Prêmio Nobel da Paz

Ambientalista do Quênia ganha Nobel da Paz

De tanto plantar árvores, Wangari Maathal colheu o prêmio mais importante do mundo

Silvestre Gorgulho

A bióloga queniana Wangari Maathal acaba de provar que não é só quem evita as guerras é quem promove a paz. Também quem cuida do meio ambiente, planta árvores, defende as águas e conscientiza seu povo para o valor da natureza é promotora da paz. Wangari Maathal, 64 anos, fundadora em 1977 do Movimento Cinturão Verde, um programa que proporcionou o plantio de mais de 30 milhões de árvores no Quênia, foi escolhida pelo Comitê Nobel Norueguês para receber a mais importante comenda do mundo: o Prêmio Nobel da Paz. Além do valor político e social da premiação, há o valor material de US$ 1,36 milhão. A ONG de Wangari Maathal atua em nove regiões do Quênia e a partir do incentivo ao plantio de árvores por mulheres pobres, busca desenvolver entre os quenianos uma consciência de luta pela melhoria das condições de vida, sempre associada aos cuidados com o meio ambiente.

Foto  -  Reuters

Foto: Em 2002, Wangari Maathal foi eleita para o parlamento do Quênia com 98% dos votos, sendo então escolhida pelo governo para ser a vice-ministra do Meio Ambiente

Na sua primeira entrevista, depois de comunicada sobre a escolha do Prêmio Nobel, Maathal tomou duas atitudes: primeiro fez questão de plantar mais uma árvore no jardim do hotel Outspan, onde recebia os cumprimentos, e declarar para os jornalistas presentes que "quando plantamos árvores, plantamos a paz!".
Para o Comitê Norueguês do  Nobel, Maathai está na vanguarda da luta pela promoção de um desenvolvimento social, econômico e cultural ecologicamente viável no Quênia, e em toda a África. Ela tem uma visão holística do desenvolvimento sustentável, que abrange a democracia, os direitos humanos, especialmente, os direitos da mulher. Maathai faz o típico trabalho recomendado em todas as Conferências de Cúpula das Nações Unidas: "pensar em termos globais e agir em termos locais".

Política
Maathai tomou posição corajosa na luta contra o antigo regime opressor no Quênia. Seu modo único de ação contribuiu para chamar a atenção para a política de opressão, tanto a nível nacional como internacional. Ela tem sido fonte de inspiração para muitos na luta pelos direitos democráticos, encorajando as mulheres, especialmente, a melhorar sua situação. A verdade é que a ativista queniana sabe combinar ciência, engajamento social e política. Mais do que simplesmente proteger o ambiente existente, sua estratégia visa assegurar e fortalecer a base de um desenvolvimento sustentável.
Wangari Maathal fundou o Movimento do Cinturão Verde (Green Belt Movement), pelo qual, por quase 30 anos, tem mobilizado mulheres pobres a plantarem 30 milhões de árvores. Seus métodos foram adotados também por outros países.
Proteger as florestas contra os processos de desertificação é um ponto crucial na luta para fortificar o meio ambiente e a vida em nosso planeta. Atuando em quatro direções (educação, planejamento familiar, alimentação e luta contra a corrupção) o Movimento do Cinturão Verde tem pavimentado o caminho para o desenvolvimento.
O Comitê Norueguês do Nobel, ao escolher Maathai para receber o Nobel da Paz, ratificou sua posição de que a líder queniana é porta-voz das melhores forças da África, para promover a paz e boas condições de vida no continente. "Ela serve como exemplo e fonte de inspiração para todos aqueles  que lutam pelo desenvolvimento sustentável, democracia e paz". O Prêmio será entregue no dia 10 de dezembro, em Oslo, quando é lembrado o aniversário da morte de Alfred Nobel.
(Leia Editorial na página 4)

FRASES de Wangari Maathal

"O prêmio vai ter um grande efeito no aumento da conscientização e do número de pessoas preocupadas com o meio ambiente. E deve aumentar também os direitos dos ecologistas porque agora os governos dos diversos países verão mais concretamente a importância do trabalho de quem luta pelo meio ambiente".

"Eu já fui presa várias vezes. Recebi muitas pancadas pelo meu trabalho. Não quero revolução, quero apenas defender o meio ambiente, plantar árvores, porque com
o equilíbrio da natureza aumentamos as nossas chances de sobrevivência".

"Como vice-ministra do governo quero promover uma luta pelas árvores, pela natureza, pelos animais, pelo direito das mulheres e das minorias".

“Quando falava com as mulheres simples do campo - aqui no Quênia as mulheres são as principais responsáveis pelo trabalho na agricultura - elas reclamavam que não tinham mais lenha  porque não havia mais árvores. Aí pensei comigo: e se todos nós começarmos a plantar árvores? Resolvemos esse problema e melhoramos a qualidade do solo, combatendo a erosão, e melhoramos também o ar que respiramos. Até hoje, já conseguimos plantar 30 milhões de árvores, não só no Quênia, mas também em alguns países vizinhos que aderiram a Movimento Cinturão Verde".

"Cada região do mundo tem uma luta diferente. Mas todos têm a preocupação ecológica. Acompanhei o que acontecia na Europa, de onde tiramos inspiração
para criar o nosso Partido Verde. No Brasil, acompanhei também o trabalho
de Chico Mendes, que lutou pela preservação da floresta Amazônica.
Chico Mendes também mereceu o prêmio. E acompanhei também, com
satisfação, a democratização do Brasil, um país que admiro, e gostei muito de ver um partido de esquerda e defensor dos direitos humanos chegar ao poder".

"As guerras no mundo são sempre guerras por disputa de recursos naturais.
Ao defender o meio ambiente, plantamos a paz!"

silvestre@FolhadoMeio.com.br


 
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