Coluna do Meio

Silvestre Gorgulho

Não é história de pescador
Mato Grosso do Sul e Mato Grosso parecem estados irmãos. Compartilham os mesmo maravilhoso Pantanal, os mesmos grandes rios e a mesma sede de desenvolvimento. Poderiam se dar as mãos, pelo menos quando o assunto é pesca e defeso da piracema. Mas aí começam as disputas. Discussões que envolvem o governo federal e acabam por prejudicar o desenvolvimento sustentável da região.

Vejam bem: espertamente, Mato Grosso do Sul definiu de forma antecipada o período de defeso da piracema (de 03 de novembro de 2003 a 31 de janeiro de 2004) e criou um fato consumado. Para os técnicos do Ibama esse período deveria ir, pelo menos, até o dia 16 de fevereiro.

Preocupado pela discrepância de datas (e pressionado politicamente) o Ibama promoveu uma reunião de conciliação em Brasília entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

O governador Zeca do PT mandou seu secretário Márcio Porto Carrero com dados técnicos e um recado de autoridade amiga do poder:

- Diga lá que dia primeiro de fevereiro eu já marquei a minha pescaria. Quem sabe levo até o presidente.

Feita a reunião de conciliação, o secretário de Mato Grosso do Sul bateu o pé e foi no mínimo audacioso:

- Busco solução para meu estado e quero que os peixes lá do Mato Grosso se danem...

Pobres dos peixes que nem conhecem as fronteiras geográficas e muito menos políticas.

Para não jogar mais lenha na fogueira de vaidades, o Ibama deu uma de mineiro e contornou a questão, respaldando-se num argumento técnico-sócioturístico: como em Mato Grosso se faz pesca profissional e em Mato Grosso do Sul se faz mais pesca esportiva pelos turistas, a data oficial ficou assim: fica mantida a data do defeso da piracema nos dois estados para 03/11/2003 a 16/02/2004.

Mas - aí que vem a solução mineira - como no Sul a atividade turística é importante e se faz mais pesca amadora, fica permitida a pesca a partir de primeiro de fevereiro de 2004, desde que na modalidade pesque e solte.

Ou seja, Zeca do PT pode pescar, mas tem que soltar os peixes nas águas que, por sinal, vêm lá do Mato Grosso.
Não parece história de pescador?

Experimente... e pense..
Como o jornalismo contemporâneo procura estar mais afinado com seus anunciantes do que com os leitores, tem razão o médico e escritor Dráuzio Varella quando diz ser um absurdo, até antiético, o que as cervejarias vem fazendo para atrair os jovens e as mulheres.

A estratégia, aliás, é a mesma usada pelas empresas de cigarro para viciar jovens e mulheres nas décadas passadas: paga-se cachê a peso de ouro para modelos, artistas e esportistas aparecerem fumando perante as câmaras de tv e do cinema.

A verdade é que as cervejarias usam os meios de comunicação, a publicidade e eventos para saírem por aí oferecendo bebida alcólica aos adolescentes. Aliás, com muito charme e humor.

As ONGs e o crime organizado
A história humana ensina e prova que em todas atividades há joio e trigo.
E o crime é tão bem organizado que aproveita o que é bom para se infiltrar e faturar com mais tranquilidade.

Veja que as ONGs ganharam relevância e respeitabilidade por desenvolver trabalhos sociais em várias partes do mundo, em áreas que os próprios governos teimam, muitas vezes, em não atuar.

Assim, acendeu um sinal de alerta: as autoridades descobriram que um coreano recebeu em doações US$ 2 milhões para uma série de ONGs espalhadas pelo Paraná. O Banco Central, ao considerar o dinheiro suspeito, ainda descobriu que o tal coreano está sendo investigado nos Estados Unidos e legaliza dinheiro sujo através de ONGs no Brasil. Todo cuidado é pouco.

"Fica decretado que haverá girassóis em todas as janelas.
E que as janelas devem permanecer o dia inteiro abertas para o
verde onde cresce a esperança"
Thiago de Mello

silvestre@FolhadoMeio.com.br


 
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