periferia pobre, cantando um refrão de Gabriel o Pensador: "Até quando vou levar porrada? Até quando vou ouvir calada?" A inércia nunca agradou esta moça de olhar incisivo que, "antes de se sentir juventude", já tinha feito um curso de Políticas Públicas e sabia como elaborar um projeto para captação de recursos. "Um dos nossos lemas é: o que você faz bem, pode fazer bem a alguém. Partimos da idéia de que todo jovem tem sede de transformação, quer se envolver e muitas vezes não encontra oportunidade. E é aí que entra o Interagir, para oferecer essa chance." De 4 a 600 jovens interagindo
Thais de Mendonça, de Brasília Esses números justificam hoje a criação do Grupo Interagir e explicam seu crescimento. Somos um grupo de jovens determinados a se apoiar uns nos outros para tentar resolver problemas conjuntos, define Mateus Fernandes, 21, um dos membros dessa rede que não tem líderes. O objetivo é "extrapolar", acrescenta o jovem, esclarecendo: "Sair do alcance do seu braço", fugir ao individualismo. Se os jovens do passado faziam a revolução através do protesto, com a filiação a um partido ou organização política e até com o apoio à luta armada, os de hoje têm objetivos diferentes. "Hoje nós fazemos uma revolução silenciosa, não pelo discurso das palavras, e sim com acontecimentos. O que nós queremos é que o adolescente de hoje reflita sobre seu papel na sociedade e parta da reflexão para a ação." O Grupo Interagir começou a atuar em junho de 2000, com apenas seis jovens "motivados por ideais comuns". Primeiro, resolveram fundar um sítio na internet, convictos de que a ferramenta da comunicação seria vital para integrar, reunir e divulgar pensamentos. Em dezembro do mesmo ano, eles já eram 12 e se dividiram em duas equipes. Hoje, essa equipe capacita, forma e conscientiza centenas de adolescentes, que se engajam em projetos de outras organizações não governamentais, em áreas tão diferentes quanto meio ambiente e novas tecnologias, social e política.
"O negócio era começar", conta Clóvis Henrique Leite de Souza, 22, um dos primeiros a se encontrar no Centro de Voluntariado do Distrito Federal. "Não detínhamos conhecimento sobre projetos, então fomos procurar as pessoas que sabiam. Chamamos um cientista político, um especialista em projetos, e nos dedicamos a aprender temas relacionados à participação social, política e econômica. E fomos correr atrás dos nossos próprios projetos." Aquele grupo inicial foi crescendo também com as visitas às escolas. Jovem falando com jovem. "Um gambá cheira o outro", lembra Clóvis, defendendo a expansão do Interagir a partir das salas de aula do ensino médio, quando rapazes e moças escutam outras pessoas como eles estimulando-os a agir. "Não é só assistencialismo, não nos basta levar comida a uma creche uma vez por ano e achar que estamos fazendo um bem social. É ver além, pensar num horizonte mais amplo, enxergar a comunidade, o Brasil. É brincar de mudar." Com o slogan "Faça de seu presente um presente para o mundo", o Grupo Interagir vai fazer, entre os dias 21 e 22 de junho, o 3ª Fórum de Protagonismo Juvenil do DF. Já estão acontecendo vários eventos preparatórios, como o "Impacto das imagens e mensagens na vida das pessoas", que ocorreu no último fim de semana de maio. Nesse próximo fórum, onde se espera reunir 600 jovens, o tema será, bem a propósito: ?Uma volta ao Brasil?. Mais informações:
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