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Amazônia e a Mídia Jornalistas conhecem a realidade das queimadas Para governador Jorge Viana "o Acre é fumante passivo" das queimadas da Bolívia, Rondônia e Mato Grosso Alexandre Accioly, de Rio Branco 01 de Setembro de 2003 Os 183 jornalistas participantes do I Encontro Internacional de Jornalismo Ambiental da Amazônia - reunião inédita no Brasil - foram à floresta conhecer uma de suas faces mais trágicas: as queimadas! Durante os três dias que estiveram em Rio Branco, Acre, não foi possível ver o sol, nem a lua, nem o azul do céu, tomado por densa fumaça proveniente de milhares de queimadas nas florestas da região. Para o governador Jorge Viana, o Acre é "fumante passivo" das queimadas da Bolívia, de Rondônia e de Mato Grosso. É possível, mas nos 200 quilômetros que separam a capital da cidade de Xapuri, o que se vê nos dois lados da estrada é o fogo destruindo a floresta, onde castanheiras sobreviventes agonizam durante anos até a morte. ![]()
"É verdade, não existe praticamente nenhuma floresta na beira da estrada. Essa é a nossa herança e o Chico Mendes morreu lutando por causa dela. Mas nosso governo encontrou um jeito novo de fazer estrada. Nas estradas que estamos fazendo hoje há a política das audiências públicas, onde proibimos desmatar nas beiras das estradas. É o único estado que faz isso. Queremos a floresta viabilizando a estrada e não o contrário", afirma Jorge Viana. Carta de Rio Branco Participaram jornalistas brasileiros e de outros países da América do Sul, como Guiana Francesa, Suriname, Chile, Bolívia e Peru. A abertura se deu num anfiteatro construído no meio da floresta do Seringal Cachoeira, município de Xapuri, onde todos puderam conhecer um pouco da história do Acre, da luta dos seringueiros e da saga de Chico Mendes. A visita foi prestigiada pelo governador, pelo ministro da Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano, pelo desenhista Maurício de Souza e por lideranças políticas e sindicais da região. Desenvolvimento sustentável, recursos hídricos, certificação florestal, biopirataria, projeto Sivam, direito ambiental, unidades de conservação e o novo conceito de florestania foram alguns dos temas tratados. O II Encontro Internacional de Jornalismo Ambiental da Amazônia está previsto para acontecer em setembro de 2005, na cidade de Belém do Pará. Florestania: a cidadania da floresta
O governador do Acre, Jorge Viana, é defensor do manejo sustentável da floresta amazônica. Costuma viajar pelo mundo divulgando os novos conceitos de preservação ambiental que está implementando no Acre, como a florestania, neologismo criado porque lá entende-se que lembra cidade e não cidadão. Segundo Jorge Viana, "nós não aceitamos o conceito de cidadania, que lembra cidade, coisa urbana. Nós somos um povo da floresta e chegamos a um conceito novo, que é a florestania, a cidadania do povo que vive na Amazônia. Florestania é a felicidade, é o respeito ao meio ambiente, mas também é ganhar dinheiro sem destruir a floresta. É ter algo absolutamente moderno, é associar a valorização da história do nosso povo, dos índios, dos seringueiros, com a tecnologia, a ciência e a modernidade e disso tirar o mundo novo que buscamos". Na verdade, a história do Acre é uma bela lição de luta pela liberdade e pela sobrevivência do homem na floresta. O governador segue o caminho de seus antepassados Galvez e Chico Mendes. Depois de implantar com sucesso o manejo comunitário, o Acre é o primeiro estado brasileiro a ter a certificação internacional da madeira, a FSC. Também é o primeiro a criar florestas públicas. Quem quer usar os recursos florestais tem que atender aos interesses públicos. O governo do Acre, apoiado por ONGs e movimentos civis organizados, está trabalhando para que o estado tenha os melhores indicadores sociais e econômicos da região amazônica, uma meta ambiciosa, mas possível, uma vez que está baseada na ótica do desenvolvimento sustentável e dos produtos certificados e, nessa vertente da economia, o Acre está muito à frente de qualquer outro estado da Federação. Lá, a floresta que restou está sendo explorada com a sabedoria de que não é um lugar para se plantar, mas de colher e ganhar dinheiro com o conhecimento de seus mecanismos naturais. Com a borracha que se transforma no couro vegetal, por exemplo, com a castanha, os artesanatos, os fármacos e os cosméticos. Enfim, uma região que caminha, como gosta de citar o governador, ao estilo dos versos de Thiago de Mello: não é preciso encontrar um novo caminho, mas sim encontrar uma nova maneira de caminhar. O jornalismo ambiental, por exemplo, parece ter encontrado uma nova maneira de caminhar quando foi ao Acre, a Xapuri, ao Seringal Cachoeira, para discutir meio ambiente, conhecer novas filosofias e respirar fumaça, muita fumaça. (AA)
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