22 de maio - Dia Mundial da Biodiversidade

O mapa de Biomas do Brasil

IBGE reconstitui vegetação e vida animal da época do descobrimento

Silvestre Gorgulho

Num estudo inédito feito em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, o IBGE produziu um mapa de biomas e detalhou como estão distribuídos os animais e as plantas brasileiras. O documento foi lançado no Palácio do Planalto pelo Presidente em exercício, José Alencar(foto), para comemorar o Dia Mundial da Biodiversidade, em 22 de maio. Por cair num sábado, o evento foi antecipado para sexta-feira, dia 21. José Alencar, em seu discurso, foi didático e justificou a comemoração: "O Brasil possui a maior cobertura de floresta tropical do mundo e a maior biodiversidade do planeta, com cerca de 22% das espécies existentes. Temos um País muito amplo, com 8,5 milhões de Km2. Obviamente, os trabalhos de preservação ambiental crescem de significação, tendo em vista também as diferenças regionais. É nossa responsabilidade preservar esse grande patrimônio, mas para preservar temos que estuda-lo e conhece-lo melhor". José Alencar lembrou ainda que estamos comemorando dez anos da entrada em vigor da Convenção sobre Diversidade Biológica. Essa Convenção foi adotada na Conferência das ONU realizada no Rio de Janeiro, em 1992 (ECO-92) e entrou em vigor em 1993. O Brasil foi um dos primeiros signatários.

Os Biomas
O Mapa de Biomas do Brasil, resultado de uma parceria entre o IBGE e o Ministério do Meio Ambiente, mostra que o Bioma Amazônia e o Bioma Pantanal ocupam juntos mais de metade do território brasileiro. O Mapa de Vegetação do Brasil reconstitui com mais detalhes a provável situação da vegetação na época do descobrimento.
O bioma continental brasileiro de maior extensão é a Amazônia e o de menor extensão, o Pantanal. Juntos ocupam mais da metade do Brasil: o Bioma Amazônia, com 49,29%, e o Bioma Pantanal, com 1,76% do território brasileiro. Mapeados pela primeira vez, os seis biomas continentais brasileiros são: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa.
Segundo o IBGE, bioma é conceituado no mapa como um conjunto de vida (vegetal e animal) constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional, com condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria.

Formações florestais e campestres

O Mapa de Vegetação do Brasil mostra que no país ocorrem dois grandes conjuntos vegetacionais: um florestal, que ocupa mais de 60% do território nacional, e outro campestre. As formações florestais são constituídas pelas florestas ombrófilas (em que não falta umidade durante o ano) e estacionais (em que falta umidade num período do ano) situadas tanto na região amazônica quanto nas áreas extra-amazônicas, mais precisamente na Mata Atlântica. Na Amazônia, predominam as florestas ombrófilas densas e abertas, com árvores de médio e grande porte, com ocorrência de cipós, bromélias e orquídeas. As florestas extra-amazônicas coincidem com as formações florestais que compõem a Mata Atlântica, onde predominam as florestas estacionais semideciduais (em que 20 a 50 % das árvores perdem as folhas no período seco do ano), e as florestas ombrófilas densas e mistas (com araucária). Em ambos os conjuntos florestais ocorrem, em menor proporção, as florestas estacionais deciduais (em que mais de 50% das árvores perdem folhas no período seco).
As formações campestres são constituídas pelas tipologias de vegetação abertas, mapeadas como: savana, correspondente ao Cerrado que predomina no Brasil central, ocorrendo também em pequenas áreas em outras regiões do país, inclusive na Amazônia; savana estépica que inclui a caatinga nordestina, os campos de Roraima, o Pantanal mato-grossense e uma pequena ocorrência no extremo oeste do Rio Grande do Sul; estepe que corresponde aos campos, do planalto e da campanha, do extremo sul do Brasil; e a campinarana, um tipo de vegetação decorrente da falta de nutrientes minerais no solo e que ocorre na Amazônia, na bacia do rio Negro.
O mapa traz ainda a indicação das áreas das formações pioneiras que abrigam restingas, manguezais, alagados e refúgios vegetacionais.

Outros atos de governo
Na mesma solenidade em que foram lançados os novos mapas, o governo brasileiro reforçou a campanha internacional pela criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul e o MMA apresentou dois outros trabalhos: o Atlas dos Recifes de Coral nas Unidades de Conservação e a lista nacional de invertebrados aquáticos e peixes de água doce e salgada ameaçados de extinção. Esta lista tem 258 animais e servirá para elaboração de políticas públicas para recuperação das espécies. Também foi assinado decreto ampliando a área do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, situado em áreas dos Estados de Minas e Bahia. O parque passa de 147 mil hectares para 230 mil.

Mais detalhes desta matéria no site: http://www.folhadomeio.com.br:8248/publix/fma/folha/2004/05/ibge147b.html

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