Parque Estadual de Campos do Jordão

Ecoturismo e Preservação

Conheça o parque estadual mais antigo do Brasil

Beatriz Marcondes, de Campos do Jordão

Paisagem de cartão postal, clima de montanha, música erudita, boa gastronomia, artesanato, cultura e um excelente pólo de ecoturismo. Na Europa? Não! Bem mais pertinho: a 150km da capital paulistana, em Campos do Jordão. Muitos já ouviram falar nas belezas turísticas da cidade, o que poucos sabem, porém, é que Campos do Jordão tem o parque estadual mais antigo do Brasil. Criado em 1941 para salvaguardar os remanescentes das florestas de araucária, o Parque Estadual de Campos de Jordão - com 8.341 hectares - guarda cenários de rara beleza. O objetivo principal de sua criação foi alcançado: além de abrigar a maior reserva de coníferas do estado de São Paulo, o parque é um excelente lugar para curtir a natureza e promover programas relacionados à pesquisa e à educação ambiental.

Beatriz Fernandes Barros

Belíssimo cenário do parque: o lago das carpas e o lago das Vitórias Régias com a Torre do Mirante. Acima, no detalhe, a folha de Plátanus:
símbolo de Campos do Jordão

O Parque Estadual de Campos do Jordão está situado a 13km do centro da cidade. Mais conhecido como Horto, o parque fica no meio da serra da Mantiqueira. Todo esse complexo foi construído ao longo de 45 anos. Atualmente é administrado pelo Instituto Florestal de São Paulo, Unidade de Conservação da Seção de Parque Estadual de Campos do Jordão, componente da Divisão de Reservas e Parques Estaduais, a qual subordina-se diretamente à Diretoria Geral do Instituto Florestal. Conta com a ação de 40 colaboradores entre vigilantes, pesquisadores e equipe de apoio à pesquisa. No mês das férias foram contratados dez estagiários para auxiliar o atendimento ao turista.  Sua fundação teve três objetivos fundamentais: proteger e conservar integralmente o ecossistema local; ser campo para pesquisa e desenvolvimento de projetos de estudo das araucárias e servir de espaço de uso público para turismo, recreação e educação ambiental.
A região onde fica a mata preservada é a zona de silêncio ou de recuperação, onde são conservadas os exemplares de araucárias nativas. Representa 80% do parque. O engenheiro agrônomo e pesquisador Marco Pupio Marcondes, diretor do parque, informou que está em pauta a revisão e atualização do Plano de Manejo, visando enriquecer seu conteúdo. "Pretendemos dentre outras medidas, ampliar a área voltada para o público", afirma ele, que também manifestou o desejo de limitar o número de visitantes durante o mês de julho, a época mais procurada.
O secretário do Meio Ambiente de Campos do Jordão, Rodrigo Ismael (foto), alerta que o recente aumento no número de visitantes pode eventualmente causar danos à área preservada. Também pretende reabrir antigas pedreiras para a prática do rappel. A revisão desse plano conta com a participação de professores e pesquisadores da Universidade de São Paulo, a USP. De acordo com o secretário, "com o novo plano será criada uma parceria entre o município e o estado ampliando a interação com o parque, o que disponibilizará maiores recursos". O plano já está pronto e deve entrar em vigor até o final desse ano.
O parque recebe, atualmente, mais de cem mil visitantes por ano nas áreas de recreação e lazer.  E conta com ampla infra-estrutura para os turistas: serraria, centro de visitantes, monitoria de trilhas, centro de exposições, dois restaurantes, loja de artesanatos, viveiro e orquidários, além de uma hospedaria. A estudante Edna Grandchamps de Taubaté, cidade próxima a Campos, enquanto faz um piquenique com a família elogia a organização e segurança do local. "Para quem gosta de Natureza é uma excelente opção", afirma. Além de Edna, casais aposentados, jovens aventureiros e crianças se divertem e aprendem com o passeio de trem que dá a dimensão da grandeza do parque e conta  sua história.
Durante o ano, escolas podem agendar visitas e os alunos podem assistir a uma palestra que funciona como educação ambiental. Dentro do parque, são desenvolvidas exposições e oficinas que mostram à população a necessidade dos cuidados com essa área privilegiada.

Biodiversidade
As coníferas, o próprio nome já diz, são árvores em forma de cone, como os pinheiros. No Parque existem várias espécies, como: Araucaria brasiliensis, Araucaria angustifolia, Pinus elliotis, Pinaster, Insulares, Taeda, Pátula, e muitas outras.
Entre as décadas de 50 e 60 foram reflorestados mais de 2.400 hectares do parque com Pinus, uma espécie de conífera que atualmente é beneficiada na serraria, dentro do próprio parque, de maneira sustentável. Parte dessa madeira é usada no Horto e a outra é vendida para serrarias. O dinheiro da venda tornou-se uma das únicas fontes de renda do parque.
Existe também um orquidário, com viveiro de mudas com diversas espécies típicas da região, como o Plátanus. Essa é uma espécie de árvore símbolo e cartão postal de Campos do Jordão e que está na bandeira do Canadá.
Alguns exemplares de plantas e flores são produzidos para venda. A aposentada Maria Lúcia Oliveira, que há 36 anos freqüenta o parque, diz que além do passeio gosta muito de comprar as flores do viveiro.  Rico em biodiversidade, o parque serve de habitat para várias espécies de animais e pássaros ameaçados de extinção, como o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea), o arapuçu-de-bico-torto (Campylorhamphus trochilirostris) e o macaco bugio (Alouatta fusca). Vários programas relacionados à pesquisa, conservação do recursos naturais e educação ambiental são desenvolvidos dentro do parque, que tem uma conexão com escolas e faculdades da região.

As trilhas

Fotos: Beatriz Marcondes

O orquidário e viveiro de plantas

 

Essa é uma das duas pontes pênseis do parque

 

 

Trilha da Cachoeira, uma das mais visitadas 



 
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