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Biossegurança Governo muda política de biossegurança Projeto de lei número 2.401 perdeu a urgência e será votado só depois de fevereiro de 2004 Milano Lopes 04 de Novembro de 2003 O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, encaminhou ao Congresso o projeto de lei nº 2.401, de 2003, introduzindo várias modificações na política de biossegurança do País, destacando-se a criação do Conselho Nacional de Biossegurança - CNBS - com responsabilidade de gestão da política de biossegurança e a transformação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio - de instância decisória em instância consultiva. O texto resultou de intensas negociações entre os dois grupos que se degladiaram dentro do Governo: um liderado pela Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, defendendo um controle mais rígido dos transgênicos, com fundamento no instituto da precaução; o outro, comandado pelo Ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, sustentando a liberação dos Organismos Greneticamente Modificados - OGMs - tanto para o plantio como para a comercialização. No centro da disputa a soja transgênica. Foi designado relator da matéria o líder do Governo, deputado Aldo Rebelo (PCdo B - SP) que já recebeu mais de 200 emendas ao projeto. Seu parecer deverá ser conhecido apenas em fevereiro de 2004, já que foi retirado o pedido de urgência do projeto de lei.
A opção encontrada pelo Governo para resolver a disputa foi criar um órgão de nível ministerial, com a participação de onze ministros e mais o Secretário Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República. O CNBS será presidido pelo Ministro Chefe do Gabinete Civil e se reunirá sempre que for por ele convocado, ou por iniciativa de quatro dos ministros integrantes, deliberando mediante resolução. Conforme o projeto, se um OGM for proibido pela CTNBio a decisão será terminativa e não haverá contestação. Se for favorável, a decisão será submetida aos órgãos e entidades de registro e fiscalização dos Ministérios da Saúde, Agricultura, Meio Ambiente e Secretaria de Pesca. Se não houver acordo sobre a liberação, a decisão será levada ao CNBS que dará a palavra final. A CTNBio perdeu seu poder deliberativo de última instância, mas conservou ou teve ampliada sua competência. Composta de 26 membros, entre os quais, representantes de oito ministérios e mais dez especialistas de ?notório saber científico e técnico?, a CTNBio tem a atribuição de prestar apoio técnico consultivo e de assessoramento ao CNBS na formulação do Plano Nacional de Biossegurança - PNB - de OGM e seus derivados. Também é sua tarefa ?proceder à análise de avaliação de risco, caso a caso, relativamente a atividades e projetos que envolvam OGM e seus derivados, a ela encaminhados.? Pode, além disso, emitir parecer técnico prévio, caso a caso, de caráter conclusivo, sobre atividades, consumo ou qualquer liberação no meio ambiente de OGM e seus derivados, incluindo sua classificação quanto ao grau de risco e nível de biossegurança exigido. Porém, a emissão do registro e autorização ou licenciamento de produtos contendo OGM e seus derivados a serem comercializados, não é mais atribuição do CTNBio, mas dos órgãos e entidades de registro e fiscalização dos Ministérios da Saúde, Agricultura, Meio Ambiente e Secretaria de Pesca. Frente em Defesa da Biotecnologia debate com parlamentares Caberá a esses mesmos órgãos - e não mais à CTNBio - a ?expedição de autorização temporária de experimento de campo com OGM e seus derivados.? Ficou, contudo, com a CTNBio, a atribuição de ?emitir parecer sobre qualidade em biossegurança, com vistas à Autorização Específica de Funcionamento, para o desenvolvimento de atividades com OGM e seus derivados em laboratório, instituição ou empresa. O parecer será da CTNBio, mas a última palavra, para conceder ou não a autorização, ficou também centralizada nos Ministérios da Saúde, Agricultura e Meio Ambiente. Também a esses três Ministérios caberá aplicar as multas previstas no projeto de lei aos responsáveis por danos ao meio ambiente e a terceiros. Importante: as multas, que vão de dois mil reais a um milhão e meio de reais, proporcionalmente à gravidade da infração, poderão ser aplicadas cumulativamente com outras penas. Cientistas contra Para o pesquisador Aluísio Boren, os cientistas querem prazos definidos para licenciamento e autorização para pesquisa. Como foi retirado o pedido de urgência para o projeto, o líder do governo na Câmara, deputado Aldo Rebelo, adiou para 2004 a apresentação do parecer que estava previsto para segunda semana de dezembro. A tendência será liberar a pesquisa para transgênicos, acabando com vários entraves burocráticos.
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