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Mercosul

Problemas ambientais na fronteira
Nova apreensão de carga de agrotóxico pode situar a fronteira Brasil-Uruguai como porta de entrada do contrabando

Por Elizabeth de Moraes, de Sant?Ana do Livramento

23 de Maio de 2006

Foi aprendido na primeira semana de maio, em Sant?Ana do Livramento, fronteira com Rivera, no Uruguai, um caminhão contendo uma carga de 140 quilos de inseticidas e 20 quilos de herbicidas. O caminhão vinha do Uruguai e foi preso pela Polícia Federal Brasileira. Esta é a segunda ocorrência nesse sentido em menos de dois meses. Em fevereiro outra carga era apreendida pela Polícia Rodoviária (60 litros de tebuzato e 195 litros de outro inseticida).

Em Livramento o delegado federal Luiz Eduardo Pereira informou que somente neste ano seis inquéritos já foram abertos, num total de 677 quilos de agrotóxicos apreendidos. A delegacia local está investigando, pois toda essa movimentação pode fazer parte de um comércio de produtores rurais que buscam preços mais baratos, ou pode ser um contrabando maior. Toda fronteira é sempre uma porta de entrada para esse tipo de crime. A alegação dos transportadores é sempre no sentido de que não são cargas contrabandeadas, mas buscam a mercadoria para uso próprio, do lado uruguaio, devido o preço compensador. Mesmo assim, os transportadores estão sujeitos à multa do Ibama e da Receita Federal, além da apreensão do produto. O delegado Luiz Eduardo, que está há dois meses em Livramento, não é indiferente a causa ambiental, já que foi transferido de Marabá, no Pará, para esta fronteira. Lá trabalhou com o principal problema da região que são as madeireiras ilegais. Há poucos meses na cidade, surpreendeu-se com o fato de Livramento deter 56 % da área da APA do Ibirapuitã, com o restante da área dividida com Rosário do Sul, Alegrete e Quarai.

Receituário agronômico
Para o engenheiro agrônomo Eloi Luft do Departamento de Meio Ambiente da prefeitura municipal de Livramento, o contrabando ou descaminho desses produtos, além de lesar os cofres públicos, é um grave problema, pois desobriga o uso do receituário agronômico. Esse receituário é importante porque explica como, quando e  em que quantidade devem ser usados esses agrotóxicos.
Outra questão já levantada por ambientalistas da região ? como Juca Sampaio ? é a destinação das embalagens, muitas vezes deixadas ao largo de córregos e rios da região com a conseqüente degradação ambiental e riscos a saúde humana.         

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