Pelo Brasil

Piauí: desastre ambiental na BR 316

Tânia Martins, de Teresina

Acidentes rodoviários com o transporte de material tóxico continuam acontecendo num ritmo acelerado. Há falta de fiscalização e muita tolerância, em todo o Brasil, por parte da Polícia Rodoviária. Em outubro, houve outro grave acidente envolvendo três carretas transportando TDI Isocianato. Foi na BR 316, ao sul do Piauí, a 270km de Teresina, que deixou um rastro de contaminação na natureza jamais visto no Estado. Uma das carretas explodiu e o produto subiu em forma de cogumelo negro. As outras duas derramaram o TDI lentamente por mais de 40 horas, até a chegada de técnicos para conter o vazamento e remover o solo contaminado. E, como sempre acontece, a fiscalização foi omissa. A transportadora responsável pela carga, Ouro Verde, não tinha licença para trafegar com o produto químico por rodovias piauiense.

No acidente morreram três pessoas, dois motoristas e uma mulher que pediu carona. Seis horas após o ocorrido a Polícia Rodoviária Federal e o Corpo de Bombeiros, tomaram a iniciativa de retirar toda a população do povoado Gaturiano, cerca de 300 pessoas, que moram há 500 metros do acidente. "Quando descobrimos o perigo da carga tivemos que recuar o povoado", contou o inspetor Toni Carlos da PRF.
O proprietário do posto de combustível há 200 metros do local, João Fragoso, disse que foram momentos de muita tensão. "Mulheres grávidas, recém-nascidos, doentes, idosos e deficientes tiveram que sair às pressas. O pior é que não havia transporte. As pessoas ficavam vagando pelas ruas enquanto a patrulha da polícia rodoviária circulava mandando todos fugissem de casa", contou. Segundo ele, o pânico só diminuiu quando chegou o ônibus da prefeitura de Dom Expedito Lopes, a 30km da comunidade, para levá-las dali. "A maioria, sem saber para onde ir, ficou na porta da igreja até o amanhecer".

Omissão da SEMA
A Curadoria do Meio Ambiente do Piauí entrou em choque com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente , mas  não multou a transportadora Ouro Verde que não acompanhou o trabalho de remoção do material tóxico. Também  não esteve com a população atingida para coletar informações e dar assistência. "A Secretaria foi omissa em vários sentidos, entre eles, o de não encaminhar para o local uma equipe multidisciplinar. Por isso, vai responder por omissão", disse a Curadora do Meio Ambiente, Rita de Fátima Moreira.

Fotos: Francisco Moura

A empresa Ouro verde, por sua vez, até agora não forneceu nenhuma informação sobre o acidente. De acordo com o pesquisador do Centro Brasileiro de Referência e Apoio Cultural DÁlembert de Barros, O TDI-Isocianato, é um produto utilizado na fabricação de inseticidas, fungicidas e herbicidas e altamente perigosos. As pessoas que tiveram mais próxima ao acidente se queixam de estarem sentindo ardência nos olhos, irritação na pele, indisposição estomacal a tontura. Embora assim, o Estado não realizou consultas ou exames na população atingida.
O TDI 80/20 Isocianato é um produto resultante de combustão que inclui entre outros, óxidos de nitrogênio, monóxido e dióxido de carbono e ácido cianídrico. Os riscos à saúde humana levam à irritação gastrointestinal e ulceração, severa irritação das vias respiratórias, sintomas neurológicos, irritação nos olhos que podem causar danos à córnea. A exposição excessiva ao produto pode levar à morte. 

João Fragoso: “As pessoas ficavam vagando pelas ruas
enquanto a patrulha circulava mandando todos fugirem de casa".

 



 
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