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Reserva Particular do Patrimônio Natural O exemplo ecológico de Rachel de Queiroz A fazenda Não Me Deixes é uma bela RPPN - Reserva Particular do Patrimônio Natural Silvestre Gorgulho 04 de Novembro de 2003 A escritora Rachel de Queiroz, que morreu dia 04 de novembro, tinha uma estreita relação com a Folha do Meio. Em carta à redação, datada de 21 de maio de 1998, ela dizia que "a Folha do Meio Ambiente é uma espécie de catecismo para difundir a causa do ambientalismo". A pedido de um amigo comum, Ayrton Carneiro, na época auditor do Ibama, nosso jornal acabou fazendo a placa que foi fixada na entrada da fazenda, para anunciá-la como Reserva Particular do Patrimônio Natural. Feita a placa, Rachel de Queiroz fez questão de agradecer: "Agradeço, desde já, a solicitude com que o você, Silvestre Gorgulho, atendeu ao meu pedido da confecção da placa para colocar na minha fazenda "Não Me Deixes", em Quixadá, anunciado-a como Reserva Particular do Patrimônio Natural. Gostaria que a placa constasse apenas o nome da fazenda e os dizeres oficiais. Não vamos colocar nenhuma frase, pois isso seria coisa de literata e lá eu sou apenas fazendeira. Além do mais o nome da fazenda - Não Me Deixes - nome muito antigo já é uma frase completa, Rachel de Queiroz". ![]() Por que Não Me Deixes - Em 1870, o tio-avô de Rachel deu de herança a terra para um primo da escritora que preferiu vendê-la para se aventurar na extração da borracha, no Amazonas. Quando o tio soube, conseguiu recuperar a fazenda e devolveu para o herdeiro que voltou da aventura amazônica pobre e doente. Mas o fez prometer duas coisas: que ele não sairia mais da fazenda e que, por isso, a batizaria de Não Me Deixes. Quando o proprietário da fazenda morreu, sem herdeiros, a terra voltou para as mãos do avô de Rachel que a deu de herança ao pai da escritora, Daniel de Queiroz. Rachel e o marido Oyama construíram a casa em 1955. Tudo com material da própria fazenda. Rachel era uma ambientalista e sempre procurou preservar as áreas verdes, a caatinga, a fauna e flora da fazenda. Em 1998, em carta ao então presidente do Ibama, Eduardo Martins, Rachel propõe criar na Não Me Deixes uma RPPN - Reserva Particular do Patrimônio Natural. O reconhecimento foi autorizado pelo ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, pelo decreto 1922 de 5 de junho de 1998. O Ibama classificou a área como "uma reserva representativa de ecossistemas da Caatinga, fauna e floras tropicais da região e relevante beleza cênica''. Rachel gravou em cartório um compromisso para proteger a biodiversidade, em benefício das futuras gerações.
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