Camada de Osônio

Cai uso de destruidores da camada de ozônio

Os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável do IBGE tem boas e mas tem más notícias também

Milano Lopes

Nos últimos 11 anos, entre 1992 e 2002, houve uma redução de 61% no consumo de poluentes destruidores da camada de ozônio, mas, no mesmo período, ocorreu um aumento de 43% nos desmatamentos na Amazônia, e as queimadas tiveram uma expansão de 99%, entre 1998 e 2003. Os dados constam da segunda edição dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável - IDS - que acabam de ser divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Os IDS abrangem indicadores sociais, econômicos, ambientais e institucionais compilados em várias fontes. Foram levantados 59 indicadores referenciados por 57 índices definidos pela Comissão para o Desenvolvimento Sustentável, das Nações Unidas. A próxima edição será divulgada em 2006.

Variação do buraco da Camada de Ozônio ano a ano, de 1979 a 1992, mostra que há um crescimento contínuo na década de 80. A partir de 1989 o buraco não se reduz mais.

O fogo e a camada
de ozônio

No ano passado, segundo os IDS, o fogo atingiu 213 mil pontos no País, e ocorreram em decorrência do desmatamento para o plantio de agricultura de exportação, especialmente a soja. Cerca de 25%, ou 55 mil pontos de fogo foram registrados no Estado de Mato Grosso, o maior produtor e o maior exportador de soja do País.
Os IDS contabilizam ainda que 93 hectares de manguezal foram desflorestados entre 1995 e 2000, ficando com o Estado do Paraná a maior área remanescente. Pelo menos 2.270 hectares de restinga foram devastados no mesmo período, encontrando-se no Rio Grande do Sul a maior área restante. Ainda de 1995 a 2000, 4,34% da área de Mata Atlântica do Paraná foi devastada.
Os IDS mencionam ainda que 13,9% das áreas de unidade de conservação são ocupadas pelo cerrado; 30,6% das áreas de unidades de conservação federais são ocupadas por parques nacionais e 33,7% das áreas de unidades de conservação federais correspondem a florestas nacionais.
Já o consumo de elementos destruidores da camada de ozônio caiu em praticamente todos os setores que utilizam poluentes. Na refrigeração, o consumo caiu de 5.816 t PDOs em 1997 para 3.595 t PDOs em 2003. Uma t PDO corresponde a uma tonelada de potencial de destruição da camada de ozônio, ou uma tonelada de Cloro Flúor Carbono - CFC - 11 ou 12, que são os mais agressivos à camada de ozônio.
Na fabricação de espuma caiu de 4.137 t PDOs em 1997 para apenas 353 t PDOs em 2003. Em aerossóis, a queda foi de 234 para 74, em solventes, de 22 para 12 e em extintores de incêndio, de 107 t PDO para cinco t PDOs.
Com essa redução, o País está adiantado no cumprimento das metas do Protocolo de Montreal, assinado em 1987 e ratificado pelo Brasil em 1990, e que fixou os prazos para eliminação de substâncias como os CFCs, que são usados em geladeiras, condicionadores de ar e sprays.

Bom na reciclagem,
ruim na desertificação

Os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável do IBGE trazem uma boa notícia: em todos os produtos avaliados - papel, vidro, latas de alumínio, PETs (garrafas de plástico) e latas de aço, houve um substancial aumento nas atividades de reciclagem.
As campeãs absoluta foram as latinhas de alumínio: 89% das latas vendidas no mercado em 2003 retornaram à cadeia produtiva através da reciclagem. E a razão é simples: trata-se de uma atividade de lucro certo, refletindo outra realidade colhida pelos IDS: o aumento da reciclagem resulta não de uma elevação da consciência ambiental da sociedade, mas da identificação de oportunidades de geração de renda para as pessoas mais pobres. Tanto que apenas 2% do lixo produzido no Brasil é coletado de forma seletiva.
De 1993 a 2002 a reciclagem do papel cresceu de 38,8% para 43,9%; a das latas de aço, de 20% para 49,5% e a de vidro, de 25% para 42%, esta considerando apenas o ano de 2001.
Os IDS advertem que uma área de 180 quilômetros quadrados do Nordeste poderá em poucos anos transformar-se em deserto, afetando a flora, a fauna e a vida de pelo menos sete milhões de habitantes.
Mas a desertificação atinge outros pontos do País, como o Rio Grande do Sul, onde a arenização vem se ampliando, em virtude da exploração intensiva do solo por meio da agricultura mecanizada nos últimos 30 anos.

No saneamento, boas e más notícias
Na área do saneamento, a boa notícia dada pelas IDS é que o número de internações em razão de enfermidades como diarréia, difteria, malária, hepatite, dengue e outras recuou de 730 por 100 mil habitantes em 1993 para 375 por 100 mil habitantes em 2002.
Ao mesmo tempo, o percentual de domicílios ligados à rede geral de água aumentou de 88,3% em 1992 para 91,3% em 2002 nas áreas urbanas. Já nas áreas rurais, o percentual elevou-se, no mesmo período, de 12,3% para 22,7%.
Ainda assim, a diarréia continua responsável por quase 25% das internações de crianças de até cinco anos, e representa 4,5% do total de internações.
A pesquisa do IBGE revela também que as praias e rios que atravessam as principais áreas urbanas mostram sérios problemas de poluição, razão direta das deficiências do saneamento básico. O documento informa que, ampliar a oferta de esgoto sem investir também no tratamento dos resíduos só torna a situação dos rios e das praias mais crítica.

milano.2004@terra.com.br


 
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