Recursos Hídricos: poluição sem fim

Pintou sugeira no rio Capibaribe

Tinta de mais de 100 lavanderias de Toritama poluem o rio porque empresários se recusam a tratar efluentes

Silvestre Gorgulho

Nem sempre o emprego pleno significa qualidade de vida da população. Veja o caso do município de Toritama, no agreste pernambucano, que é responsável pela produção de 25% do jeans produzido no Brasil. O índice de desemprego no município é quase zero. São dados para uma grande comemoração, se não fosse o problema ambiental que a atividade gera: as lavanderias não possuem sistema de tratamento dos efluentes e a água que utilizam para o tingimento das peças é descartada, sem tratamento, no rio Capibaribe, que corta a região. Uma tristeza! Técnicos da Companhia Pernambucana do Meio Ambiente (CPRH) fiscalizaram, no início de agosto, dez lavanderias. Apenas uma deixou de ser autuada, porque o responsável não foi localizado. As demais, levaram um auto de constatação, por estarem despejando no rio Capibaribe a água do processo de tingimento. Infração ambiental considerada grave.


O diretor da CPRH foi vê de perto canal que leva água azulada das lavanderias para o Capibaribe

 


Lenha usada nas lavanderias é depositada
nas ruas de Toritama


Técnico da CPRH investiga saída da
água usada pela lavanderia, que vai direto para o rio Capibaribe

A água que sai das lavanderias é despejada nas canaletas de águas pluviais ou conduzida diretamente ao rio, a céu aberto. "Após receber os efluentes industriais das lavanderias, o rio fica com uma coloração azulada, devido à pigmentação utilizada para colorir as roupas", explica o diretor de controle ambiental da CPRH, Geraldo Miranda De acordo com Miranda, há três anos o órgão ambiental vem tentando que os empresários locais implantem sistema de tratamento dos efluentes. "Como não houve avanço, por parte dos proprietários das lavanderias, para resolver o problema, estamos tomando a iniciativa da autuação", enfatiza. Os autos aplicados serão julgados pelo colegiado da CPRH, quando será decidido o valor da multa, que pode variar de R$ 2,2 mil a R$ 110 mil as nove empresas.

Termo de Ajustamento
O Ministério Público vai receber a relação das empresas autuadas e multadas pela CPRH e convocá-las para firmar um Termo de Ajustamento de Conduta. "O promotor de Toritama, Sérgio Gadelha, está dando esta chance aos proprietários, para que se adeqüem à legislação ambiental e parem de poluir o rio", comenta Miranda. O CPRH pretende, junto com o Ministério Público e a prefeitura de Toritama, realizar um diagnóstico no município, para identificar a quantidade de lavanderias existente, o material que utilizam para tingir o jeans, o volume de água utilizada no processo e, o que é mais importante, o tratamento que será dado aos efluentes jogados no Capibaribe.

Centenas de lavanderias sem licenciamento

Embora a informação formal seja de que existam cerca de 75 lavanderias em funcionamento em Toritama (nenhuma com o licenciamento da CPRH), os próprios moradores informam que são mais de cem, contando com as de pequeno porte, que funcionam no interior das residências.

A água chega às lavanderias nos caminhões-pipa ou é retirada do subsolo. O processo de tingimento das roupas chega a consumir 40 litros d'água para cada peça lavada. As empresas de grande porte consomem, em média, 200 mil litros/dia. "É preciso que os empresários atentem, não só para a poluição que estão causando ao rio, mas também ao dinheiro que estão deixando de ganhar, por não reaproveitarem toda essa água", enfatiza Miranda.

A lenha utilizada nas caldeiras ocupa os galpões das lavanderias e, quando não há espaço suficiente, é colocada na frente das empresas. A informação é de que a lenha é comprada no estado da Paraíba. "Sobre o uso da lenha, o promotor vai solicitar que o Ibama realize uma fiscalização", comenta o diretor da CPRH.

Mais informações: Diretoria de Controle Ambiental CPRH (81) 3267-1803
Promotor de Justiça de Toritama - (81) 3741-1111

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