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Amazônia Amazonas: Eduardo Braga vai criar Zona Franca Verde Secretário de Meio Ambiente preocupado com desmatamento quer riqueza da floresta ao alcance da população, mas de forma sustentável Loredana Kotinski, de Manaus 01 de Setembro de 2003 No mês em que se comemora a Independência do Brasil o Amazonas também comemorou seu dia, 5 de setembro. E o governo do estado aproveitou para lançar mais uma etapa do Programa Zona Franca Verde de desenvolvimento sustentável, que parece mesmo ter a missão de se tornar o grito de liberdade econômica do povo amazônico. Foi anunciada, na ocasião, a criação de sete áreas naturais protegidas em Manaus e em municípios dointerior, totalizando mais de quatro milhões de hectares de floresta e lagos, que serão em parte preservados e em parte explorados de forma sustentável. O secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, professor Virgílio Viana, que dirige o Programa Zona Franca Verde, falou da situação socioambiental do estado e do que essas áreas significam para a população da região e revelou números alarmantes que deixam claro os contrastes dessa parte do País. Mais de 80% dos igarapés de Manaus estão poluídos, cobertos de lixo de todos os tipos. Não há dados sobre a devastação das matas, mas sabe-se que as invasões de terrenos seguem para as áreas onde há floresta. ![]()
Folha do Meio - Como o senhor define a situação socioambiental do Amazonas hoje? E do ribeirinho, aquele que tira madeira com machado, passou a ser cobrada ATPF e outros documentos. Novamente, ele se viu obrigado a desistir de sobreviver cortando e vendendo madeira. E o êxodo rural aumentou. O homem da floresta foi para as sedes dos municípios ou veio para Manaus. O que se vê, atualmente, são calhas de rios inteiros sendo esvaziados. Enquanto na capital há um inchaço populacional e um crescimento desordenado que vem provocando desmatamentos, aumento de lixo, poluição de igarapés e uma situação socioeconômica preocupante. Só para se ter uma idéia, mais de 80% dos igarapés de Manaus estão poluídos, cobertos de lixo de todos os tipos. Não há dados sobre a devastação das matas, mas sabe-se que as invasões de terrenos seguem para as áreas onde há floresta. FMA - E o povo que ficou no interior, como está hoje? FMA - Apesar de ter havido essa quebra na exploração de madeira e pescado, há informações de que o desmatamento no Amazonas prossegue e de que os recursos pesqueiros andam ameaçados, não é verdade? A leste do estado ocorre a maior pressão sobre a pesca e já tem lagos inteiros sem nenhum peixe. É o caso do lago dos Reis, no município de Careiro. Ali a pressão foi tanta que a população não tem como retirar o alimento do próprio ambiente. O rio Amazonas, próximo a fronteira com o Pará, é um dos mais prejudicados com a pesca desordenada e predatória. FMA - Com tantos problemas e dimensões tão grandes o Amazonas parece mesmo fadado a perder suas riquezas naturais e ver seu povo passar fome...
Zona Franca Verde: FMA - Mas o que é o Zona Franca Verde? E o primeiro passo para consolidar esse programa, que já foi lançado e está sendo implementado nas regiões do Alto Solimões e do Juruá, e no município de Maués, é desburocratizar a legislação ambiental em vigor, tornando-a acessível ao homem do interior. A minuta, com as regras simplificadas e que privilegia aqueles que quiserem trabalhar de forma a manter a floresta em pé em vez de derrubá-la, já está pronta e deverá ser encaminhada ainda este ano pelo governador Eduardo Braga à Assembléia Legislativa do Estado. Depois disso aprovado, iremos colocar pontos com internet nos municípios do interior para que o homem da floresta possa tirar sua autorização, para exploração da mata de forma sustentável, sem muita burocracia. Esse é um passo muito importante. FMA - Mas quanto ao fomento de sistemas de produção? Um bom exemplo é o da produção de 10 mil carteiras escolares que o Estado comprou para a rede pública de ensino e que foram produzidas com madeira com selo verde, no município de Itacoatiara, pela Associação dos Moveleiros de lá. São as primeiras carteiras com madeira certificada produzidas no Brasil e estão gerando mais de 80 empregos diretos. Isso é Zona Franca Verde. FMA - Essa proposta da Zona Franca Verde não chega a ser utópica, visto que há tanto a ser feito e isso deve levar muito tempo e o programa pode se perder nesse caminho? Até porque, hoje, os maiores compradores de madeira tropical estão em São Paulo e não no exterior. Então se o Brasil não conscientizar o Brasil de que precisa se unir para proteger suas riquezas naturais, iremos sumir com elas. E a Zona Franca Verde é uma chance inédita de escrevermos um capítulo diferente de uma história que está predestinada a repetir a mesma da Mata Atlântica. Entenda o que é a Zona Franca Verde A melhor explicação é um bom exemplo. A noroeste do Amazonas, o micro empresário José Carlos extraía dez quilos de óleo de andiroba por hora, usando de energia solar e uma telha de alumínio. O produto era comercializado no Amazonas a preços pouco rentáveis, incapazes de promover a ampliação do negócio. Inserido no Programa Zona Franca Verde (ZFV), ele passou a produzir 40 quilos por hora. Tudo graças a aquisição de uma máquina que faz o serviço mais rápido e com menos desperdício. A compra do equipamento foi feita com dinheiro de um financiamento concedido pela Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) por meio da linha de crédito Pró-Floresta criada para atender participante do Zona Franca Verde. O exemplo é um dos casos considerados simbólicos sobre como o ZFV pode mudar a realidade do povo do Amazonas, citado pelo secretário executivo de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado, João Matos. De acordo com ele, a história de crescimento empresarial de José Carlos está apenas começando. Matos disse que na fase atual, técnicos da Agência de Florestas e Negócios Sustentáveis do Governo do Amazonas estão buscando em São Paulo - maior comprador do óleo de andiroba - empresários que queiram se tornar parceiros do micro empresários amazonense. "A idéia é abrir mercado para o produto de José Carlos e possibilitar que os empresários tanto adquiram o óleo de andiroba aqui e com preços competitivos, quanto tenham interesse em ajudar a aumentar o negócio de José Carlos, por meio de uma parceria." Isso, explica Matos, é bem diferente do que ocorria. Antes, os compradores chegavam e pagavam qualquer preço pelos produtos da floresta porque os produtores locais não estavam capitalizados e nem preparados para o mercado externo. Hoje, eles possuem financiamento, orientação técnica e buscam parceria, não a venda dos domínios das riquezas naturais do Amazonas. Com isso, ele deixa claro que as portas do estado para que empresários de todo o Brasil e o mundo sejam parceiros e compradores dos produtos da floresta estão abertas. (LK)
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