O encontro teve mais de 900 painéis, 76 minicursos, dezenas de oficinas além de inúmeras conferências e mesas redondas
Zilda Ferreira
10 de Dezembro de 2004
"Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a Humanidade deve escolher o seu futuro... ou formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a diversidade da vida." Foi nesse tom do texto inicial da Carta da Terra, que a ministra Marina Silva abriu o V Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, no dia 3 de novembro, em Goiânia. Muito aplaudida, a ministra destacou: "A educação ambiental é imprescindível para formação de novas consciências e para um novo eco civilizatório" E lembrou ainda aos educadores que a capacidade de suporte do planeta não comporta a forma de consumo e de produção..."Se fôssemos dar o mesmo padrão de
satisfação dos países desenvolvidos para seis bilhões de seres humanos existentes no planeta, necessitaríamos de quatro planetas Terra, e como nós só temos esse, precisamos repensar nossa forma de produzir e de consumir?. Em seguida, a ministra anunciou que seu Ministério vai liberar R$ 5 milhões para projetos
educacionais que exigirão outros R$ 5 milhões de
contrapartida dos Estados.
Palavras de ordem Responsabilidade social, justiça ambiental e democratizar foram palavras de ordem no V Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, no segundo dia, quando de fato começaram as conferências, mesas redondas, painéis, dezenas de oficinas e minicursos, além dos Grupos de Trabalho centro das deliberações do encontro. O empenho na reconstrução do saber ambiental transformador e de uma educação ambiental não separada do processo social lembravam as esperanças semeadas na ECO-92, quando foi aprovado o "Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global".
Moema Viezze Durante o V Fórum foi criado o GT Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, coordenado por Moema Viezzer para avaliar o Tratado e promover mudanças, a fim de adequar aos avanços da Educação Ambiental no mundo. Moema Viezzer foi quem coordenou o processo de produção coletiva internacional desse Tratado. Por isso, as primeiras homenagens do evento foram para ela. O grande esteio do encontro em Goiânia foi a Diretoria de Educação Ambiental do MMA e a Coordenação de Educação Ambiental do Ministério de Educação. O V Fórum foi realizado sete anos depois do IV Fórum, que aconteceu em Guarapari-ES, em 1997.
Importância das contribuições Destacar a importância das contribuições desse V Fórum seria difícil e ocuparia muito espaço em virtude do número de temas apresentados: cerca de 900 painéis, 76 minicursos, dezenas de oficinas além de inúmeras conferências e mesas redondas. Para não cometer injustiças e nem fazer juízo de valor do que era mais importante, optamos por registrar apenas os dois Grupos de Trabalho coordenados pelos representantes do Órgão Gestor de Educação Ambiental do MMA - GT/ProNEA e GT/SIBEA, considerados estratégicos. Todos os outros 11 GTs foram coordenados pelas "redes elos" da Rede Brasileira de Educação Ambiental.
Democratizar a informação O SIBEA- Sistema Brasileiro de Informação sobre Educação Ambiental tem por meta a democratização da informação, disponibilizando dados a todos que necessitam ou tenham interesse em obter informações atuais e qualificadas. Os recursos do Sistema são: Banco de dados; Documentos em Destaque; Atualidades e as Salas Virtuais Durante o GT, os participantes puderam fazer o cadastramento para facilitar o acesso de forma fácil e ágil. Quem quiser acessá-lo, poderá fazer através do endereço eletrônico:http://www.mma.gov.br/educambiental/ .
Ângela Schmidt Nesse sistema pode-se encontrar informações sobre especialistas, instituições, legislação, publicações e notícias relacionadas à educação ambiental. Ele foi desenvolvido pela Diretoria de Educação Ambiental do MMA em parceria com as redes e instituições governamentais e não governamentais que atuam em Educação Ambiental. Aperfeiçoar esse sistema foi uma das metas desse Grupo de Trabalho, coordenado por Ângela Schmidt, graduada em Ciências da Computação e pós- graduada em Educação. "O Programa Nacional de Educação Ambiental é tão abrangente que deveria ser permanente, pois na realidade ele começou muito antes do V Fórum e não vai terminar tão cedo, porque é uma proposta continuada", explicou Ângela Schmidt.
ABI presente Antes da abertura do V Fórum, 13 entidades que compõe o Comitê Assessor do Órgão da Política Nacional se reuniram. Entre elas a Associação Brasileira de Imprensa-ABI, que defendeu a inclusão do Ministério Público, das Universidades Federais e principal mente dos trabalhadores rurais e dos movimentos sociais. Essa proposta foi apresentada depois da discussão da pauta da Reunião, onde analisaram a competência e papeis do Comitê Assessor do Órgão Gestor da PNEA e da Câmara Técnica de EA do Conama e a Consulta Pública do ProNEA. A Diretoria de Educação Ambiental do MMA e a Coordenação Geral de Educação Ambiental do MEC, componentes do Órgão Gestor, não ofereceram resistência à proposta da ABI. Marcos Sorrentino, diretor de Educação Ambiental do MMA, argumentou que era preciso ouvir o departamento jurídico do MMA, uma vez que teria que mudar o Decreto 4281/2002, que regulamentou a Lei de Educação Ambiental.
Rachel Trajber Durante essa reunião, a coordenadora Ambiental do MEC, Rachel Trajber, informou que o V Congresso Ibero-Americano será realizado no mês de agosto de 2005, na cidade de Joinvile/SC, conforme deliberado no IV Congresso que ocorreu em Cuba, que por unanimidade foi deliberado que o Brasil sediasse o encontro. Marcos Sorrentino fez questão de lembrar que no dia primeiro de janeiro de 2005 começa a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável. O V Congresso Ibero-Americano no Brasil será uma excelente oportunidade para reivindicar uma educação ambiental integrada no Continente. No do encerramento do V Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, uma surpresa: um diagnóstico inédito da educação ambiental constata que em sete Estados brasileiros são os órgãos públicos que mais desenvolvem a Educação Ambiental. Esse levantamento foi feito pela especialista Isabel Carvalho, da Universidade Luterama Brasileira (ULBRA). Sem dúvida, esse estudo, o maior já realizado no país, foi uma alerta ao Governo para investir mais na educação pública.
Dia primeiro de janeiro de 2005 começa a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável Marcos Sorrentino, diretor de Educação Ambiental do MMA
O conceito de educação ambiental O esforço para se conseguir o equilíbrio entre o homem e natureza
Silvestre Gorgulho, de Brasília Meio Ambiente é um conceito que vem evoluindo no decorrer dos anos. No início do século passado, ele assumia um caráter naturalista, contrapondo duramente ao desenvolvimento. Com muito destaque para a denúncia, para o radicalismo. Mas foi um conceito em evolução. Na primeira grande conferência de desenvolvimento sustentável, em 1972, em Estocolmo, o conceito era um; quando fizemos a primeira edição da Folha do Meio, junho de 1989, o conceito era outro. Depois da Conferência do Rio de Janeiro, em 1992, era um; depois da RIO+10, em Joanesburgo, era outro. O fato é que o conceito meio ambiente teve uma evolução tão significativa que acabou por incorporar uma verdadeira revolução. E essa evolução, como não poderia deixar de ser, acompanha também o conceito de educação ambiental. E o que é educação ambiental hoje? Como meio ambiente é o lugar onde se vive, onde acontecem todas as relações entre os seres vivos e os aspectos naturais, a educação ambiental é justamente o estudo destas relações em todos os níveis entre o homem e a natureza: sociais, econômicas e culturais. E tem mais: por ser relações que preservam o ambiente, racionaliza o uso de recursos naturais, protege o homem e a própria vida, a educação ambiental acabou por ser um exercício de cidadania. Nesse sentido, o conceito de educação ambiental não se restringe apenas à preservação de paisagens naturais, dos seres vivos, à disposição final do lixo, ao desmatamento, à não poluição do ar, do solo e das águas. O tema se reveste de um caráter holístico que busca o equilíbrio entre o homem e o ambiente, com vista à construção de um mundo mais justo, sobrenatural no sentido de que não é a Terra que pertence ao homem, mas o homem que pertence à Terra.
Atitudes de quem tem consciência ambiental
NA FAMÍLIA NA ESCOLA
1. Evite o desperdício (água, luz e papel). 2. Compre produtos de empresas que investem em ações sociais. 3. Jogue no lixo só o que não puder ser aproveitado e separe para reciclagem. 4. Recuse embalagens desnecessárias. 5. Compre alimentos a granel (não levam embalagens dispensáveis). 6. Compre refil para seus produtos de higiene e limpeza. 7. Só compre embalagens recicladas. 8. Use detergente biodegradável. 9. Use panos ao invés de toalhas de papel. 10. Reduza o tempo do banho. 11. Feche as torneiras direitinho. 12. Não jogue lixo no vaso sanitário. 13. Não use água tratada para lavar carros e calçadas. 14. Leve pilhas e baterias usadas aos postos de coleta.
NA FAMÍLIA NA ESCOLA
1. Informação - Proporcionar a leitura de jornais, livros e sites que tem boa informação sobre a questão ambiental. Sem conhecer, não há como preservar. Conscientização ambiental - Chamar a atenção do aluno no sentido de sensibilizá-lo para as questões que envolvem respeito e defesa aos recursos naturais; sensibilizá-los e fazer de cada aluno um eficiente vetor da boa prática ambiental junto à família e círculo de amizades; alertar para os comportamentos errôneos e estimular seu envolvimento e participação com as causas públicas. 2. Debates - Promover discussões de teorias e práticas completas e atualizadas sobre o envolvimento de cada um na qualidade de vida da escola, da família e da comunidade. 3. Atitudes - Orientar no sentido de cooperar, transformar e construir situações desejáveis de melhoria na qualidade de vida da comunidade e do país. 4. Voluntariado - Promover ações de voluntariado que beneficiem a comunidade e o meio ambiente. 5. Ação responsável - Discutir, definir e unificar a linguagem e os procedimentos de cada aluno no sentido de que todos assumem a responsabilidade como cidadão que tem direitos e deveres.
Para os tomadores de decisão no município 1. Aprovar um plano diretor competente e permanente para o município. 2. Levar o debate das questões ambientais para as escolas do município. 3. Fazer sinalização eficiente na cidade e estradas. 5. Promover a coleta seletiva do lixo. 6. Fiscalizar e multar quem joga lixo em terrenos baldios. 7. Fazer a arborização urbana. 8. Promover o saneamento, construindo estação de tratamento de esgoto. 9. Coibir a poluição sonora. 10. Coibir a poluição visual de faixas, painéis e outdoors. 11. Coibir a poluição do ar por carros e fábricas. 12. Coibir a poluição de rios, lagos e mananciais. 13. Cuidar das praças, parques e áreas de lazer. 12. Promover campanhas de utilidade pública como combate à dengue, anti-tabagismo.
CONFIRA O SEU RANKING... 1. Jogar lixo na rua - 50 pontos 2. Jogar binga de cigarro na rua - 90 pontos 3. Deixar lixo na praia - 130 pontos 4. Participar de briga de galo ou canários - 60 pontos 5. Desperdiçar água - 40 pontos 6. Desperdiçar energia elétrica - 40 pontos 7. Caçar passarinho - 150 pontos 8. Pegar animais na natureza - 200 pontos 9. Negociar animais silvestres - 150 pontos 10. Colocar fogo no mato - 100 pontos 11. Escrever o nome em árvores - 120 pontos 12. Escrever o nome em monumentos públicos - 120 pontos
Confira sua pontuação: 0 a 40 - Tem consciência ambiental 41 a 99 - Tem pouca preocupação ambiental 100 a 500 - Poluidor ambiental Acima de 501 - Poluidor ambiental militante
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