Bosque dos Constituintes: a novela continua

A agressão ao Bosque, com retirada de árvores para construção de um prédio com apoio do Ministério da Cultura, está sendodocumentada para a história

Da redação

A novela em torno da construção do Memorial Israel Pinheiro na área onde foi plantado o Bosque dos Constituintes, próximo à Praça dos Três Poderes, em Brasília, parece não ter fim. Fim mesmo talvez terão as árvores que já foram arrancadas. Pelo menos o pau-ferro plantado pelo ex-presidente da Constituinte, Ulysses Guimarães, ainda resiste junto aos tapumes da obra. Resumo da ópera: o juiz as 16ª Vara Federal, Francisco Neves da Cunha, primeiro foi feliz, concedendo liminar suspendendo as obras do Memorial Israel Pinheiro, por considerar que um bem não pode prejudicar outro, além de reconhecer as irregularidades da obra. O nobre causídico notificou ainda as duas mesas do Congresso Nacional

No último dia 31 de março o mesmo juiz foi infeliz e revogou a liminar que ele havia concedido e as obras forma retomadas. O engenheiro Florestal da Universidade de Brasília, Eleazar Volpato está dando tudo de si, numa espécie de bloco do eu sozinho, e foi quem encaminhou ação popular contra a destruição do bosque, símbolo da Constituinte de 1988. Em determinada ocasião era ele contra sete advogados.
Volpato narra a batalha: "A vitória deles será também a maior derrota, pois a agressão ao Bosque ficará fisicamente registrada. Penso que essa batalha judicial poderia ter sido evitada com um gesto de nobreza, com o deslocamento da obra para fora do domínio do Bosque. É claro que isso está fora de cogitação e que, tanto a Fundação Israel Pinheiro quanto o arquiteto Oscar Niemeyer, sob quem se escudam, não se aperceberam da enrascada e se a Justiça percebesse poderia tirá-los dessa enrascada propondo um acordo, talvez com a participação do Ministério Público. Para nós o que interessa é a integridade do bosque. Salvá-lo hoje, quando ainda nem pode ser reconhecido por quem passa por ali. Quando as árvores crescerem certamente todos darão a proteção e os cuidados que esse marco histórico, cultural e ambiental merece".
"É isso - conclui Volpato - é desagradável ter que ver no meio de algumas árvores do bosque um prédio que pode até ser muito lindo, importante, mas que jamais carregará a força e a energia de uma árvore. E bem no coração da Capital da República".

"A vitória deles será também
a maior derrota, pois a agressão ao bosque ficará
fisicamente registrada.
Penso que essa batalha
judicial poderia ter sido evitada com um gesto de nobreza: o deslocamento da obra para
fora do bosque"
Prof. Eleazar Volpato

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