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Semana da Água Por que a ONU criou o Dia Mundial da Água? Raymundo Garrido 01 de Março de 2004 ![]() Há onze anos, as Nações Unidas criaram uma data especial para que o mundo inteiro refletisse sobre a importância da água e para que essa fosse uma ocasião especial para se revisitar a agenda da cidadania pela água Desde 1993, o Brasil tem cumprido regularmente essa determinação e faz da penúltima semana de março um tempo de trabalho, de estudos e de movimentos que buscam
Em 2002, Johannersburg adotou a meta de se chegar ao ano de 2015 com a redução para a metade do número de pessoas em todo o planeta sem acesso a água potável e a serviços adequados de saneamento. Nenhuma indicação, entretanto, foi dada quanto aos meios para o alcance dessa meta, nem quanto a financiamento muito menos sobre as grandes linhas dessa retardatária decisão. O Brasil tem procurado fazer a sua parte, mas ainda é pouco para o que se tem que fazer. O principal problema é o tratamento de esgotos das cidades, cuja cobertura dos serviços é acanhada. Reconhece-se que, mesmo sem uma legislação clara para o saneamento ambiental, as grandes aglomerações urbanas brasileiras vão, pouco a pouco e por meio de diversos programas, vencendo o seu passivo no tratamento desses esgotos. A Agência Nacional de Águas criativamente desenvolveu o Programa de Despoluição de Bacias - Prodes, de espetacular efeito demonstrativo sobre como se pode rapidamente disseminar a solução. Quero retomar, entretanto, uma iniciativa que vem de 1995, quando Paulo Romano, então secretário de Recursos Hídricos do MMA, lançou o Movimento da Cidadania pelas Águas. Ele partiu de uma idéia simples: sugeriu que se adotasse, para a água, o mesmo que se fez em relação à criança com a campanha cujo lema a ser perseguido por cada um que nela se engajasse era realizar esforços para colocar uma criança na escola. No caso da água, era apenas protegê-la de mau uso e de maus tratos. E medir, de tempos em tempos, os resultados. Com grande sensibilidade, Paulo Romano comparou água e criança, observando que ambos são o futuro do País e, indefensos que são, requerem a ação vigilante e participativa de todos, dentro de uma mobilização de toda a hora e de todo o lugar. O movimento cresceu em alguns estados e cresceu para depois recuar em outros. Precisa ser retomado e aperfeiçoado no que se refere à medição dos resultados, que deve ser feita em pontos notáveis das bacias brasileiras, mediante um cadastro que registre a sua evolução em termos de qualidade e quantidade. Essa retomada pode ajudar bastante, de baixo para cima, a recuperação dos rios, lagos e aqüíferos brasileiros. O Dia Mundial da Água constitui uma ocasião especial para se revisitar a agenda da cidadania pela água. Vale a pena que cada um medite, nessa data, sobre o que pode fazer em favor das águas do Brasil!
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