Folha do Meio HÁ 14 ANOS

Da redação

 

A comunidade é quem decide
Tese do pesquisador José Fernando Morais: a conservação dos recursos naturais em bacias hidrográficas tem que ser socialmente justa. Secretário de Recursos Naturais do Ministério da Agricultura, Fernando Morais é responsável pela condução do Programa Nacional de Microbacias Hidrográficas, que busca o apoio conjunto dos poderes públicos municipal, estatal e federal no desenvolvimento integrado de comunidades rurais, organizadas em função de uma microbacia, e que privilegia o manejo e a conservação de solos, a recuperação de florestas e de mananciais hídricos, bem como a melhoria do equilíbrio ambiental.

Atento às desigualdades entre comunidades urbanas e rurais, o secretário relaciona dois princípios do que pode se chamar de "ecologia social", previstos no programa:
1) As comunidades rurais precisam ser tão bem atendidas em serviços públicos quanto as cidades;
2) O meio ambiente começa no meio da gente.

As comunidades rurais precisam
ser tão bem atendidas em serviços
públicos quanto as cidades

Como preconiza o Programa de Microbacias, Morais defende que os projetos de conservação de recursos naturais devam nascer da decisão da comunidade e que os governos ajudem naquilo que for necessário. "Só assim, respeitando a visão do problema destes cidadãos, e agindo interativamente é que se terá uma consciência da necessidade de conservação. Respeitar sua decisão é reconhecê-los integrante do meio ambiente", observa.
Baseando-se nos custos da conservação de solos, mananciais, flora, fauna e do trabalho extra que isto acarreta - de que se beneficia a sociedade urbana -, o secretário também acha necessário algum tipo de retribuição, por parte desta sociedade, ao seu esforço conservacionista, através de benefícios e serviços públicos. Ele ilustra sua tese com o exemplo norte-americano, onde o proprietário, que exerce um manejo conservacionista nas cabeceiras dos cursos d'água, recebe do governo mais benefícios dos que estão à jusante.

O Programa de Microbacias, segundo Morais, tenta resgatar parte desta dívida. Ele procura levar às pequenas comunidades rurais todo o conhecimento técnico disponível, através de pesquisas científicas e aporte de assistência técnica no local, pois, na sua opinião, sem livre acesso ao conhecimento científico da natureza não há conservação. Por fim, um lembrete: de inúmeras microbacias é que se fazem as grandes bacias onde se instalam as grandes barragens, para onde, normalmente, se voltam as preocupações ecológicas.

SALÃO DE PROJETOS
O Salão de Projetos é um "mercado ambulante de idéias" presente nos eventos da área de meio ambiente

Salão de Projetos não se restringe e não se extingue com o Seminário sobre Recursos Externos em Projeto de Meio Ambiente: Possibilidades e Critérios Brasileiros. Ele pode ser uma espécie de "mercado ambulante de idéias e projetos" e se fará presente nos principais eventos nacionais e internacionais da área de meio ambiente.

O projeto apresentado nesta primeira versão do Salão, após análise criteriosa de especialistas ambientais, será a entrada inicial deste acervo. Daí se produzirá um catálogo, que é outra forma de manifestação física do Salão, e que serão atualizado paulatinamente, para incorporar novos projetos e novas idéias. Os empreendedores, os conservacionistas, os ambientalistas, os estudiosos, a comunidade científica, as universidades, o setor público e o meio financeiro, entre outros, poderão encontrar, a tempo e à mão, o locus adequado para o livre trânsito de suas idéias e para a realização de seus projetos.

A Folha do Meio Ambiente circulou pela 1ª vez em 23 de junho de 1989.
De uma tiragem inicial de três mil exempla

res, o jornal chegou aos 75 mil exemplares no final da década de 90. Hoje tira 22 mil exemplares. Nestes 14 anos, o jornal passou a chegar a 3.250 municípios, a todos os postos diplomáticos brasileiros no exterior, a todas embaixadas estrangeiras no Brasil e a mais de 15 mil escolas no Brasil.

folhadomeio@folhadomeio.com.br


 
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