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Laboratório de natureza Procissão de Tabebuias A floração de ipês roxos, amarelos, rosas e brancos embriaga as abelhinhas por excesso de néctar, embeleza matas e cidades e não pode passar despercebida de professores e alunos Mônica Meyer 20 de Outubro de 2004 No mês de junho/julho, as cidades brasileiras cobriram-se de roxo. O calendário da natureza marcou o início da floração dos ipês-roxos. Um roxo natural, sem corantes e anilinas. Devagar as flores soltaram-se, dançaram no ar e cobriram o chão. Formaram um tapete sobre a grama e o piso cinzento e preto das calçadas e ruas. Em agosto/setembro foi vez dos ipês amarelos. A árvore completamente despida de folhas vestiu um manto amarelo. Nas beiras de estrada e pastos, reinou douradamente entre a vegetação seca e marrom. Nas matas de cerrado destacou patrioticamente entre a variedade de tons de verde. Agora, em outubro, é chegada a hora dos ipês-rosas e ipês-brancos. Floração rápida cobre e quebra a hegemonia do concreto. Transforma a rotina em aprendizado para se pensar um tempo de viver com qualidade. São tantos ipês floridos pelas ruas e pelas praças! Ipê, palavra curtinha de origem tupi - i'pé - que significa árvore cascuda. Pertence ao gênero das Tabebuia e a grande família das Bignoniáceas, plantas principalmente tropicais que englobam árvores e trepadeiras de flores grandes e coloridas. Nesta grande família há mais de 500 espécies e os ipês são os representantes típicos. ![]() Foto: O ipê amarelo enfeita mais ainda o cartão postal de Brasília.
Na floração dos ipês, as abelhas fazem alvoroço sugando o néctar das flores. Dá para se ouvir o zumbido das asas. Enquanto sugam vão polinizando as flores, carregando e trocando pólen de flor em flor. Fecundados os óvulos, vêm os frutos. As finas e longas vagens esverdeadas estão repletas de pequenas sementes aladas. De agosto a novembro, elas começam amadurecer e abrir. Meses de ventania para a dispersão das sementes. Com o início da chuva vem o período da germinação. As sementes que vingaram darão novas mudas de ipês. Aparentemente tão simples relatar a reprodução das plantas. Mas que processo sofisticado! Foto: E o roxo, abaixo, reina majestoso sobre um campo de pastagem Tarefa nada fácil. Para conseguir acertar a deposição de pólen no estigma da flor é um verdadeiro malabarismo. Equilibrar na escada, sol na moleira, mosquitos, escolher um botão floral pequeno sem danos de parasitas, cobrir a inflorescência com saquinhos de pipoca, para no dia seguinte tentar a polinização. O próximo procedimento, remover os estames, órgãos onde são produzidos os grãos de pólen. Segundo o pesquisador um trabalho de precisão cirúrgica. Mas a dificuldade maior era depositar o pólen no estigma. Tarefa fundamental para haver a polinização e fecundação. A exuberância das flores contrastava com um estigma bilamelado e sensitivo. Ele explica, "parece duas orelhinhas uma deitada sobre a outra que se fecha ao mais leve toque. Não há Cristo que agüente forçar a abertura para lá deixar um punhadinho de pólen que seja. E ele só volta a se abrir novamente horas depois. Admiração pelas flores oculta processo de reprodução dos ipês tão sutil e repleto de preciosidades.
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